terça-feira, 24 de novembro de 2015

Coimbra é uma lição de debate e discussão



Oitenta conferências, trezentas e cinquenta e três comunicações. Os números, neste caso, não enganam. O congresso da SOPCOM, Sociedade Portuguesa de Ciências de Comunicação, realizado sob o lema “Comunicação e Transformações Sociais”, realizou-se nos dias 11, 12, 13 e 14 de Novembro na cidade do conhecimento e trouxe a Coimbra especialistas nacionais e internacionais da comunicação. Comunicou-se. Discutiu-se. Consensos? Apenas na ideia de que o mundo está a mudar e os profissionais da comunicação, quer estejam mais ou menos preparados, terão mesmo de se habituar às novas realidades.  




A SOPCOM, fundada em 1998, precisava de um local para albergar o seu congresso bianual. Coimbra candidatou-se e garantiu a organização do congresso. Mas para isso foi preciso que a parceria entre a Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) tivesse uma força suficiente que pudesse unir os pontos de vistas e as ideias de todos os intervenientes. Ao lado desta dupla esteve o CEIS20, o Centro de Estudos Disciplinares do séc. XX da Universidade de Coimbra.

Trabalhar em parceria num congresso destes não é tarefa fácil. E gerir as diferentes perspectivas que as pessoas têm sobre a realização e concepção de um evento desta magnitude também não. Segundo Carlos Camponez, professor de Jornalismo na Universidade de Coimbra, apesar do risco inerente que uma parceria tem, as “parcerias não se gerem, fazem-se” e, por isso, com cooperação e coesão, o trabalho ficou mais facilitado. Sem uma simetria de ideias e de esforços, o congresso não se realizaria. E no fim do dia descobriram-se os principais vectores que orientariam a candidatura conimbricense. Por um lado, dar visibilidade a um pólo de formação/investigação e, ao mesmo tempo, colocar as duas instituições no roteiro da SOPCOM. Havia acima de tudo a necessidade de materializar com sucesso uma parceria que, curiosamente, começou a ser desenhada “num telefonema em férias, num fim-de-semana, à noite, já em horas avançadas” como referiu Gil Ferreira.




O carácter internacional do congresso acabou por ser uma imagem de marca por estes dias. Os oradores principais eram estrangeiros e quase todas as sessões plenárias se realizaram em inglês ou em espanhol. Mas não se pense que a língua de Camões não esteve bem representada, para além dos muitos portugueses presentes. Do Brasil, vieram conferencistas e congressistas dispostos a colocar em prática as investigações que se fazem em parceria entre as instituições portuguesas e brasileiras. Neste congresso, todos puderam apresentar os seus trabalhos e discutir. Discutir. A palavra-chave em qualquer congresso. Porque um congresso sobre o papel da comunicação na sociedade não pode, nem deve, deixar de ter diferentes pontos de vista sobre a forma como nós queremos que a comunicação funcione numa sociedade cada vez mais em constante mutação.

Essa foi uma das principais preocupações do congresso. Deixar bem vincada a ideia de que o mundo está a mudar muito rapidamente e que a comunicação, sendo um meio de fazer chegar as mensagens às massas, tem de perceber como irá adaptar-se a essas mudanças.

Por isso, por estes dias, em Coimbra, a ciência deixou de estar no laboratório e passou a ser discutida pelos especialistas. Aliás, uma das premissas principais deste congresso era que “os comunicadores tinham que dar um contributo avançado” sobre o tema. Ainda assim, os convidados foram escolhidos a dedo. Tinham de ser “consagrados activos”, referiu Gil Ferreira.

O tema também não foi dissociado da realidade. Há sempre uma preocupação, no que concerne aos congressos da SOPCOM, da realidade estar bem tratada e evidenciada. Este ano não fugiu à regra. Sociedade e comunicação uniram-se por uns dias e, segundo Gil Ferreira, não pode ser de outra forma até porque as “transformações nos media, serão necessariamente as transformações na sociedade”. “Há um jogo de soma dupla, em que estão presentes duas dimensões numa mesma onda”. 




O congresso propriamente dito teve uma agenda preenchida. Começou no dia 11 de Novembro com o pré-congresso na ESEC, onde estiveram presentes nomes como Sonia Núñez Puente da Universidade Rey Juan Carlos de Espanha e  Linda Steiner do Philip Merrill College of Journalism nos EUA. No dia seguinte, no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, deu-se a sessão inaugural do IX Congresso da SOPCOM com Enric Saperas da Universidade Rey Juan Carlos de Espanha e Eugenia Siapera da Universidade de Dublin na Irlanda a mostrarem mais uma vez a cada vez maior internacionalização do congresso.

No penúltimo dia de congresso, novamente na ESEC, foram inúmeras as sessões paralelas, de Ciência da Informação a Estudos Fílmicos, de Rádio e Meios Sonoros a Cultura Visual, entre muitas mais, onde todos os interessados podiam circular pelas sessões que suscitavam mais o seu interesse pessoal. Para complementar este programa de sessões paralelas, destaca-se a presença do conferencista Joep Cornlissen, da Erasmus University na Holanda.




Para encerrar, no Sábado, novo programa de sessões paralelas e conferência de encerramento com Mark Deuze da Universidade de Amesterdão a marcar presença.

Coimbra, ao longo dos séculos, foi palco de conhecimento, de cultura e de saber. Neste congresso a cidade dos estudantes teve o privilégio de receber isso tudo e mais alguma coisa. Esse mais teve a contribuição de todos. De organizadores, a voluntários, passando pelos congressistas e pelos oradores estrangeiros. Todos, com o seu grão de areia contribuíram para que a comunicação passasse por Coimbra e saísse mais rica. 



Bruno Simões 20140566

José Lourenço 20140738

Jorge Fernandes 20140104

Miguel Reis 20140121

(Grupo 6)

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