domingo, 8 de novembro de 2015

Jornalismo e Profissão - Uma lembrança de três décadas de trabalho



Chama-se José Carlos da Silva e foi jornalista, durante três décadas, do Diário de Coimbra. A larga experiência no ramo permite que elabore um retrato sobre o meio em que esteve inserido. A forma, comparativamente a tempos idos, como o jornalismo é tratado e fomentado leva-o a crer que o código deontológico, de uma forma progressiva, tem sido meramente esquecido ou ignorado. O jogo de interesses, fruto de “lobbys” de pressão, provoca um sensacionalismo gritante e, cada vez mais, acentuado.
Começou a carreira na década de 1980. Após dois anos de estágio foi, de pronto e a tempo inteiro, aceite como profissional do Diário de Coimbra, sendo essa a sua ambição. Na altura não foi muito complicado entrar para os quadros. Segundo o aposentado jornalista, os tempos que correm são diferentes: “existe, a meu ver, uma excessividade de cursos e formações que permitem, cada vez mais, um sem-número de candidatos para poucas vagas”, considera. Mais: para José Carlos da Silva, o dom jornalístico é algo fundamental para o meio. Sem a sensibilidade necessária arrisca-se, por experiência própria, a cair numa carência inconsciente de rigor. Ao invés, afirma que existem jornalistas e maus jornalistas. Um jornalista não pode ser “absorvido” por qualquer tipo de “lobby”, seja político, económico, ou outro. A imparcialidade e rigor são as bases do código deontológico, e é por ele que se deve reger. Um mau jornalista é o oposto da primeira designação: “É aquele que elabora uma peça ou reportagem atacando, sem fundamento, pessoas ou entidades, não tendo a certeza se o que escreve corresponde à verdade. Existe, sistematicamente, uma deturpação de factos. Costumo dizer que é um jornalismo gratuito. A falta de rigor é por demais evidente”, remata. A velha máxima de que uma mentira muitas vezes contada torna-se verdade é o ponto alto do mau jornalismo, completamente encaixado no sensacionalismo grotesco. Exemplifica com a imprensa cor-de-rosa: “É inteiramente berrante a forma como este dito jornalismo trata a dignidade humana. Explora, aos extremos, o sofrimento e amargura das pessoas. Suga, ao limite, o direito à intimidade ou relevância pública provocando, por diversas vezes, crises no seio das famílias em causa. Nesse contexto, julgo que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social deveria pronunciar-se com objetividade, e evitar assobiar para o céu.”
Por outro lado, com tantos anos de jornalista já teve algumas situações e chatices. Recorda que já foi levado a Tribunal duas ou três vezes, no entanto foi sempre ilibado. Normalmente, estas situações aconteciam quando relatava, exatamente, o que acontecia num determinado julgamento que cobria. Na altura, o arguido em causa, ao ler a peça, considerou que o que lá estava não correspondia à verdade, processando o antigo jornalista assim como o Diário de Coimbra. No entanto, os juízes sempre consideraram não haver matéria para julgamento. Quer ele, quer o Diretor do jornal (o malogrado Adriana Callé Lucas) foram sempre ilibados.
No que toca às fontes jornalísticas considera que, dada a concorrência, as mesmas têm de ser altamente confiáveis, isto porque, no seu entender, não existe o mesmo rigor informativo que havia há 15 ou 20 anos: “atualmente, qualquer um, procura vender a notícia fresquinha, sem procurar a veracidade total dos factos. Não olham a meios para ganhar uns trocos e vender informação… gratuita. No entanto, seja qual for o caso, a privacidade das fontes deve prevalecer”, conclui.

Realizado por grupo 10:
Carolina Mateus
Daniela Rocha
Raquel Santos
Paula Ferreira
Carolina Cunha

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