quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Gerontologia: o estudo da terceira idade

Bianca Góis
Numa altura em que a população mundial está a envelhecer, é preciso lembrar que a «velhice» não é um fardo. Cada vez mais existem respostas em como lidar com o envelhecer do corpo e a proximidade da morte. A Gerontologia mostra-nos que há caminhos para que o envelhecimento possa ser vivido com «prazer». A profissão de Gerontólogo é cada vez mais apontada como uma das com mais futuro em Portugal. Bianca Góis, 20 anos, estudante de Gerontologia Social, na Escola Superior de Educação de Coimbra, desde cedo descobriu a sua vocação, dedicar-se aos cuidados dos idosos. Começou as intervenções junto de idosos nos lares da sua freguesia, com atividades de entretendimento para a terceira idade.


A Gerontologia é um assunto que tem ganho cada vez mais dimensão. Como define a Gerontologia?
A Gerontologia, numa perspetiva simples, é o estudo do envelhecimento da população, ou seja da terceira idade. O envelhecimento da sociedade é uma realidade inevitável que advém de uma maior longevidade humana. Esta nova realidade compromete a necessidade de se pensar em formas de assistência que promovam a manutenção da qualidade de vida da pessoa idosa. Cabe ao gerontólogo analisar estas problemáticas definindo estratégias e apresentar soluções para um envelhecimento mais sustentável. Assim, o papel do gerontólogo apresenta competências de gestão da organização, de liderança, de recursos humanos e materiais, da promoção da sensibilização para a individualidade do idoso, de formação e coordenação de equipas multidisciplinares. 

Cada vez mais, a Gerontologia, é apontada como uma profissão de futuro em Portugal. Concorda com esta opinião?
Sim, a profissão de gerontólogo é atualmente apontada como uma das que mais futuro tem em Portugal, com um vasto mercado para explorar a nível institucional e na criação de próprio emprego. O que torna esta profissão aliciante é o facto deste profissional se desenvolver pelas “próprias mãos” através da dedicação ao trabalho, da capacidade de execução e gestão emocional, de forma a minimizar as ideias que estão presentes e enraizadas na sociedade e promover uma melhor estabilidade na vida das pessoas idosas.


O facto desta profissão ser muito recente implica um difícil reconhecimento do seu trabalho?
A questão essencial que se coloca a uma nova profissão como a gerontologia é a sua pertinência social, real e simbólica. Dito de outra forma a sua utilidade social no espaço das profissões e ocupações já existentes. Neste âmbito torna-se difícil o reconhecimento desta profissão em relação a todas as outras áreas de conhecimento pois envolve um pouco de todas as áreas, nomeadamente, os conhecimentos básicos de saúde, contexto psicológico e social, gestão sustentável, entre outras.

De que maneira podem os gerontólogos alterar esta imagem?
É necessário desenvolver programas educativos de forma a destacar a relevância que esta profissão acarreta com o objetivo de abrir a mente da sociedade minimizando as barreiras para a sua identificação, reconhecimento e valor.

De onde surgiu o interesse pelo estudo do envelhecimento da população, mais propriamente, pelo curso de Gerontologia Social?
O estudo do envelhecimento despertou quando participei num programa de jovens inseridos numa estrutura residencial de pessoas idosas. Neste âmbito, desenvolvi e experienciei inúmeras temáticas com as pessoas idosas. Apercebi-me que cuidar de pessoas idosas implica possuir capacidades de intervenção na prestação de cuidados de saúde, no campo psicológico e social e a necessidade de compreender as estruturas para esta população procurando estratégias inovadoras e projetando-as para as exigências futuras que surge da longevidade humana. Esta abordagem permitiu então o desafio de gerontóloga enquanto profissional.

A nossa pirâmide etária está cada vez mais envelhecida. Acredita que a terceira idade pode encontrar no nosso país as condições necessárias para ter qualidade de vida?
Em Portugal ainda não existem respostas adequadas para as necessidades específicas da pessoa idosa. A resposta mais comum passa pela institucionalização, o que envolve custos demasiados altos para manter esta população a médio ou a longo prazo nas instituições. Contudo, salienta-se que estas soluções não são fácies de identificar, pelo que, esta área possui um enorme potencial para responder a estas problemáticas em torno do envelhecimento. O gerontólogo é um profissional que avalia, fortalece a terapêutica e desenvolve estruturas para gerar autonomia e autoestima da pessoa idosa. A contratação deste profissionais é de extrema importância visto que é mais barato prevenir do que prestar cuidados.  

Como estudante de Gerontoliga, desenvolve temáticas relacionadas com idosos. Como classifica e caracteriza a forma como a sociedade olha para os mais velhos? 
Num país cada vez mais envelhecido, é crucial termos consciência do modo como encaramos os idosos, uma vez que isso pode ganhar peso na qualidade de vida, ou falta dela, das gerações que nos ajudaram a nasce, crescer e ter o mundo como o conhecemos. O idadismo representa o estereótipo, o preconceito ou a discriminação com base na idade presente e enraizado na sociedade atual. Nesta vertente o papel do gerontólogo consiste em valorizar e ajudar as pessoas idosas nesta fase da vida. No entanto, é de realçar que não é apenas o gerontólogo a promover estas atitudes, mas toda a sociedade tem o dever de proteger e ajudar os idosos, para que estes não se sintam rejeitados e não vivam com medo de envelhecer. Assim, o objetivo primordial é assinalar e analisar os problemas mais comuns do envelhecer e transformá-los em assuntos simples, que não intimide os idosos ou aqueles que ainda estão para chegar a essa fase. Por isso, a profissão de gerontólogo/a é muito importante pois são profissionais aptos a trabalharem com idosos, a conseguirem explorar, explicar e ajudar os idosos a envelhecer com dignidade.

A propósito das celebrações do Dia do Idoso, 1 de Outubro, o seu curso costuma organizar actividades com os idosos? Em que medida este tipo de iniciativas "rejuvenesce" um idoso?

O curso em si não desenvolve atividades com os idosos no dia 1 de Outubro. No entanto, surgem algumas iniciativas de atividades e de dinâmicas para as pessoas idosas. Estas iniciativas têm de ter em conta a envolvência de uma dada comunidade, de acordo, com as suas preferências e necessidades. A estimulação das pessoas idosas para este tipo de iniciativas tem como objetivo fomentar a participação em atividades significativas e continuadas por parte das mesmas. Este tipo de atividades devem ser contruídas junto das pessoas idosas com e para a pessoa idosa. 

Atividades desenvolvidas com idosos no Centro Social e Paroquial da Sagrada Família- Lar São Francisco

Como vê o futuro dos Gerontólogos em Portugal?
Tenho esperança que no futuro o gerontólogo consiga adquirir a identidade profissional, bem como o seu reconhecimento transformando as suas competências conseguidas em ferramentas de trabalho de forma a tornar as organizações mais sustentáveis e promover um envelhecimento bem-sucedido.

Rubina Mendes
20140111
Grupo 8

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