quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Até o Pai Natal está em crise



  
Nesta altura do ano, as familias portuguesas vão poupar 6,4 % em presentes e 4,4 %  em comida, relativamente ao ano passado, e o dinheiro é o seu maior desejo para este Natal.

 Falta apenas um mês para a época mais esperada do ano, mas as ruas de Coimbra ainda não estão dentro do clima natalício, e se no ano anterior, os centros comerciais nessa altura viam-se cheios de consumidores, que se preparavam ansiosamente para os festejos natalícios, este ano a agitação nas lojas é bem menor. Os comerciantes queixam-se do mau negócio e os clientes, por sua vez, do seu reduzido poder de compra. O mercado aposta mais na introdução de novos produtos e na publicidade, mas nenhuma das estratégias parece surtir efeito. São estas as consequências da crise.
Mesmo que a expectativa, desta vez, nao seja para um Natal gordo, a verdade é que nesta epoca de consumo, mesmo com a crise, pouca gente consegue escapar de oferecer presentes. Na hora de escolha, muitos portugueses vão tentar ajustar as prendas às necessidades dos contemplados, e ter mais em conta o preço. Este é o caso do Manuel Evaristo, de 42 anos, Investigador na Universidade de Coimbra, que descreve esta situação ‘’catastrófica’’, sublinhando que este ano não pretende gastar mais de 50€ em compras. São poucos os que vão comprar presentes através de um ‘’clique’’ da Internet , ou mesmo recorrer a este meio para comparar os preços na hora da procura. Rui Gonçalves, estudante universitário de 21 anos de idade, não se sente preocupado com a crise, ao contrário de muitos portugueses, e revela: ‘’Tenciono gastar mais de 250€ mas a verdade é que, sempre que penso em compras de Natal, dirijo-me às lojas para que, para além de eliminar os riscos de ser enganado, possa ver a qualidade daquilo que pretendo comprar”.
O estudo Xmas Survey 2010 da Deloitte mostra que 91% dos portugueses, relativamente ao ano 2009, na hora de compra garantem ser mais racionais e tentar reduzir no número dos presentes a oferecer, tendo em conta mais a sua utilidade e a necessidade de reduzir os gastos. O resultado do mesmo estudo demonstra ainda que cada vez mais estão preocupados com as suas finanças, pretendendo gastar, em 2010, 375€ em presentes (- 6,4%, relativamente ao ano passado) e 150€ em comida (-4,4%).  Indica ainda que 61 % das pessoas têm como preferência, receber no natal dinheiro como prenda. Todos estes dados  demonstram a falta de optimismo que se vive no país, e a situação económica agravada também não deixa ter qualquer esperança.
Janete Alves, estudante-trabalhador, confessa que este ano terá que poupar nas compras, adquirindo presentes apenás para os mais próximos: “Este ano já não vai ser possível comprar alguma coisa a mais. Vai ter de ser aquilo e aquilo só!”. E se as peças estiverem em saldos, ainda melhor, pois na sua opinião: “A crise não vai embora tão cedo e isto vai ficar tão enraizado que vai ser um pouco dificil olhar para algo mais caro e comprar.”
Tudo indica que esta época natalícia é muito mais sensível no que diz respeito aos gastos e vai obrigar os portugueses a quebrar a tradição e poupar nos presentes. O Natal está a porta  e há quem diga que não vai deixar saudades!

Viktoriya Golub, Grupo 2

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