terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Entrevista a Ana Almeida - " A Arte a olho nu".



Ana Almeida, jovem de 18 anos residente e natural de Oliveira do Hospital, frequenta o curso de nível 3 de Artes Visuais na Escola Secundária de Oliveira de Hospital.
Ana Almeida tem o sonho de ser uma grande artista, quando acabar o 12.º em Artes Visuais ambiciona entrar para a Escola Superior de Belas-Artes do Porto.





Andreia Santos: O que te levou a entrar para o curso de Artes Visuais?

Ana Almeida: Penso que é uma paixão que já nasceu comigo. Claro que como qualquer criança sempre gostei de desenhar e brincar com plasticina e com os lápis de cera, e talvez tenha sido assim que senti a minha verdadeira vocação. Mas é como digo, estou a explorar as minhas capacidades a nível de Artes Visuais na escola, mas extra-escola continuo a explorar todas as outras.
Resumindo, acho que foi uma herança fantástica que ganhei de quase todos os membros da minha família. É só artistas que não concretizaram o sonho, e eu vou mudar o ciclo de família, eu concretizei pelo menos o sonho de entrar em Artes Visuais e acabar o 12º ano nesta área.

A.S: Para ti o teu curso tem as devidas condições para pré-formar futuros artistas?
A.A: O curso em si, claro que tem as disciplinas necessárias para que sejamos futuros artistas. Mas depende também muito da capacidade de os alunos apreenderem o que lhes é ensinado e do empenho que aplicam no que fazem. As pessoas têm o hábito de julgar o curso de Artes Visuais como o curso “fácil”, e é um engano, uma das mais puras mentiras. Se fosse assim tão fácil, não restavam só 8 alunos na minha turma. Não nos podemos esquecer é que a minha turma foi a segunda turma de Artes Visuais a frequentar esta escola, logo a escola não está habituada, nem tem as mesmas condições que uma escola especializada em Artes tem para albergar alunos de artes e para os formar. Mas quando as pessoas têm objectivos formados conseguem-nos alcançar, basta esforçarem-se, penso que não importa muito o estabelecimento de ensino, embora claro os professores da área sejam óptimos e tenhamos tido a melhor formação, pelo menos na minha opinião.

A.S: Descreve o significado que Arte tem para ti.
A.A: Bem, essa é uma pergunta difícil. Arte no geral acho que é uma forma de expressão, aliás são várias formas de expressão. Em todo o tipo de arte se pode expressar sentimentos, opiniões, segredos, mensagens universais, revoluções, etc ,etc… Não há nada como exprimirmos desejos, tristezas, alegrias, revoltas, agonias (…), de uma maneira que só nós entendemos, só nós sabemos, e cada um sente á sua maneira, cada um vai sentir a alegria/tristeza/revolta/agonia, da nossa arte  à sua maneira. E isso é uma emoção a toda a hora! Apreciar um desenho, um quadro, uma escultura, e ver com os nossos olhos, com a nossa alma, algo que outrora uma outra pessoa fez com um pouco de si. Nunca vamos perceber, nem ter a certeza do que o artista que o realizou estava a sentir, apenas o podemos interpretar e sentir á nossa maneira. Para mim isso é Arte, mais ainda! Para mim isso é a magia da Arte.
A.S: Achas que Portugal valoriza a Arte e os artistas portugueses? Porquê?
A.A: Isso é uma óptima pergunta, e claro que se calhar não sou a melhor pessoa para falar sobre o assunto porque ainda vou a meio do meu percurso para chegar a ser um dia uma artista, e ser reconhecida como tal, e quem sabe se um dia lá chegarei, tendo em conta que ser um artista não é nada que se pareça com acabar um curso e conseguir um diploma. Há artistas sem curso, não seria Van Gogh tão bom artista por não ter estudado Belas Artes?
Mas na minha perspectiva Portugal não apoia nenhum tipo de Arte. Quem quer ser um bom actor e reconhecido como tal, um bom artista de Teatro, tem que sair do país. Em Portugal sujeita-se a ganhar um ordenado miserável e nunca ser reconhecido pelo brilhante trabalho que faz. Um pintor português que tenha vingado em Portugal? Pois… Não tenho conhecimento de muitos. Em Portugal muitos dos que acabam o curso de Belas Artes seguem a vertente do ensino, e a sua arte, a sua verdadeira paixão, fica para as horas vagas que vão de poucas a nenhumas. A sociedade portuguesa tem muito o hábito de” cortar as asas” a todo o tipo de ideias que obriguem a mudar um pouco a maneira de estar comodista a que estão habituados. A sociedade portuguesa tem uma mentalidade estagnada, mas tenho esperança que estes factos mudem e passemos a ser um país mais ligado ás artes, é uma forma de entretenimento saudável, e construtiva a que era óptimo as pessoas aderirem.

“Os meus pais sempre incutiram em mim o gosto pelas artes, entre elas também a música o teatro e a literatura.”





A.S: O que farias para melhorar a Arte portuguesa por um dia?
A.A: Complicado… Podia fazer uma festa por todo o país, sem escapar uma única povoação. A festa era algo preparado por cada cidade/vila e juntava pessoas da terra que gostassem de expor a sua arte. Poderia haver danças de rua, animação de rua, todo o tipo de exposições, workshop de arte urbana, etc… e os portugueses iam poder ter contacto directo com todo o tipo de artes, e expor também a sua arte.

A.S: Qual o tipo de Arte Visual que mais te fascina?
A.A: É sem dúvida o Desenho.

A.S: Será possível ser-se artista em Portugal?
A.A: Anteriormente já dei a minha opinião quanto ao assunto de Portugal não valorizar as Artes, logo ser-se artista em Portugal só se for em part-time.

A.S: Conseguirá viver-se só de Arte em Portugal?
A.A: Sobreviver sim, viver bem, não sei… A menos que se tenha vários trabalhos.

A.S: Arte Urbana igual a criminalidade?
A.A: Essa foi a melhor pergunta da entrevista! Aqui se retrata a mentalidade portuguesa... Há artistas por todo o Mundo a pintar ruas, a fazer pinturas em 3D nos passeios, nas paredes, em que as pessoas quase não conseguem distinguir se é uma pintura ou se é a realidade. Criminalidade é sujarem as ruas, é estragarem peças de exposições feitas por alunos da escola, criminalidade não é uma arte, logo se é uma Arte Urbana, não é com toda a certeza igual a criminalidade.

A.S: Existem escolas superiores com capacidade para formar artistas?
A.A: Obviamente, pelo menos quero acreditar nisso, se não acreditasse qual seria o meu objectivo futuro? Penso que há óptimos artistas portugueses, apenas se expandiram para fora de Portugal.

A.S: No futuro vês-te como artista?
A.A: Quero ver-me como artista, mas enquanto puder fazer o que gosto, continuarei a fazê-lo, se serei reconhecida como uma artista pela sociedade? Isso não o sei, mas espero pelo menos que o que quer que eu faça seja bem reconhecido.





Por: Andreia Santos
Grupo 7

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