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quinta-feira, 21 de maio de 2015

A Alimentação Nos Nossos Dias

A Arte na Cozinha

O culto do belo chegou às nossas mesas e a comida já não é vista como uma necessidade física. Sem deixar o seu carácter cultural e sociológico a comida adquiriu também um lugar no mundo da criatividade onde a imaginação não pode faltar.

Prato do Chefe Gordon Ramsay

Há alguns anos atrás seria impensável que pudéssemos encontrar os mais diversos tipos de cozinha em Portugal. No entanto, hoje basta uma ida até um centro comercial para encontrarmos ao nosso dispor sabores dos quatro cantos do mundo, já não precisamos de ir até ao Japão para comer Sushi, ou atravessar o atlântico para uma boa picanha com feijão. (Por essa evolução podemos agradecer, em parte, à globalização.)
Se antigamente a alimentação era apenas olhada como uma necessidade básica na pirâmide denecessidades de Maslow, é inegável que hoje a gastronomia é muito mais que isso retendo em si o carácter sociológico e cultural. A gastronomia continua a ser um reflexo de cada cultura e como tal vai evoluindo e tomando novas características. Para além de nos aproximar de toda a diversidade a nível mundial a gastronomia hoje é também olhada como uma arte.
O culto do belo chegou às nossas mesas, onde a tela é o prato e o cheff o artista. O sucesso de um prato deixou de estar só dependente da sua confecção ou sabor, mas agora outros critérios são utilizados para valorizar e ao mesmo tempo avaliar a sua concretização. A apresentação é sem dúvida um dos principais critérios que tem vindo a ganhar território na cozinha ao longo do tempo e passa também por ser a assinatura de um cheff.

Programa "MasterChef"
Mas desengane-se quem pensa que apenas pessoas formadas na área fazem parte do mundo da culinária. O tema gastronomia nunca esteve tão em voga e para além do crescimento das “cozinhas de requinte” também os chamados “ chefes amadores” passaram a ser uma peça fundamental na evolução do conceito de gastronomia. Basta apenas abrir um jornal ou ligar a televisão para ver como o tema passou a ser um negócio. Vemos programas de televisão que visam encontrar talentosos cozinheiros amadores, como o mundialmente famoso Master Chef ou mesmo se entrarmos no mundo da internet descobrirmos inúmeros blogs cujo assunto principal é a culinária e onde na sua maioria são administrados por “curiosos da cozinha”. O YouTube também passou a ser uma grande fonte de informação para os entusiastas, onde um mundo de receitas pretende dar resposta a todos os gostos e paladares. 


O leque de escolhas é vasto, desde programas de autor onde o assunto é a comida, aos programas de competição e entretenimento, das colunas dedicadas ao tema em diversos jornais, dos livros editados, aos canais que existem exclusivamente pela culinária, até às aplicações para smartphones; o universo da gastronomia já não esta apenas confinado às quatro paredes de uma cozinha.

Canal Televisivo 24 Kitchen


Para quem ainda pensa que a culinária se baseia apenas no sabor da comida que se desengane. “Os olhos são os primeiros a comer”, o prazer que nos é conferido através da comida passa não só pelo que comemos mas também pelo que vemos. Tal como uma obra-prima a comida transmite-nos sensações e elas têm sido o grande mote para a evolução da gastronomia como uma arte e não apenas como uma necessidade fisiológica. Mantendo o seu carácter cultural e sociológico a comida adquiriu também um lugar como forma e produto de criatividade onde a imaginação não pode faltar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O clube das meninas da moda!

Imaginem umas quantas amigas que sempre adoraram as peças cintilantes, sentir o barulho dos sapatos de salto da mãe, muita maquilhagem (ás vezes até um pouco fora dos padrões normais) e que sonham com um guarda-roupa digno de um conto de fadas. Bem agora pensem nessas meninas todas juntas num clube, criado num dos maiores sítios conhecidos até hoje, tão grande como os seus guarda-roupas de sonho e os saltos dos sapatos das suas mães.
O clube era aberto diariamente e a toda a gente que quisesse fazer parte dele, apenas existiam uns quantos requisitos para se poder entrar. As roupas cintilantes e de alto glamour, os saltos (bem altos!) e as fotos eram os requisitos que não podiam faltar.
O clube era intitulado por “bloggers de moda”. As meninas de que vos falo olham para a moda não na perspectiva de um grupo muito exclusivo de meninas e meninos que tentam ser diferentes e para isso mostrar pedaços de tecidos em manequins, aquelas meninas normalmente intituladas como “esqueléticas”, que se movem de um lado para o outro numa espécie de palco, mas sim na perspectiva, de princesas e príncipes a elaborar arte. A arte de transformar sentimentos, estórias e imaginários em peças de roupa que conseguem entusiasmar e inspirar todo o mundo, muitas vezes sem o próprio mundo se aperceber. E essa arte pode ser vivida e “degustada” por todas as meninas e meninos que assim o quiserem, não é um círculo fechado de uma realeza muito especulada.
As “bloggers de moda” vieram na sua essência desmistificar toda a ideia de que eram poucas as que podiam entrar no mundo da moda e as que o conseguiam perduravam lá por gerações, tornavam-se como monumentos inabaláveis durante toda a sua vida. Assim o deixou de ser precisamente com este clube.
Agora amigas de uma vida, as meninas que deram um grande impulso ao clube, no seu início mal se conheciam e até entraram para ele por razões bem diferentes. Uma pretendia singrar no mundo por que lutou e tanto tempo investiu enquanto estudante e outra queria apenas partilhar com mais meninas a sua paixão e ajudar mais princesas a encontrá-la também.
Andy Torres, é a menina que está atrás do, agora, imponente nome Stylescrapbook (http://www.stylescrapbook.com/). Iniciou-se no mundo da blogosfera precisamente, porque quando decidiu emigrar do México, sua terra natal, para a Holanda nunca pensou ver-se naquele grande número a que se dá o nome de desemprego, por não ter um conhecimento profundo da língua holandesa e assim não ser aceite em nenhuma das empresas de design de moda. Mas depois de ter ultrapassado tantas barreiras, não podia desistir e assim criou Stylescrapbook. E Chiara Ferragni, a menina italiana que estudava direito, sem qualquer ambição de ser modelo ou protagonista no mundo da moda, iniciou o seu blog, The Blonde Salad (http://www.theblondesalad.com/), no intuito de partilhar a sua paixão pela moda e o seu dia-a-dia, os momentos com o namorado, a vida na escola, os típicos problemas de uma jovem estudante, sem quaisquer intenções de entrar para o mundo da moda.
Hoje, Andy e Chiara são um sucesso a nível mundial, com milhares de visitas diárias aos seus blogs. Chiara já tem uma marca própria, Andy por sua vez já foi protagonista em vários programas televisivos e ambas são referências nas mais prestigiadas revistas de moda, como a Vogue, a Elle e outras.
Elas são a prova real de como a moda não é um mundo, unicamente, de exclusividade. As duas lutaram pelas suas ambições e hoje são mundialmente conhecidas e viram-se elas próprias como fruto de inspiração para muitas outras.
O clube, atualmente, é integrado e vivido por milhares de meninas vindas das mais variadas terras encantadas. Sofreu uma grande afluência nos últimos anos devido a este impulso e sentimento, que se foi dispersando, de abertura do mundo da moda às vidas reais.
Mas agora impõem-se a questão…Será que este clube não veio também desmistificar em demasia a moda e assim retirar-lhe o belo sentido da palavra que lhe é associada, arte?

por: Joana Correia
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Praça do Comércio recua no tempo



Polaroids e grafonolas. Selos e cartões postais. Porcelanas e bibelôs. Relógios antigos e moedas de coleção. Bijuteria das nossas avós e livros empoeirados. Objetos que têm algo mais em comum que apenas a avançada idade: todos tentam encontrar novas habitações e ganhar nova vida. É a oportunidade perfeita para os que estão fartos de caixotes, de cantos das salas, de prateleiras cheias de tralha. E ficam na expetativa de que alguém veja neles o que o seu proprietário já não vê. Se tivessem boca, sorririam como se não houvesse amanhã e entredentes sussurrariam a quem passasse “Leve-me! Leve-me!”, tal não é a vontade que têm de ser levados para casa por uma mão diferente. Como o sorriso lhes falta, brilham como no dia em que foram comprados pela primeira vez. Ou mais ainda. E se daquela vez não for a sua vez, não se afligem… No mês seguinte haverá mais uma oportunidade.

Faça chuva ou faça sol, é no quarto Sábado de cada mês que, na Praça do Comércio, se realiza há 21 anos a Feira de Velharias de Coimbra. Num encontro com o passado onde se pretende promover a arte e a cultura, é das 9h às 19h que estão de pé as bancas onde se podem encontrar expostos os mais variados artigos.

Para os amantes de antiguidades e/ou curiosos que perderam a feira deste mês, não deixem de visitar a Praça do Comércio no próximo dia 22 de Dezembro.

por: Ana Beatriz Oliveira, Catarina Parrinha e Diogo Sousa


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Guimarães conquista “Primavera Club”

Optimus Primavera Club, festival outonal, que dá seguimento ao Optimus Primavera Sound, realizado no verão, terá este ano uma edição na cidade de Guimarães. Depois do sucesso conquistado pelo espetáculo de verão, a Capital Europeia da Cultura 2012 não quis perder a oportunidade de trazer mais música e arte à cidade.
Este evento já vai na sua sexta edição em terras vizinhas (Espanha), mas realiza-se pelo primeiro ano em Portugal. Conjuga artistas nacionais e internacionais, com carreiras já sólidas ou artistas emergentes. Trata-se de um festival que tenta mostrar boa música e arte fora das rotas comerciais, promovem sons mais alternativos e valorizam a qualidade. Este ano simultaneamente com a edição portuguesa realizam-se as edições de Madrid e Barcelona.
Assim a edição vimaranense integrada na Capital Europeia da Cultura 2012, dividir-se-á em três locais distintos, Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Plataforma das Artes e da Criatividade e São Mamede Centro de Artes e Espetáculos (São Mamede CAE). Concretizar-se-á pelos dias 30 de Novembro, um e dois de Dezembro.
Segundo informações disponíveis no site do festival, os bilhetes diários serão de 25 euros e o passe para os três dias ficará por 35 euros. Os bilhetes já podem ser adquiridos e o cartaz também já está disponível. Conta com nomes como The Vaccines, Little Wings, Destroyer, entre muitos outros.
 
Para mais informações aceder a: http://www.primaveraclub.com

por:Joana Correia
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Noc Noc e as portas abrem-se


Durante os dias 5, 6 e 7 de Outubro na cidade de Guimarães decorreu a segunda edição do projeto  “Guimarães Noc Noc “. Um projeto que visa a promoção das artes e que fornece a desculpa perfeita para a descoberta da cidade, tanto pelos próprios vimaranenses como por quem chega à cidade pela primeira vez. 
Cartaz publicitário ao Guimarães Noc Noc


Um grupo de seis amigos apaixonados pelas artes juntou-se no ano de 2011, com o intuito de se quererem associar a Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, mas sem necessitar das autorizações e burocracias para exporem. Em mais um ameno convívio entre amigos, numa das suas casas, eis que surge a ideia de um projeto onde cada um abre as portas de sua casa para receber um artista ou expor a sua própria coleção artística ao público em geral. “A ideia essencial do projeto sempre foi a promoção das artes”, referiu desde logo Adriana Miranda Ribeiro, uma das organizadoras do evento.

O evento que mais tarde se daria pelo nome de “ g’ noc noc “, sempre teve o intuito de tornar as artes acessiveis a toda a população sem qualquer restrição económica ou social. Abriram-se as portas das casas, das garagens, das lojas, a todos os artistas voluntários para exporem as suas obras e deixavam-se entrar os vários cidadãos neste novo mundo artístico criado em volta de Guimarães 2012, “Não há desculpas para não ter onde publicar os trabalhos ou não poder entrar no evento”, constatou Adriana Ribeiro. Na primeira edição reuniram-se 150 projetos e 300 artistas em 41 espaços.

Guimarães Noc Noc viu a sua segunda edição sair à rua durante o passado fim-de-semana. Devido ao enorme sucesso obtido nos dois dias realizados no ano de 2011 houve um aumento no número de espaços e artistas na edição de 2012. “ Deu-se este aumento por dois grandes motivos, primeiro este ano Guimarães e o g’Noc Noc estão envolvidos no grande enredo da Capital Europeia da Cultura e em segundo pelo grande nível de público atingido na primeira edição. “, Adriana Ribeiro. Este ano contaram com a presença de 320 projetos e 500 artistas em 70 espaços.

Durante o evento e já como no ano de 2011 tinha acontecido, foi preciosa a ajuda prestada por todos os voluntários. Estes abrangem todas as faixas etárias, são desde estudantes, a professores, familiares, amigos ou até mesmo os vizinhos. A entreajuda vivida, o espirito de conhecimento e a envolvência da comunidade artística criam durante estes dias na cidade uma euforia e excentricidade vividas ao máximo.

Dos 500 artistas presentes nesta edição existe uma forte percentagem de artistas internacionais. Oriundos das mais variadas partes do mundo como Japão, Brasil, Alemanha, Espanha, Holanda, entre muitos outros. Quando chegam a esta pequena cidade do norte de Portugal ficam fascinados com todo equilíbrio e ligação existente entre o passado e o presente, o rústico e o contemporâneo. Segundo Adriana Ribeiro uma das surpresas em 2012 foi a receção de tantos artistas vindos do Japão, “Depois da edição anterior e do seu sucesso, conseguimos um contacto com a EU Japan Fest, associação de apoio à cultura japonesa e os artistas receberam muito bem a ideia, daí este ano termos connosco uma grande comunidade artística japonesa”.

Hirofumi Masuda, jovem artista de 30 anos, oriundo do Japão trouxe até Guimarães a sua peça para alertar consciências. “Desde o desastre de Março 2011 no Japão que passei a prestar ainda mais atenção ao poder político e às suas ambições sem medidas, queria expressar a minha opinião e tudo o que sentia naquele povo afetado, mas queria faze-lo através da minha arte, para isso desloquei-me até às terras afetadas pelo desastre nuclear. E assim dei inicio a este documentário acompanhado pela frase – “Live with nuclear power”, explicou o artista.

“Live with nuclear power” – Instalação – Hirofumi Masuda
 
 
Já Diogo Barros de 29 anos, licenciado em Design de Comunicação, expos pela primeira vez na sua vida neste segundo ano de g’ Noc Noc. “Vim na edição passada como amigo e curioso, gostei muito da iniciativa e este ano decidi candidatar-me e expor os meus trabalhos” contou Diogo, no último patamar de uma das casas do centro histórico da cidade, onde se encontrava em exposição a sua BD (banda desenhada).

“Simples Alquimia bd” – Ilustração – Diogo Barros

 
Todo este contraste entre artistas, gentes da terra e turistas trás uma nova revitalização à cidade. Como Hirofumi Masuda referiu é interessante e maravilhoso ver como toda a arquitetura da cidade conta e relata a história de um país, mas dentro dessas casas e paredes da cidade nasce e borbulha todo um novo ar contemporâneo, de apoio às artes.

E no final depois de tantas parcerias e ideias novas terem surgido com estas duas edições, a organização pensa manter e quem sabe tornar este um evento anual e a não perder em qualquer guia turístico/artístico mundial.
 por: Joana Correia

quarta-feira, 6 de junho de 2012

StreetArt Portugal:"O objectivo do site é valorizar a arte urbana nas diferentes vertentes."



Street Art, ou arte urbana, é uma vertente na arte que engloba pintura, dança, teatro e música. Pode ser vista nas ruas por todo o mundo e funciona com o intuito de espalhar uma mensagem, intervir ou opinar sobre um assunto ou simplesmente com o intuito de entretenimento.

A plataforma online StreetArt Portugal foi criada com o objectivo de publicitar e promover artistas portugueses que trabalham nesta área. Ralf Wende é o editor do Site SreetArt Portugal e respondeu a algumas perguntas. 


Por Maria Inês Antunes





Posts de Pescada - O que é o StreetArt Portugal?

Ralf Wende/ StreetArt Portugal - O projecto Streetart Portugal tenta levar ao público artistas e iniciativas, englobados no termo "Arte Urbana" em sentido lato, de todo o país. Excepcionalmente, publicamos também entrevistas e artigos com artistas fora de Portugal. Mas não queremos ser um simples acumulador de links e cópias de artigos já publicados. Tentamos sim de publicar sempre um artigo o mais exaustivo possível, para contrariar a tendência dos artigos de três linhas.



PP-  Qual foi a ideia inicial? O que o levou a começar este projecto?

RW/SAP - Sempre tive uma paixão pela arte que passa na rua; não somente os graffiti e afins, mas todo o tipo de artistas que "expõem" os seus trabalhos na rua: teatro de rua, músicos, fotógrafos, etc. Sendo a arte urbana, nesse sentido, uma vertente artística não muito divulgada, nasceu a ideia deste projecto de divulgação de arte urbana. 



PP- O que é, para si arte urbana? 

RW/SAP- Para mim, a arte urbana é toda a arte que se passa na rua, de acesso gratuito para o público em geral. Como já referi, a arte urbana pode ser encontrada em companhias de teatro de rua, músicos, pintores, writters, artistas plásticos, fotógrafos e muitos outros. Acho que a arte urbana não deve ser restritiva ou até ecléctica: existe para nos alegrar o dia, de nos fazer reflectir, de nos dar prazer.



PP- Como vê a arte urbana em Portugal?

RW/SAP- Felizmente nos últimos anos tem havido cada vez mais iniciativas que tentem fomentar a arte urbana. Três dos mais carismáticos exemplos encontrados em Portugal é (sem ordem de preferência) a Galeria de Arte Urbana da Câmara Municipal de Lisboa, que tem feito um excelente trabalho no patrocínio e na divulgação da arte urbana (principalmente no Graffiti), o Woolfest que no ano passado levou três grandes artistas de relevo internacional à Covilhã, e o  Imaginarius - Festival de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira - festival já de renome internacional. Mas pode e deve haver mais iniciativas em outras partes do país.


PP- Quais são os passos necessários para que um projecto seja levado avante? 

RW/SAP - Muita paciência e insistência. É o essencial.  



PP- Sente que as pessoas gostam deste projecto? 

RW/SAP- Penso que até agora tem havido uma boa resposta, tanto por parte do nosso público como também por parte dos artistas. Estamos com um número de visitas mensal assinalável, que é aquilo que nos importa: levar a arte urbana ao maior número de pessoas possível.



PP- Qual a mensagem que pretende passar com este projecto?

RW/SAP- A arte é muito mais do que aquilo que se vê nos museus, cheio de bulor e sem vida. A arte deve ser algo orgânico, dinâmico, vivo; mesmo que a sua duração e o seu tempo de vida for limitada no tempo. Deve haver mais espaços oficiais e autorizados para artistas que se queiram dedicar ao graffiti e ao stencil bem como a outras formas de arte pintada. Deve haver também mais iniciativas públicas como a Galeria de Arte Urbana.



PP- Como vê o futuro do seu trabalho? Quais os seus planos?  

RW/SAP- Eu sou gestor, trabalho numa empresa. O projecto Streetart Portugal é um hobbie meu, que levo muito à sério e que ocupa o meu tempo, não tendo qualquer retorno financeiro (mas também nunca foi esse o objectivo). Enquanto puder, irei continuar com o projecto e espero que ainda seja por muito tempo.



PP- Pensa que este projecto pode fazer com as as pessoas valorizem mais a arte urbana, quebrando o estereotipo habitual do "vandalismo"?

RW/SAP- O objectivo do site é exactamente esse: valorizar a arte urbana nas diferentes vertentes. Mas penso que este tipo de arte é mais valorizado por um público mais novo (provavelmente abaixo dos 40 anos de idade). Pela experiência e pelos comentários que tenho visto em outros sites, muitas pessoas - infelizmente - continuam a achar que qualquer tipo de arte urbana será sempre vandalismo de uma forma ou outra e um desperdício de dinheiro.



PP- Tenta divulgar o seu trabalho através de algum meio? Qual o objectivo?

RW/SAP- A única divulgação do projecto é através da nossa página no Facebook, para além da página oficial.



segunda-feira, 5 de março de 2012

Sessões de Cinema a Um Euro


 Fila K Cineclube promete divulgar muito mais do que cinema português independente.

Foi na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto que Gonçalo Barros, da direcção do Fila K Cineclube, nos recebeu. Casa que abriga outros dois projectos, Camaleão - Associação Cultural e MRNT Marionet, e onde a ideia de sustentabilidade entre as três associações é bem patente na partilha de equipamento, espaço e meios financeiros.
Fila K Cineclube faz este ano 10 anos e nós fomos conhecer este projecto que é apenas criança na idade, mas muito adulta quando se fala no que já alcançou neste tão seu curto período de tempo. 

Vanessa Sofia - Posts de Pescada



Posts de Pescada (PdP) - Quando e pela mão de quem nasceu o Fila K Cineclube?
Gonçalo Barros (GB) - O cineclube nasceu a 17 de Maio de 2002 e precisamente este ano vai fazer 10 anos. Foi tudo através de amigos. Reunimo-nos, cerca de 10 pessoas, e formamos a associação cultural sem fins lucrativos. O nome surgiu porque na altura, em 2002, não havia nenhum cineclube em Coimbra. 

PdP - Qual é o público-alvo do Cineclube?
GB - Depende muito da iniciativa. Temos ciclos de cinema que é para toda a gente. Temos, por exemplo, ciclos para o público infanto-juvenil, dos 7 aos 14 anos. E depois dos 14 até ao fim, não é? (risos) Digamos que depende muito da programação que adoptamos.

PdP - Será que nos podia dizer o objectivo do vosso projecto?
GB - Basicamente é divulgar a cultura cinematográfica. É sempre o objectivo de um cineclube: é para promover cinematografias normalmente esquecidas do público e promovê-las para que as pessoas as vejam. No nosso caso foi mais para promover cinema que não era divulgado pelas grandes distribuidoras. Pois se bem reparares, os filmes que estão em exibição num centro comercial, são quase sempre os mesmos que têm no outro. Por isso o nosso primeiro objectivo foi divulgar o cinema português independente e dar ao público mais variedade de escolha. E não só, também mostramos cinema de outros países, mas acima de tudo tivemos o cuidado de sempre divulgar o cinema feito por cá.

PdP - Já que falas na programação em si, tinha reparado pelo vosso site que vocês têm uma programação muito distinta. Para além da atenção que dão ao cinema português, qual é o método de selecção e de organização do vosso calendário de projecções?
GB - Nós como Fila K projectamos em dois sítios diferentes: no Mosteiro Santa Clara, no auditório, todas as sextas feiras às 21:30, e aqui, na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto. A programação em si difere dependendo do sítio que escolherem.
No Mosteiro, no ano passado, fizemos por autor para mostrar às pessoas a evolução, por filmes, de um realizador. Neste ano decidimos organizar o calendário por temas, como por exemplo o «O Cinema e a Pintura», o «Cinema Mudo» e por aí fora.
Na Casa das Artes adoptamos outra estratégia: nós estamos cá, damos a cara, mas quem programa são outras instituições. Ou seja, funcionamos como acolhimento desses projectos, abrimos a casa e emprestamos equipamento para essas instituições que querem fazer os seus ciclos de cinema.
Por exemplo, este mês [Março] vamos ter três acolhimentos: o do Centro de Estudos Sociais, mais conhecido por CES, que propôs um ciclo de cinema com comentadores todas as Quartas-feiras, depois temos também parceria com os Pioneiros de Portugal e às quintas teremos o Departamento de Arquitectura com o seu ciclo de filmes.

PdP - Como tem sido a adesão do público?
GB - É curioso perguntares isso. Tudo o que começa, demora o seu tempo para chegar aos ouvidos das pessoas, ainda mais falando de um cineclube. Temos que criar um «público» e depois arranjar estratégias para que elas voltem sempre.
Uma das estratégias que arranjamos foi encontrar um dia fixo. Por exemplo, no caso do Mosteiro [Santa Clara], como já disse, é todas as sextas-feiras às 21:30. Assim as pessoas sabem que há ali cinema uma vez por semana com entrada livre.
Este ano, em 2012, a partir de Fevereiro decidimos criar uma entrada simbólica de um euro e quem quiser ser sócio paga 15 euros e pode ver todas as sessões durante um ano. Com esta nova política de preços pensávamos que as pessoas não vinham mais e por acaso aconteceu precisamente o contrário. Temos tido mais público e estamos a crescer cada vez mais.

PdP - Por fim, acha que falta mais projectos como o vosso aqui em Coimbra que divulguem a cultura.
GB - Penso que não.
A cidade não é assim tão grande e se surgir muitos outros projectos pode surgir o problema de haver para um só dia muitas actividades. Nós como Fila K defendemos que temos de trabalhar todos em união, ou seja, se realmente houver diferentes eventos culturais no mesmo dia, seja ele teatro, cinema, música ou outras expressões artísticas, pode-se fazer uma programação em conjunto.
O problema em Coimbra é que a instituição que trabalha com o teatro gosta de divulgar cinema, o que trabalha com música gosta também de cinema . Isto tanto pode ser saudável como não, pois origina desorientação ao público que deixa de saber para onde quer ir por ter tanta oferta. Por isso, não, acho que não haja falta de projectos culturais na cidade.


*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.



domingo, 27 de novembro de 2011

"O menino que sonhava salvar o mundo" ganhou vida

Capa do livro 

A escrita e a ilustração uniram-se para dar vida a um menino que com a sua imaginação pensava conseguir salvar o mundo. Filipe L. S. Monteiro e Ana Beatriz Manques lançaram “O menino que sonhava salvar o mundo”, no dia 19 de Novembro, em Aveiro.

Por Maria Inês Antunes, R2

O “nascimento” do menino.
Filipe L. S. Monteiro, licenciado em Química Analítica na Universidade de Aveiro e ilisionista com espectáculos pelo país queria escrever uma história infantil e Ana Beatriz Marques, estudante do segundo ano do curso de Arte e Design da Escola Superior de Educação de Coimbra pretende seguir a carreira profissional na área da ilustração. Não foi preciso mais que uma conversa e partilha de interesses para que o projecto ganhasse vida. “O menino que sonhava salvar o mundo” nasceu com uma casa, uma terra natal, amigos, uma escola e muita imaginação. Para além de toda a sua história, o menino também ganhou forma e cor.
“O Menino que sonhava salvar o mundo” é um livro infantil cujo tema principal é a imaginação das crianças e o seguimento dos seus sonhos, ensinando uma forma diferente de ver o mundo e preservar as coisas simples de uma forma criativa. Segundo o autor, o livro pretende transmitir às crianças que devem continuar a usar a imaginação e a criar as suas próprias brincadeiras num mundo em que todos os brinquedos são colocados ao dispor com uma história já imaginada.
Muitos foram os meses de trabalho e de dedicação para que o projecto fosse editado até que o esforço foi reconhecido e a Editora Chiado a publicou o livro infantil. A cerimónia de lançamento do livro de Filipe Monteiro e Ana Beatriz Marques realizou-se no dia 19 de Novembro no Hotel Moliceiro, em Aveiro.
Convite e programação da cerimónia de lançamento
Uma cerimória com ambiente acolhedor e familiar.
A cerimónia com início programado para as 16 horas começou trinta e cinco minutos depois devido a uma primeira sessão de autógrafos enquanto se esperavam todos os convidados. Todas as expectativas foram superadas quando às trinta pessoas previstas na sala de conferências se juntaram mais de cem, lotando completamente a sala e todos os lugares disponíveis. Cristina Durães, administradora e directora do hotel, abre a sessão com algumas palavras de agrado e contentamento pelo local escolhido para o lançamento do livro e palavras de orgulho pelo autor do livro, seu amigo. Seguidamente foram apresentadas as pessoas responsáveis pelo lançamento.
Seguido das palmas, todos ouviram a apresentação o conto em forma de dramatização por um actor convidado. E criando expectativas no púbico, o discurso começou com “quando um livro começa por era uma vez, é um sucesso garantido”. Crianças e adultos ouviam entusiasmados e iam soando algumas gargalhadas. A história contada na primeira pessoa de um menino que com a sua imaginação criava o seu próprio reino encantava a todos. A encenação chegou ao fim com uma mensagem de que todas as pessoas têm a sua capa de rei para salvar o mundo. “Uma capa metafórica, mas que todos devem levar consigo”, termina o actor. 
O ambiente encantado continuou no momento de magia que se seguiu. Jorge Fernando Coimbra e David Sousa fascinaram os que os viam com os seus truques de magia com cartas, moedas, bolas de pêlo que se transformavam em salsichas de pêlo ou lenços queimados que se tornavam novos num piscar de olhos. As crianças estavam fascinadas e os mágicos não hesitaram em pedir a sua colaboração nos truques de magia. O mágico David Sousa completou o espectáculo dizendo que “com a imaginação se podem fazer muitas coisas”, relembrando mais uma vez o tema do livro infantil.


Momento de dramatização e magia

Mais um momento de palmas deu início ao discurso de Luís Pires, representante da Editora Chiado. O agrado pela sala cheia fez ouvir-se mais uma vez. Em muitas palavras, Luís Pires compara a Editora Chiado a crianças em fase de crescimento e em evolução. Foram desejados votos de sorte futura ao autor e à ilustradora e dados os parabéns pelo lançamento d’“O menino que sonhava salvar o mundo”. A palavra é dada a Carlos Costa, professor da Universidade de Aveiro, que começa por congratular Filipe Monteiro e Ana Marques pelo seu trabalho, pois “é um livro muito bonito, vale a pena ser lido por adultos e crianças que se vão deliciar com certeza e as crianças vão pôr o imaginário a funcionar”, como afirma. Carlos Costa introduz uma intelectualização do acto de imaginar, fazendo uma comparação aos manuais utilizados no ensino superior e afirmando que a palavra-chave para o sucesso e progresso é a imaginação. O ambiente vivido na sala transparecia um ambiente informal onde se juntavam amigos e apoiantes de toda a equipa que concretizou o livro.
Seguiu-se um momento de leitura de Lindalva Abreu, amiga do autor, que proporcionou a todos os que a ouviam um texto poético sobre o orgulho que sente no primeiro livro publicado de Luís Monteiroe sobre todos os sentimentos e o despertar da criança que há em si que sentiu ao ler o livro. Foi um dos momentos mais comoventes que terminou com um abraço entre amigos e aplausos do público.
Discurso de Carlos Costa e Lindalva Abreu

O orgulho no primeiro livro era impossível de esconder.
Reservado para o final da cerimónia estava o discurso do autor e da ilustradora. Filipe Monteiro começou por referir que o menino do livro não era mais que ele próprio. O autor explicou que o seu livro se refere ao acto de brincar com imaginação e de criar histórias. Salientou que a imaginação das crianças é parte fulcral no desenvolvimento e que sem ela não há criação.  Ana Beatriz acrescenta apenas a felicidade de poder ilustrar o seu primeiro livro, referindo o seu sonho por enveredar pela carreira na arte de ilustrar. Ambos concluem o discurso com agradecimentos a toda a equipa e a todos os presentes na cerimónia. Os últimos aplausos dão seguimento a mais uma hora e meia de autógrafos enquanto pessoas conversavam, comendo ovos moles e bebendo espumante.

Sessão de autógrafos de Filipe Monteiro e Ana Beatriz.

A cerimónia terminou com toda a gente satisfeita pela cerimónia que excedeu as expectavivas. As cerimónias de apresentação do livro vão continuar, estando já confirmadas as cerimónias de Belide e Penela. 
Luís Pires, Carlos Costa, Filipe Monteiro e Ana Beatriz Marques

FADO: Património Imaterial da Humanidade




Um orgulho nacional: hoje, uma das maiores formas de arte de Portugal, foi considerado Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO: o Fado.

O VI Comité Intergovernamental da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, reuniu-se na ilha indonésia de Bali para declarar o Fado como vencedor deste ano.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Fundação Miró exibe segunda edição de "Joan Miró. La escalera de la evasión"


Chega a Barcelona uma das maiores exposições sobre Joan Miró dos últimos 20 anos.

Por Maria Inês Antunes, R2
                                                (Naturaleza muerta del zapato viejo,1937, Miró) 

Estreou no dia 16 de Outubro na Fundação Miró em Barcelona a exposição “Joan Miró. La escalera de la evasión” e terminará no dia 18 de Março de 2011. Esta exposição é apresentada como a exposição mais ambiciosa dos últimos 20 anos de exposições sobre Miró nos últimos 20 anos. Conta com 170 obras que incluem esculturas, pinturas e obras sobre papel.

As obras estão ligadas entre si através a relação do tempo e da própria vida do artista focando-se nos seus períodos fulcrais de existência na Catalunha, na sua ida a Paris, o período de Guerra Civil e a Segunda Guerra Mundial. As vertentes artísticas por onde passou Miró estão retratadas através do seu explícito envolvimento com o surrealismo e dos seus protestos claramente decalcados nas obras que retratam a Guerra Civil Espanhola e a Segunda Guerra Mundial.  
Esta é a segunda edição da exposição sendo a primeira inicialmente organizada em Londres para a Tate Modern, onde recebeu 303 mil visitantes. Em Barcelona, poucas são as alterações feitas desde a primeira apresentação e é já considerada um dos grandes acontecimentos artísticos do ano em Espanha. Haverá ainda uma terceira edição da exposição na National Gallery of Art de Washington a partir de Maio de 2012.