sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Flexivelmente inflexíveis.

São poucos os momentos em que me dá vontade de ler. Contudo, houve num desses momentos, um livro que me captou a atenção, “Metamorfose” de Franz Kafka.
Esta obra relata o percurso de um jovem que, um dia, acorda no corpo de um insecto medonho. É uma história muito delicada e uma forte crítica social. Na lógica da questão, a vida do indivíduo muda completamente. Este vê-se numa vida sem rumo e totalmente condicionada devido às suas condições psicológicas mas, principalmente, físicas. Neste sentido, fica incapacitado de trabalhar e é incompreendido pela família que o esconde do mundo e de todos, ignorando a sua presença, fazendo assim com que todas as relações que construiu até então sejam cortadas.
Após várias tentativas a enfrentar aqueles que nunca entenderam a transformação que lhe foi imposta, o desgosto e a tristeza acabam por lhe roubar a vida.
Apesar de bastante metafórica, esta história não deixa de encaixar no mundo actual, o que me remete, imediatamente, à ideia que a obra “Metamorfose” nos mostra como é que nós, sociedade, tratamos aquilo que, à primeira vista, nos é diferente.
A diferença que encontro entre o livro e a actualidade é que hoje as pessoas não acordam a pensar que são diferentes. Elas nascem diferentes ou, em alguns casos, essa diferença está escondida e só é descoberta mais tarde.
Isto faz com que a situação seja ainda mais grave. Num mundo em que a igualdade de direitos está em constante luta com todos, ainda há espaço para racismo, xenofobia, homofobia e a toda uma variedade de preconceitos.
Assim sendo, a pergunta que deixo é: será ainda legítimo pensar que somos nós, seres flexíveis e adaptáveis, a criar as regras da sociedade em que vivemos ou serão essas mesmas regras, por nós criadas, a inflexibilizar-nos e a ditar-nos o rumo?

Inês Henriques 

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