domingo, 23 de janeiro de 2011

O Desejado


Do sopé da colina de Santa Clara, nem muito discreto nem muito imponente ergue-se o Convento de S. Francisco.    Contemplando a cidade, a salvo das águas do Mondego, aquele que já foi a casa dos eremitas franciscanos(1609), a sede da freguesia de Santa Clara(1854) e até uma fábrica de massas alimentícias e de lanífícios (1888) está prestes a oferecer a Coimbra um Centro de Convenções e um Espaço de Artes.

A obra contemplará  para além da reabilitação e reconversão da Igreja a Espaço de Artes, a construção de um auditório com  1147 lugares,  uma praça pedonal, um parque de estacionamento e um restaurante.  A transformação passará também pela zona envolvente ao convento, com a deslocação da rotunda em frente ao Portugal dos Pequenitos, a passagem a pedonal da Avenida João das Regras e, ainda em negociação com a Universidade de Coimbra, a  criação de uma artéria atravessará parte do Estádio Universitário e que ligará a Guarda Inglesa à Ponte de Santa Clara.

 Uma longa história

                 


Ao atravessar a ponte da Santa Clara,  vai-se impondo ao nosso olhar o edificio sóbrio, com uma fachada simples e elegante, onde se destacam as grandes e largas pilastras. Reveladora do espírito Franciscano toda a construção apela á simplicidade, à funcionalidade e à harmonia.
Quando, por volta de 1217,  chegaram a Coimbra os primeiros religiosos franciscanos, instalaram-se  provisoriamente na ermida de Santo Antão, hoje Igreja de Santo António dos Olivais. Em 1248 projectou-se a construção de um convento junto a Santa Clara, mas a águas do Mondego não permitiriam a realização da obra e só em 1602 viria a ser lançada a primeira pedra daquele que é hoje o Convento de S. Francisco.
                A planta do conjunto conventual está orientado no sentido Sul - Norte. A igreja e o claustro são ligados pelo dormitório compreendendo ainda sala do capítulo, zona do refeitório, cozinha,  espaços de apoio e oficinas. A Igreja destaca-se pela sua volumentria monumental, dispensando o excesso decorativo que segundo os franciscanos distrairiam os devotos da oração e meditação.

O tão desejado Centro de Convenções

Durante o século XX o Convento de S. Francisco, serviria já de palco à apresentação de peças de teatro e exposições, mas só em 1986 viria a ser adquirido pela Câmara Municipal de Coimbra pelo valor de trinta mil contos (a quem), projectando-se já para o espaço a construção do Centro de Convenções e Espaço de Artes. Iniciava-se aqui um longo caminho.
 Doze anos depois da aquisição do imóvel pela Câmara já se encontrava a decorrer o concurso entre alguns arquitectos conceituados como Gonçalo Byrne ou Carrilho da Graça. Entretanto várias empreitadas foram sendo realizadas para recuparar um pouco da história do convento.
A obra, a cargo de Carrilho da Graça, que está ligado ao Convento há mais de dezasseis anos,  assume um valor total cerca de trinta e um milhões de euros, dos quais cerca de dezassete mil são de comparticipação comunitária.


 Vinte e cinco anos depois, começa finalmente a contagem decrescente para a conclusão do Centro de Covenções e Espaço Cultural. Carlos Encarnação, antigo Presidente da Câmara e principal impulsionador do projecto,  diz em declaração ao Diário de Coimbra, “não fazer isto era atraiçoar  a disponibilidade que Coimbra tem”.
O Convento de S. Francisco passa assim ser parte importante no conjunto já existente na margem esquerda, onde integram o Convento de Santa Clara-a-Velha, o Portugal dos Pequenitos, a Quinta das Lágrimas, o Convento de Santa Clara-a-Nova, o Exploratório e o Parque Verde do Mondego.
Por: Ana Serrano
Foto: Ana Serrano

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