terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O tesouro Joanino

   A Biblioteca Joanina é o monumento mais visitado da Universidade de Coimbra. É reconhecida internacionalmente por visitantes, estudiosos e fotógrafos de todo o mundo. Conta com 500 anos de História, conservando-se em pleno estado. É conhecida pelas suas histórias de morcegos mas, principalmente, pelas relíquias que possui.

   “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. E as obras nasceram. Nasceram pelas mãos de Luís de Camões no séc. XVI e de Fernando Pessoa no séc. XX. As primeiras edições de “Os Lusíadas” e “Mensagem” são duas das mais valiosas relíquias que a Biblioteca Joanina possui. Como as inúmeras outras raridades da riqueza joanina, estas estão também guardadas, religiosamente, no cofre do edifício central.
   O espólio da Joanina tem um valor incalculável. É lá que podemos encontrar raridades tais como os originais de Almeida Garret, a Tábua dos Roteiros de D. João de Castro na Índia, uma Bíblia muito valiosa chamada “Atlântica”, uma Bíblia Hebraica muito rara manuscrita em pergaminho, livros de infância de Sá-Carneiro, capas dos livros da biblioteca dos Távoras, entre muitas outras obras opulentas.
   “É uma das bibliotecas mais bonitas do mundo”. É assim que Carlos Fiolhais, Director da Biblioteca Geral, descreve a Biblioteca Joanina. A Joanina nasceu de uma vontade magnânima de D. João V. em acabar com os problemas da falta de espaço da livraria. Foi, até à construção da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC) há 50 anos, a Casa da Livraria Universitária.
   Hoje, é reconhecida como uma obra-prima barroca e como uma das mais originais e espectaculares bibliotecas barrocas europeias. As suas particularidades fazem desta biblioteca um monumento incontornável de Coimbra e o local mais visitado de toda a universidade.
   É considerada uma obra viva porque além de receber centenas de visitantes por dia, os seus cerca de 70 mil volumes podem ser consultados, desde que se marque com 24 horas de antecedência.
   No entanto, nem todas as suas obras estão à disposição dos visitantes. As relíquias da Joanina apenas podem ser vistas através da “Alma Mater – Biblioteca do Fundo Antigo da UC”.
   A Alma Mater consiste num programa de digitalização de documentos e obras publicadas antes de 1940 que são apresentadas online. Neste momento existem cinco mil livros digitalizados e “exibe uma pequena amostra, mas muito valiosa, do património que aqui existe” afirma Carlos Fiolhais. A qualidade das imagens permite-nos folhear as obras como se estivessem em contacto directo com o leitor. Segundo ainda Carlos Fiolhais, esta iniciativa, desenvolvida pelo Serviço Integrado de Bibliotecas, “permite que qualquer pessoa tenha o acesso aos documentos”, sem que estes se degradem com a exposição permanente.
   Outra das grandes apostas de Carlos Fiolhais enquanto Director da BGUC é a dinamização das visitas à biblioteca. Segundo as palavras do director, “a biblioteca tem de se revelar não dizendo apenas que existe”. São promovidas várias exposições, de diversas áreas, ao longo do ano de modo a surpreender o visitante, mostrando o que a biblioteca tem para oferecer.
   Actualmente, decorre no piso intermédio uma exposição sobre os portugueses sócios da “Royal Society of London”, que comemora os seus 350 anos.
   Mas os programas culturais da biblioteca não ficam por aqui. Além das frequentes exposições, realizam-se concertos, conferências e recitais de obras. O director afirma que pretende dar a conhecer mais da biblioteca e estes eventos são um bem comum a todos.
   Para conhecer também mais sobre a biblioteca, foi criada em 2008 a “Biblioteca Joanina Virtual”, uma visita virtual que se destinava a mostrar partes da biblioteca a que o público não tinha acesso. No entanto, desde o dia 1 de Novembro de 2010 e pela primeira vez que quem visita a biblioteca pode ter acesso ao piso intermédio, antigo depósito de livros. Nos dias de hoje, a visita virtual à biblioteca passa assim a ser “uma antecipação daquilo que pode ser vivido”.
   Aos que ainda não visitaram a biblioteca Joanina, Carlos Fiolhais aconselha a experiência, afirmando que estão a perder a experiência das suas vidas.

Por Sandra Portinha
Grupo 4

Fontes: Sitio da Universidade de Coimbra; Sitio Alma Mater; Sitio Biblioteca Joanina; Expresso;

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