terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reportagem - Cultura com Casa em Coimbra

Ideias há muitas. Estruturas que as coloquem em prática, essas há poucas.
A Casa da Esquina e a Casa das Artes, bem como a conferência Pensar Fora da Caixa são exemplos de como difundir a cultura em Coimbra, através de novas ideias, alta criatividade e muito dinamismo. Com objectivos bem delineados, as “Casas” fomentam a prática de diversas actividades artísticas através da cedência do seu espaço a outras organizações. Já a conferência destinou-se ao público mais jovem e disponibilizou inúmeras palestras dos mais variados temas.
Uma pequena amostra de como se pode disseminar a arte e a cultura na cidade dos estudantes.
Casa da Esquina
A Casa da Esquina é um espaço de confluência de muitas disciplinas, tanto culturais como educativas. Aberta desde Novembro de 2008, tem como objectivo criar "um espaço onde se possa fazer tudo o que se tem", diz-nos Filipa Alves, uma das impulsionadoras do projecto. 
Passando pelo teatro, artes, plásticas e cinema, entre outras coisas, a Casa funciona também como espaço para outras propostas, sendo uma das suas componentes o aluguer de espaços para projectos ou indivíduos que precisem de escritório ou atelier para desenvolver actividade e, também, o aluguer do espaço para workshops e conferências.
Filipa aponta as escassas ajudas como uma das grandes dificuldades para conseguir uma estrutura permanente que permita um trabalho mais continuado, sendo que a Casa conta apenas com apoios " extremamente reduzidos da Câmara Municipal de Coimbra, da nossa senhoria e não tivemos mais nada. O que tivemos até hoje foram diversos apoios pontuais por parte da DGArtes (Direcção Geral das Artes) e da DRCC (Direcção Regional de Cultura do Centro) para projectos de teatro e artes plásticas e também pontualmente do CES (Centro de Estudos Sociais)”.
Apesar destas dificuldades, em quase três anos de existência, a Casa, situada na Rua Aires de Campos, já fez um pouco de tudo. De entre as actividades desenvolvidas, destacam- se uma feira de artesanato urbano, cursos de teatro, de guionismo e de fotografia, a produção de espectáculos de teatro, de exposições e de performances e a realização de workshops e conferências. Neste momento, a Casa da Esquina apresenta a peça “Senti um Vazio...” de Lucy Kirkwood, que integra o projecto Mercadoria Humana, estando a estreia prevista para Fevereiro.
Actualmente, a Casa conta com três moradores: o xDA, um atelier de experimentação digital, o The Portfolio Project, um projecto de informação sistemática sobre eventos fotográficos e de formação contínua à distância e ainda o Clube de Crochet e Tricot, projecto para todos aqueles que pretendem aprender a crochetar e tricotar. A sua selecção é feita tendo em conta o trabalho que desenvolvem e, sobretudo, pela diversidade de matérias, estando a Casa da Esquina sempre aberta a propostas de colectivos que a queiram integrar.
Quando questionada acerca do contributo que o projecto poderá trazer à cidade de Coimbra, Filipa Alves afirma que esta é "mais uma estrutura com oferta cultural em Coimbra, mas num âmbito mais diversificado, posto que fazemos um bocadinho de tudo" e espera que, um dia, a Associação venha a ser uma referência e que possa "evoluir para uma estrutura mais séria mas com o mesmo grau de diversão".

Casa das Artes
Situada no número 83 da Avenida Sá da Bandeira, a Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto tem como objectivo incentivar a criatividade e dar conhecimento das actividades organizadas pelas associações ali sedeadas.
Patrícia Viegas Nascimento, administradora da Fundação Bissaya Barreto (FBB), definiu-a assim, no discurso de inauguração: «É um espaço-sede para viabilizar a capacidade organizativa e funcional, um espaço-oficina facilitador da discussão de ideias, da construção e consolidação das suas expressões criativas, um espaço- palco de produção/realização e acolhimento dos públicos».
O edifício é composto, no rés-do-chão, não só pelos gabinetes onde cada associação trabalha, mas também por uma sala de exposições, casas de banho e uma cozinha. Já o primeiro andar está um pouco vazio, com função ainda por definir, mas servirá, provavelmente, para receber workshops e conferências.
No exterior, o jardim “apresenta um enorme potencial para a realização de inúmeras actividades”, diz-nos Artur Almeida, membro do Fila K Cineclube, que prontamente se disponibilizou a abrir-nos as portas da Casa.
O FILA K Cineclube, a Camaleão - Associação Cultural e a Companhia de Teatro Marionet, três organizações sem fins lucrativos, são os primeiros ocupantes da Casa das Artes. 
O FILA K Cineclube foi constituído, por escritura pública, em Maio de 2002. Esta associação tem como intuito divulgar o cinema, contribuir para o desenvolvimento da cultura, dos estudos históricos e da técnica das artes cinematográficas. Visa a participação activa e o envolvimento na promoção de acções culturais ligadas, na maioria, ao cinema.
A Marionet surgiu em 2000, destinada a explorar caminhos artísticos diferentes daqueles que, até então, eram desenvolvidos em Coimbra e no resto do país. Pretende proporcionar espaço, e condições, para a evolução de novos profissionais nas diferentes áreas do teatro.
Assim como a Marionet, também a Camaleão está orientada para as artes dramáticas, tal como para outras áreas artísticas como a narração oral, a poesia, a música e a fotografia, quer no âmbito da sua prática como do seu estudo.
Para o bom funcionamento da Casa, é necessária a compatibilização das três organizações, sendo que a FBB não interfere na criação e programação destas. É ainda importante referir o significado do impulso dado pela Fundação ao projecto, que anteriormente não se mostrava tão ambicioso.
Após dois anos de diligências e burocracias, adaptações e ajustamentos, a Casa das Artes destina-se também ao público que se queira envolver nas actividades, tal como a outras organizações que queiram dar o seu contributo para o papel que a Casa desempenha.
Para já, a Casa não está aberta ao público, o que não impede que a visitem, desde que,com aviso prévio.
Pensar Fora da Caixa

“Uma conversação nacional sobre a criatividade” foi o objectivo do encontro Pensar Fora da Caixa. Tratou-se de um fim-de-semana recheado de conferências ou melhor, preenchido com uma série de conversas sobre temas como Design, Moda, Marketing, Jornalismo, Colaboração, Trends e entre outros temas, apresentados com “um formato para ser consumido por um público estudantil, hyper social e com um efeito inspirador e catalizador”.
A edição de 2010 do Pensar Fora da Caixa aconteceu em Coimbra no dia 20 e 21 de Novembro e este conjunto de conferências surgiu da necessidade de definir o papel de criatividade no momento actual, que ganhou importância a partir do momento em que o sector cultural e criativo, nos dias que correm, ultrapassou os têxteis e a indústria alimentar no contributo para o PIB. Foram dois dias em que estudantes, jovens criativos, empreendedores e interessados na temática tiveram a oportunidade de partilhar ideias e questionar personalidades que normalmente estão afastadas dos circuitos de conferências. 
Diferentes personalidades estiveram presentes no Pavilhão de Portugal, no Parque Verde, para falar dos diferentes temas como é o caso de Álvaro Covões, da empresa Everything Is New, que abordou o tema “O processo criativo dos festivais” ou de Ricardo Rosa, coordenador da SIC Online, que explorou o tema dos “Novos Velhos Media” e de Alexandre Lemos, colaborador da Bubok, editora online, incluído no tema das Indústrias Criativas cujo propósito principal era promover o desenvolvimento deste sector.
Inês Henriques,estudante de Comunicação Social, assistiu à conferência e afirma que “os temas eram muito pertinentes e o conceito também e o facto de quererem mais que uma conferência foi algo inovador, principalmente com a pergunta que eles colocavam.. se a criatividade estava também em crise”. Considera que a cidade deveria acolher  mais eventos destes, uma vez que  “acho que há muita falta de inovação e iniciativa por parte das pessoas a quererem fazer algo diferente. Depois de assistir às conferências, fiquei com vontade de fazer alguma coisa.. de criar e isso já é um passo importante, o querer fazer. Acho que eles cumpriram com os objectivos que tinham e motivaram muita gente”
Conclusão
Apesar do surgimento de cada vez mais iniciativas, quer como a Casa da Esquina, quer como a Casa das Artes ou o Pensar Fora da Caixa, as opiniões ainda divergem quanto à questão cultural em Coimbra.
Fernando Taborda, actor do Teatro da Bonifrates, afirma que  “Coimbra não é vanguardista e é uma cidade onde a cultura é pouco vivida”. 
Por outro lado João Maria André, professor de Estudos Artísticos da Universidade de Coimbra e grande impulsionador do “Mercadinho do Quebra Costas”, defende que Coimbra tem “um tecido cultural cada vez mais activo”.

Grupo 1
Ana Serrano
Ana Sérvolo
Andreia Roberto
Cristina Freitas
David Pimenta
Diana Felício
Patrícia Azevedo

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