sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Artigo de Opinião: As desigualdades desportivas

É triste olhar para a actual realidade desportiva. Basta colocarmos de um lado de uma balança o basquetebol, o andebol, o hóquei em patins e o rugby, e do outro colocarmos unicamente o futebol para percebermos o abismo que os separa. Têm dúvidas do lado que pesa mais nos dias de hoje? Eu não. 
Um basquetebolista não pode nem consegue viver exclusivamente da prática da sua modalidade. Ele treina duas vezes por dia, ele tem um emprego por fora e ainda tem as responsabilidades familiares para gerir. Apesar de todo o esforço não tem nem metade do reconhecimento de um jogador profissional de futebol. É isto que mais me impressiona, a forma como o desporto consegue ser tão gratificante e tão cruel ao mesmo tempo. 
Hoje em dia, apenas o futebol é visto como uma tábua de salvação para um desportista. Os próprios pais das gerações mais novas, quando estes decidem ingressar numa modalidade desportiva, são os primeiros a empurrá-los para o futebol. Porquê? Porque acreditam que este é o único que lhes pode mostrar o caminho do sucesso. Tudo bem que a exigência também é grande, pode mesmo dizer-se gigantesca, mas as recompensas, essas, são extraordinárias.
Já o mesmo não se pode dizer de qualquer outra modalidade. Aquele que se arriscar a ingressar, por exemplo, no andebol, é capaz de fazer apostas desmedidas naquela modalidade porque é aquela que o apaixona, mas as compensações, essas, são bem menores que os sacrifícios. Mas só por isto merecem todos os louvores: dão tudo por tudo pelo desporto, mostram garra e paixão, e seguem atrás dos seus sonhos e dos seus objectivos sem nunca virar a cara à luta e não têm nem metade das facilidades de um futebolista bem sucedido mundialmente.
A conclusão que eu tiro de tudo isto é que esta é uma realidade que, ou muito me engano, ou nunca vou ver alterada, mas uma coisa é certa: por muito que seja uma adepta fervorosa de futebol, hoje em dia, dou muito mais valor a um José Costa (basquetebolista do FCP) do que a um Cristiano Ronaldo.


Por Cláudia Moita 

Redacção 1

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