sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Desporto-rei…em paixões e não só


O futebol é indiscutivelmente o desporto-rei. Um fenómeno que envolve e movimenta multidões além-fronteiras e move as massas com uma paixão indescritível.
Praticado pela primeira vez na China mas com as suas «raízes» em Inglaterra (foi lá que se inventaram as primeiras regras em finais do século XIX), ao longo dos anos o futebol foi ganhando dimensão mundial, tanto em termos sociais, como económicos. Isto tudo pela simplicidade da sua prática ou, por outras palavras, não há desporto tão descomplicado ou descomplexado dentro de campo como o desporto-rei, em termos de regras, de tudo. Tudo isto leva-nos a pensar o seguinte: é óbvio que todas (ou quase) as pessoas entendem pelo menos o básico deste desporto. E, por um lado é verdade, também porque desde novos que somos habituados, nem que seja a ouvir as nossas gentes a falar do assunto, como estarmos à mesa com familiares e amigos e começarmos a ouvir a conversa «E o jogo de ontem? Jogámos muito melhor que o adversário! E o árbitro fartou-se de roubar! Mal empregue o dinheiro que aqueles tipos ganham!».
Posto isto, as pessoas crescem e sentem ou vibram com este fenómeno de maneira diferente. Ora tal como uns gostam e outros não, também existem os que simpatizam com o seu clube, como existem os que são «fanáticos».
São estes «fanáticos» que merecem ser caso de estudo. É algo difícil de explicar e entender. Uma paixão incrível (eu diria paranóica), que leva estas pessoas a cometer o mais variado tipo de loucuras pelo seu clube. Não é segredo algum que a violência no futebol existe e que a organização de um jogo entre duas equipas envolve enormes gastos, nomeadamente e, maioritariamente com a segurança. O que não seria necessário se este fenómeno desportivo não mexesse tanto com a cabeça de inúmeras pessoas.
Exemplificando, em todos os países há clubes mais poderosos que outros e, consoante as suas potencialidades e objectivos, esses clubes são clubes rivais. Todos os anos (campeonatos) há sempre dois jogos, pelo menos, entre dois desses rivais e para cada um são destacados às centenas de agentes de segurança, incluindo Polícia, Stewards, entre outras forças para garantir a segurança do público e entre ele e a dos intervenientes do espectáculo. O que convenhamos, não é fácil. Tanto não o é, que em maior parte dos relatórios/balanços das autoridades, o que poderia estar registado como ordem, festa, confraternização e boa disposição, está registado como «x numero de cadeiras partidas, material pirotécnico apreendido, objectos projectados para dentro do recinto de jogo…».
A forma como é vivido este fenómeno varia também de país para país, de continente para continente, de região para região. De referir que, por exemplo, um estudo revelou que uma das dez coisas mais perigosas que se pode fazer nos países da América do Sul é… ir assistir a um jogo de futebol! O que em muitos países não se verifica (felizmente), sendo que neles ir ao futebol é como ir ao cinema, teatro, enfim, um serão familiar ou de amigos.
A isto eu pergunto-me: «Porquê?»; «O que é suposto ser saudável, sim porque futebol é acima de tudo desporto e competição. Competição essa que deve ser saudável tanto dentro como fora do campo.».
Os clubes funcionam como empresas, que no caso são multi-desportivas, mas como é óbvio, o futebol é o «core business» do negócio, ou seja, é a modalidade que movimenta mais dinheiro. Posto isto, é um Mundo que movimenta imenso dinheiro, - milhões de euros gastos em salários de jogadores, de equipas técnicas, funcionários, investimentos, parcerias, enfim… uma autêntica loucura digna de um fenómeno gigante como é o futebol. Mas o que traz este fenómeno de novo ou de bom para o Mundo e para o que de facto interessa para que este evolua? Nada! Descobre curas para as doenças? Mata a fome a alguém? Resolve os seus problemas económicos e sociais? Porque é que as pessoas acham por bem que se apliquem cortes aos salários dos funcionários públicos mais bem pagos, como médicos (que salvam vidas) ou professores (os maiores contribuidores para o ensino) e não concordam com a brutalidade que são os salários de maior parte dos jogadores, que a única coisa que sabem fazer é dar chutos numa bola e exibir penteados modernos?
Perguntas às quais eu bem tento, mas não consigo encontrar resposta…

Xavier Gomes, R2

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