sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A magia da caixa preta

          Se outrora se chamava televisão agora chama-se universo. Se outrora havia um lugar marcado para a deixarmos entrar na nossa vida, agora precisamos de nos esforçar para ficarmos longe do seu alcance. Se há 80 anos se falava em privilégio, agora fala-se em necessidade básica. Mas, que para continuar a sê-lo, tem de se reorganizar e adaptar constantemente...
        Devido às suas características a televisão saiu vencedora, salvo algumas excepções. O facto de aliar a imagem ao som e tornar esta realidade uma transmissão directa, sem interrupções temporais entre emissor e receptor, permitiu-lhe revolucionar o mundo da comunicação social. Facto que a nomeou automaticamente um dos meios de comunicação preferidos.
          A famosa caixinha mágica deixou de ser obrigatoriamente gigante. Ganhou cores e qualidade de imagem e som, perdeu peso e custos. Começou na sala dos mais ricos, invadiu as casas da classe média e alastrou-se por todos os grupos sociais. Passou a ser um objecto indispensável no quotidiano das famílias e do bom funcionamento das próprias rotinas.
          Rapidamente foi devorada e explorada por grandes senhores que, com promessas de impérios gigantes, iniciaram trabalhos que se prometiam missionários. À custa de uma invenção científica que se fundiu quase automaticamente com as necessidades sociológicas e económicas do mundo desenvolvido, a televisão passou rapidamente a ser vista como uma janela entre dois universos paralelos. O de quem via e assistia e o de quem produzia.
         Mas, de futuro passou a presente e, entre imprensa e rádio a quem roubou muito protagonismo, a televisão vê-se agora obrigada a competir com a senhora dona rainha Internet. Aliás, já não faz muito sentido pensar em televisão como um meio tradicional de comunicação do famoso triângulo texto/som/imagem a que estávamos habituados. Com as redacções online e os característicos “sites” e redes sociais que não pode faltar a uma qualquer rádio que se preze, o que antes estava muito bem guardado e distribuído para cada um dos sectores da comunicação social encontra-se, agora, misturado na realidade binária e como uma exigência comum aos três.
         Vendem-se formatos, géneros, conteúdos, personalidades e poder a todo o instante. Trocam-se pontos de vista, apresentam-se resultados e apregoam-se produtos. Tudo bem colorido, agradável à vista, fácil de usar.
         No metro, no sofá, no trabalho… sem dificuldades de transporte e muito poucas barreiras físicas. Uma maravilha! À distancia de um botão, é somente preciso escolher entre as mil e uma formas possíveis de entrar neste mundo. Há quem tenha iniciativa própria e há quem apanhe boleia dos outros e espreite o que já despertou interesse em alguém.
      O mundo da televisão defronta-se com novos potenciais concorrentes a disputar o pódio. Um desafio que o obriga a adaptar-se aos constrangimentos das sociedades actuais mais do que nunca.
         Uma caixa preta mágica que, agora, nada tem de preta nem de caixa mas onde a magia permanece. Não porque aparecem pessoas e coisas lá dentro, mas sim porque, mais do que competitividade e sustentabilidade existe responsabilidade civil e, a partir dela, se formam pessoas cá fora.


                                                                                                                           R2- Mónica Ribau



2 comentários:

  1. Rubricas de Avaliação – Mónica Ribau “A magia da caixa preta”

    Para texto:
    - Título adequado e com impacto:2. O título foi bem escolhido, está relacionado com o texto, mas dado que estás a abordar os dois universos televisão/ internet; talvez pudesses ter dado um título que abordasse as duas dimensões.
    - Organização e estrutura: 6. o texto tem uma ordem lógica, está bem estruturado e segue uma linha condutora fácil de entender.
    - Estilo jornalístico: 6. O texto tem um vocabulário acessível e claro. O texto tem uma estrutura consistente e bem encadeada, que permite que se perceba claramente a linha interpretativa da história e o ângulo que seguiste.
    - Uso apropriado das fontes: 6. Se considerarmos as tuas fontes televisão e internet, acho que te preocupaste em abordar as informações relativamente a um e a outro.
    - Ortografia e gramática: 6. A escrita é rigorosa e fluida. Não reparei na existência de erros ortográficos ou gramaticais. Não tenho nada a apontar.
    - Pertinência/ Originalidade: 6. O teu texto e a tua abordagem perante o assunto estão bastante originais e é um tema sempre pertinente, principalmente com o avanço tecnológico com que nos deparamos nos dias de hoje - sendo por isso, um tema actual e importante. Foi um tema bem escolhido e o ângulo de abordagem também.

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  2. -Título adequado e com impacto:4. Desculpa, enganei-me e só agora é que reparei.

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