sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um Regresso ao Desconhecido


Regressar significa retornar, voltar. Regressar a algo que se ama e de que se esteve afastado envolve uma sensação de plenitude e de concretização. Mas o que se sente quando esse regresso implica um novo começo? Como é voltar às aulas num lugar completamente diferente? Patrícia Gouveia, madeirense e estudante do 1º ano de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), regressa às aulas, desta vez no continente, e descobre uma nova realidade a que tem de se adaptar: a vida académica, a cidade e os colegas.
Em plena semana de recepção ao caloiro na ESEC, em que se dá a conhecer a praxe aos novos estudantes, Patrícia Gouveia confessa que, por enquanto, não é Coimbra que lhe enche o peito da tão sentida saudade. “As saudades de casa começaram logo que cheguei ao continente, vinha no autocarro para Coimbra e já queria voltar para trás. A vinda para cá foi feita a pensar na Madeira”, diz, com um sorriso nostálgico.
Quando a vida pede mudanças e essas mudanças implicam um afastamento radical da família procura amenizar-se os cerca de 1430 quilómetros de distância com a segunda família: os amigos. A opção de passar os próximos três anos a estudar em Coimbra não se baseou apenas no historial académico da cidade, mas, também, nos amigos madeirenses que já aqui estudavam. “A minha ideia inicial, na verdade, era ir para o Porto. Mas perto do dia de candidatura eu comecei a perceber que conhecia mais pessoas em Coimbra do que propriamente na cidade do Porto. Tenho amigos que estudam na Faculdade de Economia e na Faculdade de Letras em Coimbra e, por isso, pensei que seria mais fácil adaptar-me aqui.”, explica Patrícia.
Nem só “quem casa, quer casa”. A chegada de um estudante à cidade onde se pretende licenciar implica quase sempre a procura de alojamento. A procura é grande e a oferta, muitas vezes, aproveita-se disso. Neste momento, a primeiranista de Comunicação Social está a morar perto da Praça da República, mas, “como queria ficar mais perto da ESEC”, vai mudar-se nos próximos dias para um quarto que encontrou na rua Humberto Delgado e que diz ter “boas condições e muito espaço”. Para a jovem Patrícia Gouveia “arranjar quartos em Coimbra é relativamente simples”, mas há senhorios que exageram nos preços praticados aos estudantes. “Houve quem me pedisse 350 euros por um quarto!”, conta, surpreendida.
Num ano lectivo em que se prevê um corte acentuado na atribuição de bolsas de estudo aos alunos universitários, há quem tenha dificuldades em ingressar e manter-se no ensino superior. Não é o caso de Patrícia Gouveia, que já começou a “tratar dos documentos” para receber um possível apoio do Governo Regional da Madeira.
Face às despesas que um curso superior exige, o “Governo Regional da Madeira concede apoios pecuniários aos estudantes que se matriculem em cursos superiores (…) em estabelecimentos localizados fora da Região Autónoma da Madeira.”, é a informação a que se tem acesso no site do Gabinete do Ensino Superior da Direcção da Educação da Região Autónoma da Madeira. Patrícia Gouveia acrescenta que se for contemplada pela bolsa, as propinas “ficarão pagas”.
Durante o próximo ano lectivo, Patrícia só irá à Madeira “em Dezembro, pelo Natal, e nas férias da Páscoa.” A vida é feita de escolhas, de ciclos e de etapas. Neste regresso às aulas será Coimbra que vai ensinar a Patrícia, assim como a tantos outros caloiros, que se pode aprender a viver e a amar outra cidade. É um mundo novo a conhecer na cidade do conhecimento.

Reportagem por Paula Cabaço. R2


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