terça-feira, 15 de novembro de 2011

Entrevista – uma Pérola no centro de Portugal






Armando Ferreira nasceu em 1948 em Oleiros e emigrou para França com 20 anos, onde se manteve até há bem pouco tempo. Depois de toda a sua vida ter sido feita em terras gaulesas, decidiu regressar à sua terra Natal, a vila de Oleiros, pela qual sente imensas saudades e um enorme orgulho.







Posts de Pescada: Armando, depois de tantos anos em França, porque decidiu regressar a Oleiros?

Armando Ferreira: Bem, quando gostamos mesmo de um lugar, não é o facto de estarmos muito tempo fora que nos vai tirar a vontade de regressar. Foi o que me aconteceu. Foi aqui que nasci, que cresci e onde tenho os meus amigos de infância, a minha família e o que realmente é meu. Já tinha imensas saudades e, agora que estou reformado, as constantes visitas não chegavam, necessitava mesmo de voltar em definitivo e desfrutar da terra que é realmente minha.




PP: Que semelhanças existem entre Oleiros de 1968 e a vila que é hoje?



AF: As semelhanças não são muitas. Nesse tempo a vila resumia-se à parte antiga onde hoje é o jardim municipal. A rua é a mesma e as casas também, embora a maior parte tenham sido remodeladas. O jardim não existia, os restaurantes muito menos...Nestes anos todos a vila expandiu-se, desenvolveu-se e modernizou-se bastante, o que a torna num sitio agradável para se viver. Isto sem esquecer que Oleiros é, hoje, um dos concelhos do país com menor taxa de desemprego.




PP: Referiu a empregabilidade na vila, quais são as maiores entidades empregadoras da vila?

AF: As maiores são, sem dúvida, as várias empresas da indústria do concelho. Só uma delas tem cerca de 80 camiões na estrada que transportam mercadorias a nível nacional e internacional. Por aí dá para ver a sua dimensão… Depois há a Câmara Municipal que emprega também muitas pessoas não só da vila como do concelho.


PP: Quais são as maiores atracções que Oleiros proporciona?


AF: É uma vila com inúmeras atracções. Possui vários restaurantes que divulgam a magnífica gastronomia da Zona do Pinhal, como o cabrito estonado e o maranho. Em termos de lazer dispõe de um parque de campismo que costuma albergar muitos turistas não só no Verão mas também no Inverno, de um complexo desportivo com piscinas interiores e exteriores, um ginásio, campos de futsal, campos de ténis e um a grande área de relvados. Além disso, como se situa no Pinhal Interior Sul, dispõe de um ambiente saudável, um ar puro e com vistas muito agradáveis… enfim, só visitando e conhecendo.

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PP: Como tudo na vida, há pontos positivos e negativos…Quais os aspectos negativos da vila de Oleiros?


AF: Ora, eu sou bastante suspeito para falar sobre aspectos negativos… (risos) Como é óbvio, as acessibilidades não são as melhores, está à vista de todos que estamos muito carenciados a esse nível e, por isso, deveria ser um ponto a ter em conta. Por outro lado, Oleiros tem o mesmo problema do resto do interior do país que é a desertificação. Hoje, é muito comum os jovens saírem de cá ainda antes de completarem o 12º ano de escolaridade, apesar de existir ensino secundário na escola. Muitos saiem para a Sertã, para Pedrógão, para Castelo Branco e até mesmo para Coimbra. O mesmo acontece com as pessoas como eu que emigram e que, provavelmente, só voltam quando se reformarem.






Fábio Aguiar
Redacção 1

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