domingo, 13 de novembro de 2011

O paraíso de Trás-os-Montes

Sendo eu um transmontano de raiz, e amante da minha terra, decidi dar a conhecer o paraíso de Trás-os-Montes. Freixo deEspada à Cinta é uma pequena vila situada no extremo sul do distrito de Bragança, bem no interior transmontano.
Entre a beleza e a imponência dos montes, é em pleno parque natural do douro internacional que se encontra uma localidade cheia de história, ou não falasse eu, naquela que é considerada a vila mais manuelina de Portugal.


Visite, descubra e apaixone-se...
É pelo manuelino, ou melhor, pelos monumentos do estilo arquitectónico manuelino que aconselho a começar a visita.
Entre as ruas que me conduzem até à zona histórica vislumbra-se arte no seu estado mais puro. Janelas trabalhadas, beirais dos telhados e até as portas de algumas casas têm o seu apontamento manuelino.
Assim que chego à zona histórica, salta à vista uma praça onde a Igreja Matriz e a Torre do Galo ou do Relógio (única que resistiu à queda do castelo outrora ali existente), se distinguem de tudo o resto pela sua arquitectura e altivez. O interior da Igreja faz lembrar o Mosteiro dos Jerónimos mas em ponto pequeno. O já velhinho mas famoso freixo que deu nome a esta localidade também está lá e até tem uma espada à cinta. Merece ser visto.
Decidi subir uma vez mais ao cabeçinho, o monte onde está situado o Santuário de Nª. Sra. dos Montes Ermos (considerada a padroeira dos freixenistas). Ao longo do caminho, uma ponte românica, uma fonte, e a paisagem envolvente, roubaram alguns minutos da minha atenção.
Deslumbrante! É a palavra que me ocorre para descrever aquilo que a minha vista alcança, lá, bem no cimo do monte. Imagem digna de ser registada na máquina fotográfica e acima de tudo na nossa memória. Avista-se a vila, o rio Douro, que por estas paragens serve de fronteira entre Portugal e Espanha, o miradouro Penedo Durão e até terras de “nuestros hermanos”. As paisagens que os miradouros nos oferecem são de tal forma robustas que mais parecem telas pintadas por um grande pintor.
Um passeio de barco pelo douro é uma das muitas atracções que Freixo de Espada à Cintatem para nos brindar. Rio acima, num ambiente onde reina o silêncio, a calma e a paz, aprecia-se a fauna e a flora, e com um pouco de sorte, ainda observamos a cegonha negra no seu ninho. Nas encostas do douro, a paisagem verde, as cascatas, os pomares, e até um pinheiro solitário, tudo concorre para tornar este espaço num autêntico paraíso.

Há ainda o artesanato local, que consiste em trabalhar a seda, gesto quase único em todo o país. Desde a criação do bicho-da-seda, até à extracção, tratamento e aplicação da mesma, tudo é feito através de processos ancestrais e artesanais. Ricos e admiráveis trabalhos em seda podem ser vistos e até adquiridos na Associação para o Estudo, Defesa e Promoção do Artesanato de Freixo de Espada á Cinta (ADEPA).
Caso para dizer que aqui o bicho ainda faz trabalhar o tear.
Comer e dormir…
A gastronomia é um dos pontos fortes da região, ou não fosse esta, uma terra que vive essencialmente da agricultura.
Sopas de espargos, sopas de tomate, enchidos, doces feitos à base de amêndoa, como os CD’S ou os beijinhos de preta, e o bom vinho da região, o Montes Ermos, ganhador de prémios a nível nacional e internacional, fazem parte da ementa cá da terra.
Para terminar o dia em beleza na localidade do grande poeta Guerra Junqueiro, temos à nossa disposição as moradias da congida (junto ao rio douro) ou as típicas habitações de turismo rural, nascidas da reconstrução de casas devolutas, que hoje se enquadram muito bem na paisagem que as envolve.

Se isto não é o paraíso, o que é?

Artigo de opinião por: Tiago Rentes.R2


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