sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Surpresas agradáveis e outras nem tanto marcaram a Praça Luís de Camões em Lisboa

Terminaram os castings para mais uma edição do concurso Elite Model Look promovido pela conceituada agência de modelos, Elite Models.





por Bárbara Corby





São dez horas da manhã. Na Praça Luís de Camões em Lisboa há uma fila interminável. Parte de uma porta, a porta da Agência Elite Models. É dia de castings para o conhecido concurso de moda Elite Model Look, que lança uma rapariga e um rapaz para o mundo da Moda.

Diana Santos é uma das raparigas que está a concorrer. “ É a terceira vez que me inscrevo neste casting, tenho 17 anos, e como desde o ano passado cresci mais um bocadinho resolvi tentar outra vez. Gosto muito do mundo da moda, é algo que está dentro de mim!”.A Diana foi rejeitada nos últimos três castings porque não tinha a altura suficiente, mas não é a única que já não está aqui pela primeira vez. “Concorri há dois anos, mas não passei. Nunca me disseram porquê…Talvez não fosse bonita ou magra o suficiente. A minha mãe nem gosta destas coisas, desta vez vim as escondidas, é o meu sonho!” diz Luísa com um ar esperançoso.

Cinco mil jovens entre os 13 e os 23 anos em busca do mesmo sonho, o de chegar á final deste concurso.

“ Na infância as crianças pensam que tudo pode acontecer como idealizaram, como sonharam. Quando chegam á adolescência, idade em que começam a querer alcançar esses objectivos, começam as desilusões de se aperceberem que o mundo não os espera de braços abertos como imaginavam. E é aí que se deixam influenciar pelos meios de comunicação, que mostram a vida das celebridades, nesta caso dos manequins, como uma vida de glamour e sem preocupações. É normal que eles também queiram chegar lá.” explica Raquel Guiomar, licenciada em Ciências Psicológicas.

Já o Pedro tem outras razões para estar aqui. “ Não estou nervoso. Nunca foi um sonho para mim. A minha namorada é que sempre quis ser modelo, vim para acompanhá-la. E não vou dizer que o dinheiro não vinha a calhar!”. Os colegas que ouvem a conversa, abanam a cabeça, concordando com o Pedro.

“Em tempos de crise, em que tanto se ouve falar do desemprego, os jovens acabam por refugiar-se neste tipo de profissões, ligadas á arte, aliciados por uma vida “fácil” e bem remunerada” explica Raquel Guiomar.

De entre nervos, ansiedade e algumas gargalhadas dos que se vão conhecendo ao longo das intermináveis horas que têm que aguardar, vão comentando. Uns dizem que já estão ali há cinco horas, alguns pais que acompanham os filhos também vão manifestando o cansaço das horas de espera.

“Trouxe a minha filha porque só tem 14 anos, e não gosto que venha as estas coisas sozinha. Já estamos aqui a 4 horas, e nada. Vim do Porto, ela diz que é um sonho ,espero que valha a pena!”, diz Dolores, mãe da Mariana que também vai concorrer.

São agora uma da tarde, e as portas abriram-se finalmente. “Boa Sorte! Não fiques nervosa! Vais conseguir!” é o que se ouve quando entra a primeira candidata. A partir daí o tempo corre mais depressa…para alguns o brilho nos olhos transforma-se em lágrimas. “Não passei! Disseram que não tinha as medidas ideais, e que por isso não tinham lugar para mim.” , explica a Mariana enquanto abraça a mãe Dolores.

Já o Pedro passou, mas a namorada não. “Passei, mas a Francisca não. Não vou continuar sem ela. Isto era o sonho dela e não o meu. Ela está muito triste, mas já lhe disse que até a modelo mais famosa do Mundo já foi rejeitada em algum casting. A Francisca é muito bonita e tenho a certeza que para a próxima vai conseguir.” , diz com um ar divertido.

Para a Diana á quarta foi mesmo de vez. “Passei! Finalmente! Se não fosse agora não era mais. Eles lembravam-se de mim! Disseram que me iam dar-me uma chance. Agora tenho que descobrir como vou contar á minha mãe!”



“…entram no lado negro da procura pelo sonho.”

A estudante de psicologia explica, que enquanto é apenas um sonho é benéfico. É essencial sonhar. O problema é quando os jovens se tornam obsessivos querendo seguir a carreira a todo o custo. “Todos os adolescentes, e principalmente as raparigas sonham em ser modelos. E isso é natural e até positivo para o seu desenvolvimento. No entanto, alguns quando são rejeitados, tornam-se obsessivos, podem deixar de comer para obter a forma que desejam, desenvolvem distúrbios alimentares chegando a recorrer a doenças nervosas como a anorexia e a bulimia para conseguiram alcançar o que o mercado pede. Aí entram no lado negro da procura pelo sonho.”

A Bruna tem hoje 21 anos, e explica que também sonhava ser modelo. “Quando tinha catorze anos toda a gente dizia que tinha corpo para passerelle. Era o meu sonho, comecei a ir a castings, mas fui rejeitada em todos eles. Então um dia, um dos júris disse-me que se eu emagrecesse um pouco poderia ser aceite. Deixei de comer, media 1.74m e cheguei a pesar 43 quilos. Perdi o chão, sentia-me insegura, humilhada, incapaz. Entrei num caminho sem volta. Com a ajuda da minha família e dos meus amigos consegui recuperar da doença, hoje estou curada, penso de maneira diferente e apesar de não ter as medidas para passerelle, de vez em quando faço alguns trabalhos como modelo fotográfica”



“ começam muito jovens e não conseguem aguentar pressão …”

Os Mundo do glamour não são só passadeiras vermelhas, fotógrafos e roupas bonitas. Existe a pressão, muitos não aguentam e refugiam-se em tudo menos na ajuda saudável. Muitos começam a usar drogas, a afugentar-se no álcool para esconder as suas frustrações.

“Os jovens, principalmente na altura da adolescência experimentam um estado de desconforto psicológico e crise de identidade. Não sabem bem quem são, a sua personalidade não está totalmente formada, não definiram ainda objectivos e por isso são tão influenciáveis pelos media. Hoje em dia começam muito novos, não conseguem aguentar a pressão. São os principais alvo e por isso é normal que essas coisas aconteçam.”

Raquel Guiomar sublinha ainda que “é necessário que os pais dialoguem com os seus filhos, não lhes cortem as asas, mas expliquem-lhes a realidade, mostrando-lhes que se não conseguirem realizar os seus “sonhos” no mundo artístico, há muitas outras coisas boas que poderão fazer!”.



O João foi o último concorrente a ser visto e para ele a espera valeu a pena. “ São oito horas da noite, estou aqui desde as 9, pensei que já não ia passar por ser último. Fiquei surpreendido, nestas coisas eles nem costumam ver toda a gente. “

Eufóricos ou lavados em lágrimas, os jovens vão deixando a Praça Luís de Camões que há algumas horas impedia a circulação dos que queriam passar e era palco de sonhos de cerca de 5000 jovens , a maioria portugueses de várias localidades.

Surpresas boas e más, disto foi feito o último dia de casting do Elite Model Look 2011.

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