sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Crítica - A Toupeira (2011)


Título original: Tinker Tailor Soldier Spy

Origem: Reino Unido

Género: Thriller

Realização: Thomas Alfredson

Argumento: Peter Straughan

Texto: John Le Carré

Elenco principal: Colin Firth, Gary Oldman, John Hurt, Tom Hardy




O primeiro filme inglês do sueco Thomas Alfredson que nos havia já presenteado, em 2008, com o notável Deixa-me Entrar, enquanto que, tal como este não é um filme sobre vampiros mas sim sobre duas crianças, sendo uma delas um vampiro, A Toupeira não é um filme de espionagem, é um retrato de agentes secretos em busca do intruso, com um cunho muito íntimo e pessoal.

A Toupeira é uma adaptação da obra homónima de John Le Carré, já transformada numa mini-série pela BBC, em 1979. A fita desenrola-se durante o período da Guerra Fria, numa Londres cinzenta e chuvosa da década de 70, em torno do MI6, os serviços secretos britânicos, ou do “Circo”, como é apelidado. Gary Oldman é George Smiley, agente reformado que volta ao activo com o objectivo de descobrir quem é o possível agente soviético infiltrado – a “toupeira” – no seio do Circo.

Esta é uma película recheada de nomes sonantes e interpretações sólidas, passando pelo “Tinker” Toby Jones, o “Tailor” Colin Firth, o “Soldier” Ciara Hinds, Mark Strong, Tom Hardy e John Hurt enquanto “Control”, com destaque para Gary Oldman. O britânico é, muito possivelmente, o merecedor de Óscar mais esquecido de Hollywood e prova, uma vez mais, ainda que não tivesse de o fazer, que é um dos grandes nomes desta geração. Dotado de uma figura dominante, é capaz de criar um clima de tensão conseguido por poucos e um silêncio intimidante sem que tenha de se esforçar. Oldman faz o trabalho de actor parecer fácil com mais uma memorável interpretação a juntar a tantas outras, fortificada pela empenhada entrega ao papel, que, segundo o próprio, que experimentou centenas de óculos até encontrar os mais apropriados à personalidade da sua personagem, se baseou particularmente em Le Carré por acreditar ser este a personificação real de Smiley, homem de uma perícia inigualável.

Tinker Tailor Soldier Spy, no seu título original, é um excelente exercício de cinematografia que tem tudo de moderno como de clássico, quer falemos da palete de cores que pinta uma Londres pálida e, ainda assim, de uma beleza irrepreensível, quer seja a filmagem de mestre que pisca o olho a trabalhos anteriores de Alfredson, passando pela banda-sonora de Alberto Iglesias que é uma das peças fundamentais do puzzle. Apesar de tudo, acaba por pecar no seu desenvolvimento confuso, até certo ponto. É uma narrativa que exige por parte do espectador uma atenção imensa, não só pelos vários acontecimentos que, no final, acabam por formar um todo, mas também pelas inúmeras personagens que ora são tratadas pelo nome próprio, ora pelo apelido, o que dificulta a sua identificação. Não estando familiarizado com a obra original, é impensável prescindir de uma segunda visualização.

Um dos filmes do ano e um forte candidato aos Óscares, que prova ser já um autêntico vencedor. Um absorvente e intenso jogo do gato e do rato onde todos são culpados e ninguém o é. A Toupeira é um clássico instantâneo que colide num final prodigioso.

Classificação: 4 em 5

Tiago Mota
Redacção 1

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