sábado, 24 de dezembro de 2011

Uns são relembrados como Deuses e outros como meros mortais


Jerry Robinson
Enquanto o mundo ainda chora a morte do criador de uma marca de computadores caros e leitores de musica para a elite, Steve Jobs, a 8 de Dezembro morreu alguém que contribui, e muito, para o imaginário das crianças: Jerry Robinson.

O artista de 89 anos foi responsável pela co-criação de Joker, Batman e Robin. Este cartoonista influenciou muito a história de Batman e o envolvimento com um dos vilões favoritos até hoje.



Numa das suas últimas entrevistas dadas, durante a Comic.Con 2011, confessou que nunca pensaria que o Batman e todas as outras personagens que inventou, durassem tanto tempo e fosse agora alvo de tantas sequelas no cinema que geraram cerca de 2,633,156,000 de dólares e fazem, até hoje furor entre muitos jovens, adultos e idosos.

Paralelamente à criação de banda-desenhada, Robinson também fez carreira ao fazer cartoons políticos. Foi presidente da Associação Nacional de Cartoonistas dos EUA.
Jim Lee, um dos editores da DC Comics, disse que "todos que amam a banda-desenhada criada por este homem, têm com Jerry uma dívida de gratidão pelo rico legado que ele deixa".
Apesar de todos sabermos o que hoje os heróis como Batman arrecadam com cada filme nos cinemas, quero-me focar noutro ponto mais essencial, no do criador. 


Jerry, como já referi, morreu ainda este mês e a avalanche de noticias sobre os seus feitos e impacto que este teve na banda desenhada e no cinema foi mínima em comparação com um outro criador, que muitos consideram, ser o homem do ano: Steve Jobs, criador da Apple e que igualmente faleceu este ano. 


Mas o que faz este homem menos importante do que Steve Jobs? 

Enquanto uns faziam a morte de Steve Jobs como se fosse a morte de um santo, este homem, Jerry Robinson, contribui directamente na imaginação das crianças e no incentivo para a leitura, que lutou pelos direitos de todos os criadores e que indirectamente revolucionou a história do cinema que hoje conhecemos, com as adaptações em filmes das suas personagens.

É certo que os mundos em que estes dois estiveram são diferentes, no entanto, o modo como os media trataram de um e do outro, foi um tanto ridicula.

Steve Jobs
Por um lado faziam vídeos de memória a enaltecer cada produto vigente e tornado pelo marketing, essencial para o mundo capitalista em que agora vivemos, cada passo tomado por Steve Jobs, mas sempre ocultando o facto de ter sido pai de uma filha e por a ignorar e nunca ter contribuido pela sua educação, até uns muitos anos depois; pelo secretismo extremo em volta dos seus gadgets (e caso alguma pequena informação saísse para o publico, a pessoa responsável era despedida sem piedade ou tempo de se defender); pela criação de computadores, entre outros, muito caros; pela forma conhecida em publico de enviar emails a criticar, quase como uma criança revoltada e de desafiar processar caso alguém falasse mal de si ou dos seus produtos; mas principalmente por nunca ter contribuído em nenhuma campanha de solidariedade, ou pelo menos, nunca deu o seu nome e nunca usou da sua fama para chamar a atenção de uma instituição ou um problema para o qual podíamos doar dinheiro, roupa ou comida.

Alguns dos trabalhos feitos por J. Robinson
Por outro lado temos um homem, que desde os seus 17 anos revolucionou, juntamente com outros nomes, o mundo da banda desenhada e que das tiras de jornal para livros, sempre deixou críticas sociais e usando do seu status nos media, foi sempre um ávido critico e lutador pelos direitos do homem e na defesa dos direitos dos criadores, teve algumas noticias na Internet, onde pessoas como eu não deixam este acontecimento passar, enquanto que na televisão, nenhum programa especial teve, apenas uma noticia notificando os mais distraídos, da sua morte.


Enfim, fico entristecida quando vejo este tipo de tratamento dado a um homem que sim, sofreu muito na luta contra o cancro mas que nem no leito da sua morte doou um tostão para vitimas do cancro, enquanto que este homem sempre participou em eventos de solidariedade e deu voz aos que não tinham, e fez passar, em forma de desenho, críticas importantes para nos fazer pensar na sociedade em que hoje vivemos e que em muito precisa de ser aperfeiçoada.


Mike Marts, famoso cartoonista disse, e com razão «As ruas de Gotham ficarão a partir de hoje, um pouco mais melancólicas» e o cinema jamais verá adaptado ao cinema, pelas mãos deste homem, novas personagens que provaram ser essenciais para o sucesso uma historia, como foi o Joker.



Vanessa Sofia. R2

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