segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Bolsos vazios pagam propinas



Estudantes combatem a crise sem abdicar do “Parque da Canção”


Praxe - ESEC

Contam-se “trocos” para a “Festa das Latas”. Os estudantes acabaram de aterrar em Coimbra e, apesar dos tempos que correm, não querem perder a receção ao caloiro.

Catarina tem 18 anos e vive atualmente em Aveiro. Escolheu, por enquanto, não arrendar casa em Coimbra e percorrer diariamente os 65km que separam as duas cidades. “Queria estar mais perto da minha família”, afirma, apesar de confessar também ter tido em conta razões económicas na tomada de decisão. Por outro lado, Maria, natural de Olhão, diz ser “impensável ir a casa todos os fins-de-semana”. Tanto pela duração da viagem como pelo preço. Em média, e na circunstância mais económica, uma ida e volta ronda os 50€.

A escolha de uma casa passa por diversos aspetos, embora a maioria dos estudantes procurem um equilíbrio qualidade-preço. Dependendo do orçamento familiar, é possível encontrar casas para todos os bolsos desde 150€ a 250€ de renda mensal. Marta entrou este ano no ensino superior e encontrou uma casa confortável e de preço acessível. Faz contas ao dinheiro que gastará mensalmente nas idas a casa – cerca de 40€ -, e espera conseguir uma bolsa escolar que a irá ajudar a suportar as despesas.

A matrícula no estabelecimento de ensino e as propinas são um abalo no orçamento de qualquer família, embora no Politécnico esses valores sejam menores que no Universitário. Nos Institutos Politécnicos de Coimbra as propinas rondam os 905€ enquanto que na Universidade de Coimbra os valores ultrapassam os 1000€ anuais. Marta diz não ter escolhido a ESEC por esse motivo mas pelo plano curricular e saídas profissionais.

Apesar de a escolha de estudar a 500km de casa tenha sido inteiramente sua, a estudante de Direito algarvia conhece casos em que estudar fora não era possível. A escolha dos cursos nessas situações é um pouco limitativa, pois têm que estar “sujeitos aos cursos existentes na Universidade do Algarve, o que eu não queria para mim”. Uma vez que tem também uma irmã a frequentar o ensino superior, Maria não descarta a hipótese de uma bolsa para não sobrecarregar tanto os pais.

Como parte da integração dos novos estudantes, a Festa das Latas é uma das tradições mais antigas e melhor preservadas de Coimbra. Englobando a Serenata, o Cortejo e as noites de concertos no Parque da Canção, a Latada tem a duração de aproximadamente uma semana.

Em tempos de recessão, a Latada não fica fora dos planos dos estudantes de Coimbra. Marta não pretende ir todos os dias, não tanto pelo preço mas por recear não aguentar a “pedalada”. O bilhete geral ronda os 30€ e Catarina e Maria não querem perder nenhum concerto. “Vou tirar o dinheiro da minha mesada”, afirma a estudante de Aveiro.

 


por: Ana Beatriz Oliveira, Catarina Parrinha, Cristiana Peres

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