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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A crise e o Natal...

Oferecer presentes de Natal em tempos de crise pode não ser uma tarefa fácil... Fomos saber como é que os portugueses tentam contornar esta situação!
Por:
Ana Manaia
Ana Teresa Abrantes
Andrea Henriques
Bruno Tavares
Frederico Gomes
Kátia Reis

https://soundcloud.com/posts-de-pescada/podcast-crise-e-o-natal

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A crise no semestre passado



Com o início do novo semestre, voltam, para a maior parte dos estudantes de Coimbra, as preocupações com a gestão financeira. Apoiados pelos pais ou em estatuto de trabalhador-estudante, torna-se fulcral a poupança, que se manifesta de diferentes maneiras, mas é cada vez mais tomada em conta.

Já no semestre passado, a população estudantil havia sofrido as represálias das cada vez mais reformuladas ‘medidas de austeridade’. Evitar gastos desnecessários no sector da alimentação e contenção nas saídas e nos jantares extra-casa são caminhos tomados por muitos, bem como um planeamento das viagens para a cidade, com implementação de sistemas de boleias. Fez-se referência à Associação Académica e aos meios que esta pode disponibilizar para apoiar os estudantes, que passam por refeições para os mais necessitados e pela continuação da elaboração de vouchers e preços especiais para eventos académicos.

Como meio de referência cultural e internacional, vários estudantes brasileiros não se identificam com a crise vivida em Portugal. Com o apoio do Governo brasileiro são capazes de se sobreporem à situação nacional, mas ficam sensibilizados com os testemunhos dos colegas portugueses, e assoberbados com as manifestações e descontentamento geral em Portugal.

Apesar de todas estas dificuldades, mantém-se, na maior parte dos casos, uma atitude positiva; há fé numa mudança para melhor, para que para além de um presente mais confortável, seja possível um futuro estável, com oportunidades de trabalho para todos e em todos os sectores.


por: Eduardo Oliveira 



*Este artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O Natal dos Portugueses

O Posts de Pescada saiu à rua para tentar descobrir o Natal dos portugueses este ano. Enquanto se dão os últimos retoques às decorações, se traçam os planos e se coloca tudo a postos, tentámos perceber o impacto da crise na forma como as pessoas irão viver esta época.
Desde que a crise económica e financeira se instalou no nosso país, o negócio não tem corrido tão bem aos comerciantes e as festas não têm sido celebradas como noutros tempos. Para se adaptarem alguns dos portugueses moderaram os seus gestos e as tradições natalícias, mas exceção não é regra. Afinal com a crise este Natal será ou não diferente?
 

 
 
por: Sónia Miguel e Joana Pestana
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Este País Não É Para Pobres



Há cerca de duas semanas, o WarezTuga - site que aloja e permite a visualização de uma grande quantidade de filmes e séries - anunciou que ia encerrar devido a uma queixa por parte da ACAPOR. Em causa estava a pirataria feita pelo WarezTuga, que levou a que, teoricamente, houvesse mais espectadores no seu site de streaming do que nas salas de cinema nacionais, facto que, por sua vez, originava uma quebra significativa da receita nas bilheteiras.

Quis-me parecer que esta manobra não passou de uma estratégia de apresentação de um novo filme. Tal como os irmãos Coen apresentaram em 2007 o seu maior sucesso Este País Não É Para Velhos, o WarezTuga, com a ajuda da ACAPOR, adaptou o título à actualidade nacional e o resultado não poderia ter sido mais… realista!

Estando minimamente por dentro do assunto, eis uma pequena sinopse deste novo drama: num país assolado pela crise, onde os combustíveis atingem valores abusivos e um bilhete de cinema custa cerca de seis euros, ver filmes na Internet parece ser a melhor solução para os amantes da sétima arte. Um site destaca-se mas a sua popularidade e os seus bons resultados enfrentam a oposição de uma associação que tenta pôr fim à sua existência. Será o seu encerramento a melhor solução? Ou agravará a situação de crise e provocará a ira daqueles que visitam regularmente o site?

Este País Não É Para Pobres, um “filme” que apenas esteve em exibição durante cinco dias. Das duas, uma: ou foi um autêntico flop cinematográfico ou a história, baseada em factos verídicos, susceptibilizou tanto a população que se achou por bem retornar tudo à normalidade. Por outras palavras, o WarezTuga voltou ao seu habitual funcionamento e as salas de cinema a ter mais baldes de pipocas do que espectadores. 

por: Diogo Carvalho


*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“É preciso outro 25 de Abril!”

Abílio Cunha, actualmente aposentado, é natural de Guimarães – terra que o viu nascer e onde trabalhou toda a sua vida. É um antigo funcionário têxtil, foi tecelão e mais tarde afinador de máquinas industriais, que conta já com 80 anos de vida. Perfeitamente lúcido e um amante da escrita, ainda capaz de fazer tudo, vê o futuro com um olhar nada confiante.
Vivenciou várias situações político-sociais diferentes mas afirma, sem dúvida alguma, que nunca viveu “uma fase tão negra e tenebrosa como esta que atravessamos”. Os cortes nos apoios, o aumento de impostos, as baixas pensões e as dificuldades de acesso a um sistema de saúde permanente e de qualidade são algumas das suas preocupações. Nunca esquecendo, claro, o receio pelos seus familiares e pelo seu futuro, tal como nos foi contado ao longo desta entrevista.
 
Abílio Cunha
Posts de Pescada: O seu passado enquanto trabalhador foi compensatório? Sentia-se bem no seu posto de trabalho, tinha condições favoráveis?
Abílio Cunha: Sinceramente, não! Muitas das vezes eu fazia o dito “regime de faltas” – chegava à empresa e vinha-me embora pois não havia trabalho suficiente para todos os trabalhadores. Cheguei a trabalhar muito e o meu salário não estava de acordo com o meu desempenho. Frustrava-me.
 
PP: Já vivenciou situações político-sociais muito diferentes. Passou por um regime ditatorial e por regimes democráticos. O que mais o marcou? E porquê?
AC: O regime salazarista. Foi nessa altura em que eu e os meus colegas sentimos muitas dificuldades no trabalho. Eu não podia falar livremente, sentia-me sempre observado. Cheguei, inclusive, a ser “perseguido” pelos informadores da PIDE por, numa dada altura, ter escrito um pequeno desabafo sobre a dureza daquele senhor (Abel Salazar) num jornal local. Era sufocante viver daquela maneira. Sofreu-se muito.
 
PP: Considera que esse regime se pode equiparar, ainda que em parte, com os regime e situação que actualmente enfrentamos?
AC: Sinto que está em grande parte semelhante. As propostas que o governo apresenta são duras, muito difíceis. Acho até que estamos pior! Pelo menos Salazar conseguiu equilibrar as finanças e levar isto um pouco para a frente. Este governo nem isso! Não me lembro de ver tanta gente no desemprego e a passar fome. Está tudo uma miséria.
 
PP:Quais são os seus maiores receios?
AC: Tenho muito medo. Vejo isto mau em termos financeiros. Tenho medo que me possam cortar na pensão e, com a idade a avançar, a toma de medicação é diária e os preços aumentam, ao contrário das ajudas do Estado. Tenho medo que a minha família possa passar por dificuldades daqui a um curto espaço de tempo. Há fábricas a fechar todos os dias.
 
PP: Como perspectiva o futuro para os seus familiares?
AC: Sinceramente, péssimo. Quer os meus filhos, quer os meus netos. Mas para com os meus netos a preocupação ainda é maior. Em termos de emprego não se vislumbra nada. Nada. Os meus filhos estão a gastar muito dinheiro com os meus netos na faculdade e, no fim, não terão emprego quase de certeza. É triste.
 
PP:Sente-se protegido por este governo?
AC: Não. Este governo só faz cortes e não olha para os cidadãos como seres humanos. As pessoas têm necessidades! Mas não são só aqueles que lá estão a governar… isto já vem de trás. Nenhum governo se preocupou com o progresso nem com a salvaguarda do futuro.
 
PP: Qual a sua opinião sobre as manifestações a que o país tem assistido? Acha que está a ser tomado o caminho certo para uma solução definitiva?
AC: Não creio, mas, em última instância, esta é a arma dos trabalhadores. Têm que mostrar a sua indignação. Mas não me parece que isto leve a lado algum. E muito menos a algo definitivo. O país está a passar por sérios problemas! E muita gente ainda não se apercebeu.
 
PP: Se tivesse o poder de fazer algo para melhorar o país, o que fazia?
AC: Tanta coisa! Se estivesse no poder, à frente deste país, tentava criar postos de trabalho; por que sem trabalho não há dinheiro, não há riqueza. Mas isto é uma questão muito complexa. Para mudar algo teria que retirar 60 anos à minha idade e ter a energia de outros tempos para enfrentar este bando de fascistas disfarçados de cordeiros, como costumo dizer. E a União Europeia não foi uma coisa assim tão boa, na minha opinião. Ajudaram-nos, mas também nos limitaram. É preciso outro 25 de Abril, isso sim! Este povo precisa de se unir para vencer, senão será uma luta sem fim.
 
por: Sofia Rocha
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Combater a crise com ideias criativas

Venda de acessórios no Flea Market
Com a crise a apertar as nossas carteiras surgem ideias originais e produtivas. O intuito é ganhar dinheiro com as coisas que temos em casa e que já não usamos. É neste âmbito que surgem sites como o OLX, Custo Justo ou até o famoso Ebay, onde as pessoas têm possibilidade de fazer bons negócios independentemente da distância a que se encontram umas das outras. Já dentro desta linha de pensamento começam-se criar as chamadas feiras de 2ª mão ou de garagem. Claro que a acompanhar estas novas tendências está o Facebook, onde são criados grupos de troca e venda de artigos.
 
Cartaz Flea Market
Assim, no Porto, tem-se promovido, todos os fins-de-semana pequenas feiras de 2ª mão, onde são vendidos qualquer tipo de artigos, até mesmo produtos artesanais. A maior das feiras realizada na cidade invicta é a chamada Flea Market, inspirada no modelo de Barcelona e trazida para Portugal pela S.P.O.T. Esta iniciou-se no espaço Maus Hábitos, aos sábados, porém, agora, realiza-se em diferentes locais e com diferentes temáticas, todos os meses. São convidados Dj’s para dar uma outra animação ao espaço.

Actualmente, esta feira realiza-se no Porto, Aveiro e Viana de Castelo.

Se tem algum talento para criar artigos ou tem na sua garagem caixotes a ganhar pó com coisas que já não usa, eis uma grande oportunidade de ganhar alguns “trocos” com isso. Para isso basta, só, alugar um espaço e levar o que quiser vender. Passará, também, um dia diferente e animado em contacto com uma vasta multidão de pessoas de todas as faixas etárias.


Actuação de um Dj no Flea Market
 
Banca de doces numa feira de 2ª mão, na baixa do Porto
 
por: Maria Melo
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Arriscar em tempo de crise

António Ferreira
António Ferreira, 44 anos, mecânico de automóveis. Ficou desempregado em outubro de 2011. A empresa Autogeiza, em Cacia foi mais uma das que encerrou por escassez de clientes. A crise continua a fechar portas.
No início de 2012 o desemprego era ainda uma realidade na sua vida. Foi então que, ao perceber que a situação tendia a não melhorar, pensou em criar o seu próprio negócio. Fundou uma sociedade com o seu colega da empresa que havia falido. Puseram “mãos à obra” e em março deste ano o projeto tornou-se real, estava a inaugurar-se a oficina “TopService”. “No início não é fácil porque temos de fazer o projeto, tratar da burocracia, fazer um grande investimento…”, confessa António Ferreira. Nos tempos que correm é de louvar a coragem para embarcar numa aventura destas. “A crise, mais especificamente o desemprego, levou-me a concretizar um desejo que tinha há algum tempo. A estabilidade que o emprego na Autogeiza me oferecia ainda não o havia permitido”, revela António. Várias têm sido as notícias sobre a crise no setor automóvel. A mecânica de automóveis é uma profissão que, como a maioria de todas as outras, atravessa uma fase muito complicada mas “ficar desempregado na minha situação, com família, duas filhas estudantes, não podia ser opção”. Em Águeda, onde exerce a sua atividade, a concorrência ainda não é muito notável. Ainda assim, as pessoas cortam nos gastos ao máximo e se puderem poupar na reparação do seu automóvel fá-lo-ão sem hesitar. Quanto mais se puder adiar esta despesa, melhor! Por estes motivos, ele e o sócio apostam na versatilidade de serviços. “Fazemos todo o tipo de manutenção e reparação automóvel”.
Atualmente é o salário mínimo que entra mensalmente na sua conta bancária, menos que há pouco mais de um ano, porém as despesas aumentam a olhos vistos. “Com as despesas normais de uma família e duas filhas a estudar, têm de ser feitos alguns sacrifícios para o dinheiro chegar ao final do mês”, desabafa.
Infelizmente esta é a realidade de muitos portugueses. Atualmente o salário mínimo está abaixo dos 500€ e em algumas famílias o rendimento mensal não chega aos 1000€. Grande parte delas têm filhos e as despesas multiplicam-se. Os gastos aumentam todos os dias e os salários permanecem no mesmo valor. Pagar mais despesas com o mesmo salário é o desafio diário de todos, ou grande parte dos portugueses. Crise é a palavra que está presente em todas as conversas, todos os dias, em todos os locais. O desemprego atinge cada vez mais portugueses. Que a coragem de quem arrisca nesta época tão difícil seja capaz de fazer frente a estas contrariedades.

por: Fabiana Ferreira
*Artigo escrito a abrigo do novo Acordo Ortográfico 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“Vão-se os anéis, ficam os dedos”

Durante cerca de 36 anos após o 25 de Abril, os Portugueses viveram muito acima das suas possibilidades. As facilidades com que as Instituições Bancárias concediam crédito aos cidadãos, levaram a que muitos recorressem a essa possibilidade para vários fins. Compra de casa, carro, mobílias, férias paradisíacas, etc.
Em 2011/2012, que a crise económica do País se acentua consideravelmente, todo o modo de vida dos Portugueses, teve de mudar radicalmente.
Assistimos a um aumento considerável da taxa de desemprego devido ao encerramento de muitas empresas e fortes cortes salariais sobretudo na Função Pública.
Estas situações levam a que muitos Portugueses, devido à falta de recursos para fazerem face às necessidades básicas da vida, tenham de se desfazer de bens com algum valor económico e sentimental.
Hoje, muitas famílias, tiveram de entregar as suas casas aos Bancos, pela impossibilidade de suportar as prestações mensais, recorrendo a Contratos de Arrendamento mais baratos, ou mesmo, voltarem a viver com outros familiares.
Um grande número de jovens teve de abandonar os estudos, porque era economicamente insustentável para os pais.
Muitas famílias voltaram a cultivar pequenos pedaços de terra para ajuda no sustento familiar e que há muito tinham abandonado esses hábitos. Também tentam aproveitar roupas, através de pequenos arranjos, pela impossibilidade de adquirir novas.
Outros têm de se desfazer de bens de família, com elevado valor sentimental, pois alguns desses bens passaram de geração em geração. É frequente assistirmos a pessoas que vendem joias de família, a fim de ganharem algum dinheiro para o seu sustento familiar. Podemos ver também, em alguns sites da Internet, anúncios em que colocam à venda tudo o que provavelmente nunca teriam sonhado ter necessidade de se desfazerem. São peças que deveriam estar guardadas pelo seu elevado valor estimativo e, acredito que seja muito doloroso despojarem-se delas.
É o exemplo de Anabela Valente, funcionária pública, que esta semana se dirigiu a uma empresa de compra de ouro com o objetivo de vender algumas peças para garantir algum dinheiro até o final do mês. “Tive de vender umas peças de ouro que tinham pertencido à minha mãe e que ela me tinha oferecido, para ter dinheiro que me ajudasse a fazer face às despesas mensais. Ao tomar esta iniciativa, senti como se uma parte dos meus sentimentos, também ali estivesse a ser negociada, mas a necessidade a isso nos obriga”.
O que se torna muito preocupante é pensarmos: Quando estes bens acabarem, o que vão fazer um grande número de Cidadãos?
 
por: José Carlos Pereira
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Um Arraial de Poupança

 
Noites de luar, luzes coloridas, holofotes e a brisa quente do verão, que faz rodopiar o vestido das bailarinas, criam o ambiente festivo a que qualquer apreciador de música de arraial sabe dar valor.
 
Trinta e seis teclas brancas e vinte e cinco pretas, seis cordas fixas a uma estrutura de madeira, um conjunto de pratos e tambores e uma voz de cortar a respiração são os elementos necessários para constituir uma banda. Ao falar-se de uma banda fala-se da animação dos bailaricos tradicionais - geralmente de verão - conhecidos nas aldeias por arraiais. No entanto, hoje em dia, nem só as grandes bandas animam estas festas de cariz popular.
Com o tempo, substituíram-se as bandas prestigiadas por teclistas e vocalistas independentes devido à degradação da conjuntura económica do país. «Hoje em dia, contratar um teclista ou um vocalista independentes fica muito mais económico para a Comissão de Festas do que estar a contratar uma banda que nos leva muito mais por apenas uma hora de espetáculo» – confessa António Oliveira, presidente da Associação Cultural e Recreativa de uma aldeia festiva.
A crescente procura de preços cada vez mais acessíveis faz com que seja dada prioridade à quantia a pagar e não à qualidade do artista em si. Muita da animação dos bailes e festas das pequenas aldeias é proporcionada por aprendizes de um ou outro instrumento que encontram nos bailes uma oportunidade de ganhar experiência e fazer dinheiro facilmente. O músico aprendiz Filipe Mineiro confessa, «Entrei no mundo da música muito novo e o que para mim representava uma brincadeira transformou-se num trabalho árduo e contínuo que me proporciona uma vida monetária estável, mas, mais importante ainda, um bem-estar social agradável. Gosto muito do que faço, pois a música preenche o meu todo.»
Antigamente, uma pessoa só aprendia a tocar um instrumento quando achava que poderia ter um dom ou quando achava que tinha ouvido para a música. Hoje não. Qualquer pessoa que queira aprender a tocar um instrumento, tem acesso fácil a tudo o que lhe é necessário, tanto para aprender, como para adquirir o seu próprio material. Embora para certos instrumentos seja necessário um grande investimento financeiro.
«Vemos que hoje em dia há cada vez mais oferta. Há muitas pessoas que compram um teclado e ritmos feitos, músicas sequenciadas. Basta carregar num botão e já estão a fazer um baile.» – refere Mikael Lopes, teclista/vocalista e professor de música.
«Hoje em dia, e cada vez mais, as pessoas vêem a música como um negócio e não um hobby, até porque isso se reflete depois no profissionalismo da pessoa em
questão. Hoje também, grande parte dos ditos ‘músicos’ recorrem às novas tecnologias para fazer um bom trabalho, em vez de se esforçarem a estudar e aprender.» - explica Filipe Mineiro, músico aprendiz.
Se não estivermos na presença de um bom músico, mas sim de um aprendiz ou de um músico inexperiente, a transmissão de vibrações fica enviesada, uma vez que só um verdadeiro profissional o consegue fazer, pois só ele conhece o verdadeiro gosto pela música. «Para chegar até aqui, tive de estudar bastante e tive de me aplicar bastante. Passei horas e horas, às vezes, a fazer os meus próprios ritmos, as minhas próprias interpretações, arranjos e fui desenvolvendo certas técnicas e capacidades. É normal que, quando vejo certas pessoas a aparecer do nada e a fazer ‘maravilhas’ e quando lhes é pedido para fazer qualquer coisa, um acorde mais complicado, por exemplo, que não o saibam fazer, me sinta um pouco frustrado. Mas é o que nós temos de conseguir - lutar e seguir em frente.» – explica e aconselha o professor de música.
Ao poupar na música, as noites de verão perderam o luar. As bailarinas já não rodopiam ao som dos mesmos acordes. Os pares de dançarinos já não dançam até romper a sola do sapato. A qualidade e o tradicionalismo de outrora perderam-se. Agora, os problemas económicos falam mais alto e há-que definir prioridades.
 
por: Mélanie Oliveira
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Hoje acabei o curso, e agora?



Crise! A palavra-chave que se enquadra a quase todos os problemas da actualidade. No jornalismo não é diferente.
Todos os anos saem novos licenciados de várias partes do país com expectativas em todas as áreas da comunicação social, Coimbra não é excepção. Têm expectativas de um futuro! Expectativas que para muitos não passam mesmo disso…expectativas.


Ana Veiga, recém-licenciada no curso de Comunicação Social
Ana Catarina Veiga tem 21 anos e acabou de se formar em Comunicação Social, na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC). Com a vontade “de dar a conhecer histórias de vida que pudessem ajudar os outros” envergou por jornalismo, “mesmo sabendo que a área estava de certa forma complicada”.

Tendo de escolher uma área específica para fazer o estágio curricular, Ana optou por seguir a sua paixão pela escrita e estagiar em imprensa. “Sempre me fascinou, sempre gostei de puder mostrar a realidade pelas palavras, mostrar sentimentos e emoções dessa forma” e acabou mesmo por encontrar “ um novo mundo dentro do jornalismo”: o fotojornalismo.

Foi no estágio que pôde pôr em pratica aquilo que aprendeu nos últimos três anos sendo que leva a experiência como uma mais-valia. Deparou-se com o mundo profissional da área e percebeu “como funciona o exercício da profissão”, reflecte Ana.

Quando se chega ao fim da vida de estudante “deparámo-nos com estágios precários, com a típica proposta do ‘se tiveres alguma ideia manda para cá’ mas temos a plena noção que com os cortes actuais, conseguir algo que nos dê estabilidade mínima é impossível”. Com o difícil acesso a estágios remunerados que contam para a carteira profissional “iniciar uma carreira na área torna-se difícil”.

Sempre na busca de um emprego onde possa evidenciar as suas capacidades, dada como terminada a licenciatura, é tempo de pôr mãos à obra e enviar currículos. Enquanto espera por aquele e-mail que não chega, Ana vai fazendo alguns trabalhos como freelancer e apostando também na sua formação “de forma a ganhar mais aptidões e a manter o vínculo com o jornalismo”.

Na esperança que o estado do jornalismo melhore e que se dê uma reviravolta, Ana ressalta que “não podemos esquecer que o jornalismo é o quarto poder e que sem ele a democracia nunca será viável”.
As expectativas para daqui a um ano parecem simples, Ana quer estar a fazer aquilo que mais gosta: “contar novas histórias, mostrar novos rostos e dar voz a quem menos tem ‘tempo de antena’”.

Se na imprensa o mercado de trabalho está complicado – prova disso são os recém despedimentos que o jornal Público admitiu fazer – na Produção as coisas não parecem estar melhores.

Andreia Monteiro tem 20 anos e tal como Ana acabou o curso de Comunicação Social na ESEC. O grande sonho de Andreia é a rádio, mas com a entrada no curso enveredou pela via de “Criação de Conteúdos para os novos Media”, descobrindo a paixão por vídeo e edição.

Andreia Monteiro, formada na ESEC, vai continuar a apostar na sua formação
Com a ideia de estagiar em Pós-Produção de vídeo numa estação de televisão, surgiu a oportunidade de estagiar em Produção no Programa Você na TV, na TVI. Apesar de ser um pouco diferente do estava à espera, gostou mas “teria ficado mais satisfeita se tivesse ido para pós-produção, porque era uma vertente que queria aperfeiçoar”, constatou Andreia.

Com o estágio apercebeu-se daquilo que se passa por detrás de um programa de entretenimento, de todo o trabalho que é necessário para lançar o lançar para o ar. Como estagiária não se envolveu nos “grandes” detalhes, mas segundo Andreia não só aprendeu “a preparar um estúdio, mas também a pôr chamadas em directo e todo o funcionamento pré, durante e pós-programa”, tendo sido uma mais-valia para a sua formação.

Tal como a sua colega Ana, Andreia deparou-se com a dura realidade do mercado de trabalho. Poucos empregos para tanta procura é o problema, mas não baixou os braços. “Acabei o estágio, comecei a procurar. Fui a entrevistas. Mas não é fácil”, lamentou.

Apostar na formação é algo que as duas recém-licenciadas têm em comum. Andreia resolveu tentar a sua sorte num curso profissional em Produção na Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC).
Estará ocupada durante os próximos dois anos, mas não tem ilusões quando pensa no futuro pois “há que ‘arregaçar as mangas’”. Com ideia fixa de sair de Portugal caso não encontre trabalho, a ex-aluna da ESEC aconselha a “viver um dia de cada vez e tentar agarrar as boas oportunidades”.

Cientes do que as espera, as jovens esperam que o futuro lhes sorria e que consigam trabalhar naquilo em que se formaram.


por: Ana Ferreira e Patrícia Gouveia

O artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico