quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Televisão privada sem opções

Atualmente existem dois canais privados na televisão portuguesa (SIC e TVI). Se tivermos em conta a programação de ambos, verificamos que são bastante semelhantes, o que seria bom se os programas fossem adequados às necessidades da população. Acontece que tudo se baseia em programas como telenovelas, reality shows, entretenimento e pouco mais. Ora uma população envelhecida e de certo modo pouco instruída delicia-se com este tipo de programas. E quanto mais ridículo for o conteúdo do programa, mais audiência consegue.
É o que acontece com os reality shows transmitidos maioritariamente pela TVI, repletos de episódios grotescos protagonizados por um grupo de pessoas sedentas de fama, submissas a qualquer episódio que lhes seja proposto fazer (ou então fazem-no mesmo para agradar o público que vota e gosta de um bom escândalo dentro da casa). É o tipo de programa que o espectador português gosta de ver já que não é obrigado a pensar nem questionar nada.
Por sua vez, as telenovelas estão presentes nos dois canais. Seriam uma aposta razoável para entretenimento, não fosse o elevado número delas que entra diariamente nas nossas televisões. No final do jantar não há nada melhor que acompanhar duas ou três histórias fictícias altamente previsíveis (como gosta o bom português) com amores e desamores que nada têm a ver com a realidade. No final já se sabe que os “bons” vivem felizes para sempre e os “maus” morrem ou ficam presos. A lengalenga é sempre a mesma e repete-se no mínimo três a quatro vezes por dia em cada uma das estações televisivas…
Já os programas a que habitualmente chamamos “programas de entretenimento” também marcam a sua presença em ambas as estações de manhã e à tarde. Umas poucas histórias de vida para dar a conhecer ao público que os vê a partir de casa, um passatempo para o telespectador, um público meio robotizado no estúdio e alguma (muito pouca) informação útil fazem parte deste tipo de programas.
Entre esta programação há espaço para algumas series e filmes, que são transmitidos ao fim de semana ou de madrugada, e para blocos informativos que nesta altura estão entupidos com notícias acerca da atual crise.
E o espaço para programas culturais? Pois, talvez não exista ou seja demasiado curto. Certo é que a população, tendo de escolher entre um canal cultural e um outro com a estrutura já referida, escolheria este último. Assim, e porque sendo canais privados têm de lutar pelo máximo de audiência, a disputa é sempre baseada em programas e programação estruturalmente idênticos. Na maioria das vezes o espectador só tem de escolher o apresentador que mais lhe agrada. Mas será que este tipo de programação agrada ao povo português ou aos “gigantes” que assim conseguem manipular e incutir as suas ideias à população? Talvez seja o perfil deste povo que não questiona nem procura saber que agrade aos tais “gigantes”. Se assim eles conseguem controlar a quantidade e qualidade de informação que nos chega, é-lhes conveniente que assim continue a ser.
Aqui fica o exemplo da grelha de programação de ambos os canais para terça-feira, dia 30 de outubro:
SIC: Jornal de síntese, Edição da manhã, Tween box: tower prep, Cartas da Maya – o dilema, Querida Júlia, Primeiro jornal, Toca a mexer – diário, Podia acabar o mundo, Boa tarde, Fina estampa, Jornal da noite, Momentos de mudança, Dancin’days, Gabriela, Avenida Brasil, Toca a mexer – diário, Mentes criminosas – conduta suspeita, Investigação criminal, The walking dead, Maré alta e Televendas.
TVI: Diário da manhã, Você na TV, Jornal da uma, Tempo de viver, A tarde é sua, Casa dos segredos 3 – diário da tarde, Doida por ti, Jornal das 8, Euromilhões, Casa dos segredos 3 – nomeações, Louco amor, Doce tentação, Casa dos segredos 3 – extra, Mistura fina e TV shop.
Ora, o que é que isto pode oferecer de novo a uma nação já por si pouco culta?

por: Fabiana Ferreira
 
*Artigo escrito ao abrigo do novo Artigo Ortográfico 

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