quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um metro que não consegue entrar nos carris

O Ramal da Lousã é uma linha férrea histórica que inicialmente foi idealizada como forma de ligar a cidade de Coimbra à cidade da Guarda. O projecto data de 1875, mas a sua construção não chegou até ao fim, limitando-se a ligar Coimbra a Miranda do Corvo, Lousã e Serpins, com as suas obras a serem finalizadas a 10 de Agosto de 1930. Os anos foram passando com aquela linha ferroviária a ter grande sucesso entre a população, mobilizando centenas de pessoas, todos os dias, entre estas localidades.
Mas no ano de 1992, o que começou por ser um sonho, tornou-se um pesadelo: inicialmente, o projecto pretendia construir um metro de superfície na cidade de Coimbra com ligação ao antigo Ramal da Lousã, que teria de sofrer alterações. A proposta foi aceite mesmo tendo muitos opositores e alternativas para o projecto, como electrificar a linha e mudar os veículos em circulação, ou a criação de um túnel que liga-se Coimbra Parque a Coimbra B, perdendo o conceito de metro de superfície.
Após os lançamentos dos concursos para a execução da obra e com muitos impasses pelo meio, finalmente, em Dezembro de 2009, as obras para a construção do Metro Mondego foram iniciadas, mesmo contra a vontade da população. Os comboios foram suspensos e entram em cena os autocarros. Quando se preparavam para começar a 3ª fase da obra, foi anunciada a sua suspensão em Novembro de 2011. Assim, a população ficou sem comboio e sem metro, limitando-se ao autocarro.
 
Do entusiasmo à indignação das pessoas
Inicialmente muitas pessoas mostraram grande entusiasmo com a construção do metro, como explica Cláudia Rodrigues, residente em Miranda do Corvo, “ Inicialmente, pensei que a construção do Metro fosse uma mais-valia para a população, não só para os mirandenses, como para todas as outras populações que iriam usufruir deste serviço. Iria dar outro conforto e mobilidade”. No entanto, com os vários impasses sobre a progressão das obras, as expectativas foram se perdendo “ Já no início das obras, a maioria da população estava consciente que muito provavelmente este projecto não teria grandes pernas para andar.” Com a confirmação da suspensão dos trabalhos, esta mostrou-se desiludida “Quando houve a confirmação que as obras teriam que parar durante um tempo, por falta de verba, foi a confirmação de que este projecto seria mais um para juntar a uma lista de planos mal sucedidos. Como deve imaginar, foi uma grande desilusão para as pessoas mais crentes e uma confirmação para quem já se tinha rendido à ideia. Resta-nos continuar a lutar como temos feito e esperar que rapidamente surja uma solução para este projecto.”
 
A antiga estação ficou desactivada
A entrada dos autocarros com a diminuição de utentes
A solução que foi tomada como alternativa aos comboios foi o uso de autocarros. Este faz a mesma viagem, parando nos mesmos pontos em que o comboio parava. Mas o problema deste transporte é que o tempo de viagem é maior (15 minutos) e o conforto, que muita das vezes, não é o desejado. Em consequência, a diminuição de utentes é uma realidade ao longo dos anos. Passou-se de carruagem completamente cheias, para autocarros, que muitas das vezes, não vão lotados.
Pedro Silva, residente em Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo, mostra-se bastante crítico com esta alteração “ Umas das razões de não utilizarmos o autocarro é por causa do conforto que muitas vezes fica aquém das expectativas, o que se torna cansativo”. No seu caso, o uso do carro sai mais vantajoso e mais cómodo “ Como eu e o meu irmão estudamos em Coimbra, comprar o passe não era tão vantajoso porque para além do passe da CP, tínhamos de comprar o dos SMTUC, o que nos iria sair mais caro ao final do mês. O uso do carro sai mais barato”.
 
Com a paragem da obras, a linha ficou inacabada
O Futuro do Ramal da Lousã
Para já, não se encontra solução para este problema. Muita população luta como pode e outros resignam-se à actual solução encontrada. É de salientar, os esforços que todas as Câmaras Municipais e Juntas de Freguesias, das populações afectadas, fazem para lutar contra a suspensão das obras, andando sempre empenhadas para a resolução rápida deste problema que até ao momento, não consegue entrar nos carris.


 
 
por: João Pedro Rodrigues
*O artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
 

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