quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Antidepressivos - ajuda ou dependência?

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Actualmente, o número de pessoas que consome diariamente antidepressivos e ansiolíticos é avassalador. A idade deixou de ser um factor relevante (jovens com 16 anos são já medicados para controlar os altos níveis de ansiedade generalizada), ao contrário do que muitos pensaram até agora, julgando que apenas os indivíduos de uma faixa etária mais avançada sofreriam deste tipo de problema, relacionando-o com questões de stress intimamente ligadas com os seus empregos, responsabilidades familiares, etc.
A verdade é que os antidepressivos são um óptimo aliado no combate a situações de desgaste extremo e permitem um aumento da qualidade de vida. Aliás, muitas das vezes, é graças a eles que as pessoas recuperam a supra referida.
Os efeitos colaterais da toma constante de antidepressivos e ansiolíticos variam de acordo com a classe ao qual pertencem e também de acordo com a tolerância de cada pessoa. Os antidepressivos mais antigos, conhecidos como tricíclicos (clomipramina, imipramina, amitriptilina) costumam dar mais efeitos colaterais que os mais recentes (inibidores da recaptação de serotonina (molécula envolvida na comunicação entre neurónios) e os de duplo mecanismo de acção).
No meu caso, em particular, incomoda-me e reconforta-me esta questão do bem-estar graças à medicação. É certo que esta ambivalência pode não fazer sentido para a maioria das pessoas, mas para mim enquadra-se na perfeição.
Tenho 20 anos, sou “parcialmente saudável”. Tinha (ou tenho, não sei) tudo para ser feliz – uma vida confortável, uma família presente, amigos, uma vida social activa,… Mas, por outro lado, um inibidor muito grande do meu verdadeiro “EU”. Aos 17 anos foi-me diagnosticada taquicardia e insuficiência cardíaca crónica estável. Como se não bastasse, os médicos psiquiatras disseram-me ainda que estava sob muita pressão e já era visível a minha necessidade de toma constante de antidepressivos. Assustei-me!
Passaram-se três anos e continuo a tomar medicação diariamente. Sofro com este entrave que me foi colocado na vida – não posso fazer grande parte das coisas que os meus colegas fazem, porque o meu corpo ressente-se rapidamente.
Já consultei vários especialistas e o resultado é sempre o mesmo: a toma não pode ser interrompida.
Agora questiono-me: como pode uma sociedade arruinar os seus “habitantes”? O mundo evoluiu tão rapidamente que nós fomos obrigados a acompanhar o progresso de igual forma. O stress deixou de ser um termo elitista e passou a ser uma realidade – nós vivemos num mundo alucinante, com mil tarefas para concluir em simultâneo; vivemos obcecados com preocupações e obrigações; não temos tempo livre suficiente para descansar; somos abalados, dia após dia,
com notícias sobre a crise mundial e as catástrofes recorrentes;… Como podemos nós estar BEM?
Não há nada que possa(mos) fazer. A minha qualidade de vida e o meu bem-estar dependem dos comprimidos que ingiro todos os dias. Se não os tomar, não estou bem. Tão simples quanto isto!
Apenas uma última ideia continua a fazer eco na minha cabeça: os médicos deveriam ser mais cautelosos e não recomendar, desde cedo, a toma de antidepressivos e ansiolíticos, pois estão a comprometer a salvaguarda de um futuro para tantos e tantos jovens. Um futuro que certamente já lhes trará tantas preocupações! Não façam diagnósticos tão decisivos.
Ainda assim, todas as moedas têm um reverso: a qualidade de vida é essencial. E, muitas das vezes, o nosso corpo só funciona correctamente com a medicação prescrita.
Resta apenas continuar a viver com a angústia de depender de uns comprimidos e a felicidade de estar bem por os tomar. Que retracto tão condenável!
Benditos (?) antidepressivos que nos vão salvando neste mundo de “selvagens contra o tempo”.

Por: Sofia Rocha
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

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