quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Autismo & Amor

Segundo a medicina, autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais: inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar ou lidar com jogos simbólicos e existência de um padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Existem diversos graus de autismo, desde os mais leves, como a síndrome de Asperger (na qual não há comprometimento da fala e da inteligência), até formas graves em que há uma incapacidade de manter qualquer tipo de contato interpessoal e pode existir comportamento agressivo. Inicialmente o autismo associava-se ao resultado de uma dinâmica familiar problemática e condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que ainda não foi comprovada. Por isso, consideram-se múltiplas causas para o autismo, incluindo fatores genéticos e biológicos.

O autismo não deve ser motivo de discriminação. Qualquer pessoa, de qualquer classe social, raça ou etnia pode sofrer deste transtorno, apesar de afetar mais frequentemente meninos que meninas. Em casos mais leves só já na maioridade se deteta, pois a pessoa seguiu uma vida normal e as “anomalias” na evolução passaram despercebidas. Como se costuma dizer “cada criança tem o seu ritmo”.

A pessoa mais importante da minha vida tem autismo. Chama-se José, tem três anos e é meu irmão. Sabe ler, sabe escrever ao computador, sabe todo o abecedário, sabe contar, sabe distinguir os números todos até onde possam imaginar. Sabe trotear palavras mas estabelecer uma conversa é que se torna mais difícil. Sabe identificar objectos e os seus nomes. Sabe também pedir o que quer. Sabe muito bem fazer birras para pedir o doce que tanto deseja ou para poder ir para o computador quando lhe apetece. Sabe dar carinho, amor e afeto. Eu não trocaria o sorriso matinal acompanhado de um “bom dia manana” por nada deste mundo.

Cada vez mais crianças estão a nascer com “distúrbios” e para quem não sabe muito bem como lidar com a situação eu digo-vos: amor, carinho, paciência e normalidade. Vocês não têm alguém anormal à vossa frente, têm alguém diferente. Alguém que precisa de mais cuidados do que o normal, talvez. Sei que há casos muito mais graves do que este, pois felizmente para mim, o José só mostra dificuldade na comunicação. Sei de casos em que a pessoa vive isolada no seu próprio mundo e dele não quer sair. Acredito que seja mais desgastante.

O que a medicina recomenda, e a meu ver, muito bem é que todos os membros da família envolvidos tenham atendimento e orientação especializada, que descubram e estabeleçam algum tipo de comunicação simples para conseguir interação com a criança. Manter rotinas, os autistas são muitas vezes relutantes a mudanças - Por exemplo, esta semana mudámos os móveis da sala. Ao entrar, o Zé fez birrinha pois estava tudo “fora do sítio”. Consegui ao fim de alguns minutos fazê-lo entender de que agora iria ficar assim. A nível escolar, em casos graves aconselham a procura de um estabelecimento especializado ao invés da escola normal. O José está a frequentar uma vez por semana uma terapeuta da fala, um mês depois já se notam diferenças enormes (para melhor, claro). Já consegue construir frases para pedir o que quer ao invés de dizer apenas “bolacha”, por exemplo, já diz “eu quero bolacha”. Este ano entrou para o infantário “normal” e está perfeitamente enquadrado. Faz as tarefas que todos fazem e brinca com eles.

Cada dia é um dia e vamos progredindo pouco a pouco mas com amor, carinho, dedicação e respeito tudo se consegue.


por: Eva Pina

*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico  

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