quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Jornalismo no Passado, no Presente e no Futuro




Em Portugal, o assunto que está em voga e que apavora os cidadãos é de facto, a crise e todos os seus condicionantes. Por conseguinte, aquilo que nos afeta a nós, alunos de comunicação social e jornalistas, é a crise que os media atravessam e todas as suas implicações, podendo pôr em causa a continuidade e estabilidade da democracia. Porém, este é um problema que atinge, sobretudo, as democracias ocidentais.

Importa saber, antes de mais, os motivos e as causas de tal situação financeira e social. Porém, será que existem respostas suficientemente credíveis e plausíveis que expliquem, com precisão, o porquê desta crise das empresas de comunicação social?
Atualmente, são vários os autores, jornalistas e investigadores que se preocupam em responder a esta questão, com vista ao melhoramento e a uma maior sustentabilidade das empresas jornalísticas. Existe uma variedade de explicações e interpretações acerca do assunto, uma vez que é uma matéria suscetível a discussão, tanto em debates como encontros, dado a sua relevância e emergência.

A culpa é da Internet?
O país está em crise, e desta, provém a má fase que o jornalismo está a atravessar. A renovação da tecnologia é apontada como a grande impulsionadora dos problemas que estão a surgir no âmbito do jornalismo, mais propriamente na imprensa. Os jornais tradicionais (de papel) têm sofrido uma grande decadência nas suas audiências. Cada vez mais, e principalmente os jovens, preferem ser informados através das plataformas digitais dado a sua instantaneidade e rapidez. Este fenómeno tem vindo a crescer, sendo que já “convenceu” grande parte dos leitores.
Existe imensa informação disponível, sendo que o público tem muito por onde escolher. Tal disposição informativa pode pôr em causa a sustentabilidade de alguns jornais, fazendo com que hoje vivamos numa sociedade de medo. Os cidadãos, mais concretamente os jornalistas, devido à temática que estou a abordar , vivem com medo e preocupados se perdem ou não o seu emprego.



Adeus jornal de papel
O problema consiste, efetivamente, na falta de resistência dos métodos tradicionais de informação. Os jornalistas são obrigados a adaptarem-se aos novos métodos, a serem criativos e a reinventarem-se frequentemente, para não correrem o risco de caírem no pessimismo do país e, sobretudo, para evitar que surja ou se agrave uma crise de valores. É essencial que os jornalistas sejam multifacetados, sendo capazes de trabalhar sobre qualquer tema, se concentrem no seu trabalho, e o exerçam como sempre o fizeram, na medida em que têm de procurar a informação, validá-la e torná-la interessante, independentemente da plataforma em que ela surja. É crucial tornar interesse a informação importante, e mais do que isso, informar devidamente os cidadãos, para que estes se sintam capazes de tomar decisões.

É esta a informação de que necessito?
Outro dos problemas, a meu ver, é o facto de os jornalistas terem criado uma ideia errada daquilo que o público quer ver e saber. Hoje em dia, nos jornais, existe um sensacionalismo excessivo, demasiadas notícias sobre crimes e mortes, pois criou-se a ideia que é disso que o público necessita de ser informado. Ao invés, ouve-se, cada vez mais, nos transportes públicos ou filas de espera, as pessoas a comentarem sobre os impostos, sobre a educação dos filhos ou ações médicas. Existe um desajustamento entre a informação que recebem e a informação que precisam, e portanto, procuram na internet aquilo que mais lhes interessa interiorizar. Na maior parte das vezes, a informação que sai nos jornais, já foi divulgada na televisão ou na Internet no dia anterior.

Jornalismo em risco
Hoje em dia, embora considere que os valores do Jornalismo se mantenham, as práticas jornalísticas sofreram uma grande alteração. A obsessão pelo lucro e pelas audiências prevalece em detrimento da qualidade e racionalidade da informação. A prática jornalística necessita de tempo de reflexão, e com toda a instantaneidade dos trabalhos a realizar, acaba por perder a qualidade informativa. Os jornalistas devem continuar com o seu trabalho, mas, na minha opinião, a suposta liberdade de expressão que podemos usufruir não está a ser devidamente ajustada, na medida em que os jornalistas não escrevem o que querem. Escrevem notícias de acordo com os parâmetros estabelecidos pelos gestores das empresas de comunicação social, em prol da sustentabilidade.

Não creio que o jornalismo irá acabar. Acho que existirá uma grande mudança, privilegiando os jornais online, atualizando a informação constantemente, sendo que os jornais de papel existirão, mas com menos peso e relevância.
Em suma, penso que os dois pontos fulcrais que impulsionaram a crise no jornalismo foram a crise económica, que põe em causa a sustentabilidade das empresas jornalísticas, e o desenvolvimento das novas tecnologias, que, neste momento, são alvo de maior prestígio pelos cidadãos, retirando a predominância que os jornais de papel e os modelos informativos tradicionais tinham outrora.

 por: Liliana Pastor

*Este artigo está escrito sob o acordo ortográfico.

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