quarta-feira, 7 de novembro de 2012

“Nunca estive em Bagdad”



Um casal, uma guerra. A guerra do Iraque, outra guerra. Tão diferentes e tão iguais. Esta é a história de um casal que vive em Portugal, sociedade cristã e ocidental, que está prestes a mudar de casa para poder mudar de vida. As duas guerras interligam-se inevitavelmente. A vida do casal traduz-se em muitos episódios de guerra, o que para o público pode ser interpretado como drama ou comédia. Foi assim que presenciei uns risinhos entre um casal que via a peça ao meu lado. Eles lá se identificaram!

O Rogério e a Glória vivem num mundo tão pequeno que se baseia no quotidiano, mas ao mesmo tempo são vítimas de outra tragédia, a guerra construída por homens nem tão pequenos nem tão quotidianos. Para mim a guerra só é feita pelos que tem poder para fazê-la e isso permite-lhes garantir a sobrevivência.

Enquanto a guerra existe, a vida continua desde a saúde à doença, desde o amor à indiferença e desde a responsabilidade à negligência.

É uma peça de teatro muito bem organizada e realista, pois hoje em dia os senhores da guerra convertem-nos ao que presenciamos na televisão, a outra guerra. “Nunca estive em Bagdad” está em cena até ao dia quatro de Novembro no Teatro da Cerca de S.Bernardo.

Enquanto nós por cá vamos fazendo a nossa vida, outros em outra qualquer parte do mundo fazem a morte.

por: Sofia Sousa

*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

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