domingo, 4 de novembro de 2012

Conhecer a TvAAC (entrevista a Ricardo Abrantes)

Dividida por vários departamentos, a tvAAC é uma televisão feita por estudantes, para estudantes. Com o objectivo de “difundir  informação relativa à academia e à realidade local, nacional e internacional”, esta televisão, por enquanto disponível apenas online e no circuito interno da UC, está no activo como pró-secção da AAC desde 2003 e desde 2005 como secção. Passatempo para uns, ocupação quase a tempo inteiro para outros, a tvAAC é, cada vez mais, um ponto de encontro para os estudantes de Comunicação Social, Jornalismo e até outros cursos que nenhuma relação têm com a área.
Ricardo Abrantes, 27 anos, estudante de engenharia electrotécnica, que esteve na tvAAC durante três mandatos, dois como director e o último como presidente, falou-nos um pouco da história desta secção com a qual ainda colabora, sempre que possível, para contribuir para o seu progresso.
 
Posts de Pescada –Como surgiu a ideia de criar a tvAAC?
tvAAC- uma televisão de e para estudantes
Ricardo Abrantes – A ideia da tvAAC já é muito antiga. Nos anos 80 já tinha surgido a ideia de criar uma televisão aqui no SEC (Secção Cultural), tendo até sido feitas algumas emissões um bocadinho arcaicas, mas a verdadeira televisão como conhecemos hoje foi pensada em 1999,por um grupo de rapazes que faziam da televisão um passatempo. Ao início tiveram imensas dificuldades, mas hoje aqui estamos…
PP – Quando é que esse projecto foi posto em prática?
RA – Em 2001 foi apresentado à Associação Académica de Coimbra (AAC), mas só a 17 de Dezembro de 2003 é que foi aprovado como pró-secção da casa. Todas as pró-secções têm de provar que merecem ser secção e a tvAAC conseguiu, tornando-se numa a 25 de Janeiro de 2003.
PP: Quais foram as primeiras dificuldades sentidas? Como é que as superaram?
RA: A primeira e uma das dificuldades mais sentidas na AAC é arranjar pessoas que possam inteirar os projectos. Conseguiu-se superar este passo através de campanhas de divulgação, palavra passa palavra e foram aparecendo pessoas. Fizemos, também, muitas formações no início, com o apoio do actual ICAM e de profissionais. Ainda hoje é complicado recrutar pessoas. Outra dificuldade é o financiamento, pois estamos quase exclusivamente dependentes da AAC e na altura ainda mais, não tínhamos nenhuma fonte de rendimento a não ser alguma produção externa que pudéssemos fazer, mas não tínhamos qualidade suficiente para produzir os conteúdos. Por fim, uma outra dificuldade foi a falta de apoio das direcções gerais da AAC, o que causou algum contra-tempo.
PP: Como foi feita essa campanha de divulgação de que fala?
RA: O projecto foi divulgado com muitos flyers e exposições nalgumas faculdades. Sempre houve pouca procura, pois as pessoas pensam que a televisão é só para estudantes de jornalismo ou algo relacionado com esse curso, o que não é verdade.
PP: Que tipo de programas têm vindo a desenvolver?
RA: O que nós queremos é formar pessoas e ao mesmo tempo dar-lhes liberdade de fazerem o que querem, obviamente que dentro de alguns critérios, sendo esse o nosso conceito principal, pois a tvAAC é uma televisão experimental. As pessoas podem chegar aqui, ter uma ideia e tentar pô-la em prática. Correu bem, óptimo, não correu tudo bem, analisa-se os problemas e melhoramos para a próxima.
PP: Os cursos que costumam desenvolver têm muita procura?
RA: Têm, o nosso problema até tem vindo a ser o número de pessoas que conseguimos ter a frequentá-los, pois se fizermos o curso na nossa sala, não conseguimos encaixar mais de 12/14 pessoas. Normalmente estão sempre cheios e já tivemos que repetir alguns, porque se justificava devido à grande procura.
PP: Se pudesses mudar alguma coisa no percurso da tv, o que seria?
RA: Só mudava o “tecto” onde nós estamos, pois temos dois metros de altura e precisávamos de quatro. De resto não mudava nada. Obviamente que passamos por momentos mais altos e outros mais baixos, mas tudo serviu para ajudar e aprender. Isto é a nossa televisão e agrada à maioria das pessoas, por isso não há necessidade de estar a mudar as coisas.
PP: Como é o ambiente entre sócios e colaboradores?
RA: Estão todos misturados, no dia-a-dia nem se consegue distinguir, porém, os colaboradores, porvezes, têm um tratamento um bocadinho especial, de forma a integrarem-se e a ficarem cá para nos ajudar, tornando-se sócios.
PP: Há pouco tempo houve eleições para a nova gerência. Como tem sido a adaptação desta equipa?
RA: As eleições foram um bocado conturbadas. Pela primeira vez foram criadas duas listas, existindo sempre conflito, por muito mínimo que seja, mas nada que não se conseguisse superar. As pessoas são novas, é uma questão de se adaptarem e pedirem ajuda às mais antigas. Ma sinceramente parece mais difícil do que realmente é. Aparentemente não vejo, assim, um ponto muito fraco da equipa e os membros estão interessados e empenhados.
PP: Qual a próxima meta a atingir?
RA: Quando entrei para aqui, há uns tempos, dizia que iríamos criar, no nosso 10º aniversário, um canal na tv cabo de Coimbra, no entanto já completámos 10 anos em 2013 e não conseguimos cumprir esse objectivo. Porém, a curto prazo, tentaremos alcançar, em pleno, o Pólo II e o Pólo III e depois outros pontos.
PP: Quais as expectativas para este ano?
RA: Sinceramente espero que as pessoas que cá estão se mantenham e que consigamos mais duas câmaras HD (alta definição) para podermos fazer multicâmara correctamente. Mas isto são daquelas coisas que a direcção consegue pensar e definir melhor, a minha única função aqui, neste momento, é ajudar no que for preciso, já que agora não faço parte do grosso núcleo da televisão.
 
por: Maria Melo e Mónica Silva
 *Este artigo não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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