domingo, 18 de novembro de 2012

É uma época de esperança



“No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho”, assim diz o provérbio. O dia 11 de Novembro é festejado por todo o país e, marca simbolicamente a chegada do Outono.  O cheirinho a castanhas já anda pelas ruas de Portugal a maravilhar os transeuntes. Com esta época chega também os vendedores ambulantes de castanhas. É o caso de Maria José que trabalha neste ofício há anos. Uma “arte” que aos poucos vai desaparecendo!

Posts de Pescada: Para assar castanhas estaladiças e saborosas a sua preparação requer alguma arte?
Maria José: A preparação da castanha é muito simples. Primeiro molham-se para ficarem bem lavadinhas e para que o sal  agarre. Depois com uma faca, faz-se um corte leve em cada castanha para não ficarem cruas. Coloca-se o sal e um bocado de erva doce (não é obrigatório, mas dá outro sabor). No fim põem-se dentro do fogareiro uns 15 a 20 minutos. Quando elas começarem  a ficar escurinhas e com um tom amarelado por dentro  estão boas. 
PP:  Há quantos anos trabalha  como vendedor ambulante de castanhas? E Porquê?
MJ: Já trabalho na venda de castanhas desde os meus 14 anos. A minha mãe já trabalhava com este carrinho. Aprendi a sua arte desde pequena. Lembro-me de andar com ela a vender em criança. Antigamente, era outra alegria no dia de São Martinho, a rapaziada andava pelas ruas a brincar. As castanhas tinham outro sabor e outro cheiro. Tudo muda.

PP: A venda das castanhas, na actual situação económica  do país, ainda lhe dá lucro? Nunca pensou em desistir?
MJ: A crise prejudica todos os negócios. Já vi melhores dias, isto está muito mau. As pessoas agoram preferem comprar as coisas e fazê-las em casa. Antes, ninguém queria trabalho, mas quando não se tem dinheiro no bolso, tem que se poupar em tudo. Ainda consigo vender algumas dúzias de castanhas aos turistas ou às pessoas que vão passando, mas está difícil. Eu gosto disto, já o faço há muitos anos e, enquanto for dando uns trocos vou andando por aqui.
PP: Todos os anos festeja o de dia São Martinho a trabalhar?
MJ: Mal chega a queda da folha venho logo com o meu carrinho para as ruas. Já são muitos anos nisto. É a altura que mais se vende, tenho que aproveitar.  Mas pela tardinha vou para casa, para estar com a minha família e festejar com eles. Eu como castanhas durante a semana, mas para eles é mais um momento para estarmos todos juntos. Comemos e bebemos uma bela jeropiga.

PP: Para si, a Lenda de São Martinho, tem um “gostinho” especial?
MJ: Sim. Sempre soube a Lenda de São Martinho, faço disto vida. Aprendi a lenda com a minha mãe, tinha 5 ou 6 anos. Depois na escola a professora voltou a ensinar-nos. Fala de um Homem que ajuda outro sem pedir nada em troca. Isso hoje é tão caro, porque ninguém dá nada a ninguém. É uma época de esperança. Faz-me lembrar bons momentos da minha vida.

PP: Qual foi a situação mais engraçada que já lhe aconteceu?
MJ: ( Risos)  Já me aconteceram situações engraçadas. Houve um dia, um senhor, que veio comprar castanhas, normalmente, e de repente aparece-me a mulher dele aos gritos. Não percebi nada, mas deu-me vontade rir.


por: Márcia Alves
*Artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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