sábado, 10 de novembro de 2012

Em Busca de uma Vida Melhor



À semelhança do que acontece com muitos portugueses, Maria Augusta Fernandes Lopes, casada e mãe de dois filhos, encontrou na emigração a solução para a instabilidade e crise que se vive em Portugal. Com uma filha a estudar em Coimbra e um filho a trabalhar na Força Aérea Portuguesa, espera com esta oportunidade ganhar qualidade de vida e assim, puder assegurar um futuro melhor aos seus filhos. Com a oportunidade de ir trabalhar para uma empresa têxtil na Tunísia, Augusta Lopes decidiu deixar Portugal em busca de uma vida melhor.

Posts de Pescada: Vai trabalhar na área têxtil. Que tipo de trabalho vai desempenhar?
Augusta Lopes: Vou desempenhar a função de directora de produção. Vou dirigir e comandar toda a equipa de trabalho para que a produção tenha qualidade e responda às exigências da empresa. Estou presente e controlo as linhas de produção desde a chegada da matéria-prima até ao produto final que neste caso são peças de vestuário, mais propriamente malhas.

PP -  Vai sozinha ou a família vai consigo?
AL - Vim sem a família, embora esteja acompanhada por uma amiga que desempenha o cargo de gerente da empresa e que vive comigo num apartamento arrendado pela empresa.

PP -  Sendo que vai sozinha, o que a motivou a deixar a família e emigrar para a Tunísia?
AL -  O que me levou a tomar esta decisão foi a falta de emprego em Portugal, a instabilidade e o desafio que encontrei neste projecto.

PP -  O facto de a família ficar em Portugal não dificultou a tomada de decisão?
AL - Claro que dificultou muito, mas vi nesta oportunidade uma forma de ajudar a família que encarou esta oportunidade como uma forma de me valorizar a nível pessoal e a nível profissional. A família que se quer bem, abdica sempre de algo em prol de outro membro.

PP - Quanto tempo espera lá ficar?
AL - Mais ou menos dois anos. Espero vir definitivamente para Portugal quando a minha filha terminar os estudos na universidade mas vai também depender de como me vou sentir lá e de como vou conciliar a minha vida aqui. Se tudo correr bem, quem sabe se não me mudo definitivamente para a Tunísia e venho só a Portugal de férias. Mas isto tudo é muito prematuro. Como sempre digo, vivo um dia de cada vez.

PP - De que modo esta oportunidade a irá ajudar financeiramente?
AL - Esta oportunidade, espero eu, vai ajudar-me muito a amealhar algum dinheiro para puder fazer face ás despesas familiares e também ter alguma qualidade de vida, o que em Portugal é muito difícil. Espero também puder fazer um “pé de meia” capaz de na minha reforma, permitir ter qualidade de vida e ajudar os meus filhos, já que o futuro dos jovens cada vez mais se encontra incerto.


PP - Já teve a experiência de estar lá um mês e regressar. Quais as principais diferenças culturais entre Portugal e a Tunísia?
AL - A própria religião, a religião muçulmana, condiciona o modo de vida dos tunisinos e só isso gera muitas outras diferenças culturais. Tenho como exemplo a forma como as mulheres se vestem, usam lenço na cabeça, vestidos e mangas compridas. Os homens passam o tempo no café e as mulheres trabalham, não comem carne de porco nem derivados, frequentam as mesquitas e rezam a determinadas horas independentemente do local onde estão.

PP - De que modo essas diferenças culturais alteram o modo de trabalho e a produção?  
AL -São de alguma forma bastante preguiçosos e com pouca ambição o que no trabalho reflecte falta de produtividade.

PP - Como surgiu a oportunidade de ir trabalhar para outro país?
AL - Foi através de uma empresa portuguesa onde trabalhei e que tem uma plataforma na Tunísia, já conheciam o meu trabalho e acharam que era a pessoa ideal para ocupar este cargo. A gerente da empresa Tunisina também trabalhou comigo bastantes anos e já tinha feito uma experiência com ela no Bangladesh, o que de certo modo veio ajudar a que também tivesse sido convidada para este projecto.

PP - Espera terminar esta experiência mais enriquecida?
AL - Sem sobra de dúvida que esta experiência me vai enriquecer muito, tanto a nível pessoal como profissional. O viver com “as gentes” do próprio país vai fazer com que conheça muito melhor a realidade da Tunísia, o que de outra forma não aconteceria.


por: Ana Mota

*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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