sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“Vão-se os anéis, ficam os dedos”

Durante cerca de 36 anos após o 25 de Abril, os Portugueses viveram muito acima das suas possibilidades. As facilidades com que as Instituições Bancárias concediam crédito aos cidadãos, levaram a que muitos recorressem a essa possibilidade para vários fins. Compra de casa, carro, mobílias, férias paradisíacas, etc.
Em 2011/2012, que a crise económica do País se acentua consideravelmente, todo o modo de vida dos Portugueses, teve de mudar radicalmente.
Assistimos a um aumento considerável da taxa de desemprego devido ao encerramento de muitas empresas e fortes cortes salariais sobretudo na Função Pública.
Estas situações levam a que muitos Portugueses, devido à falta de recursos para fazerem face às necessidades básicas da vida, tenham de se desfazer de bens com algum valor económico e sentimental.
Hoje, muitas famílias, tiveram de entregar as suas casas aos Bancos, pela impossibilidade de suportar as prestações mensais, recorrendo a Contratos de Arrendamento mais baratos, ou mesmo, voltarem a viver com outros familiares.
Um grande número de jovens teve de abandonar os estudos, porque era economicamente insustentável para os pais.
Muitas famílias voltaram a cultivar pequenos pedaços de terra para ajuda no sustento familiar e que há muito tinham abandonado esses hábitos. Também tentam aproveitar roupas, através de pequenos arranjos, pela impossibilidade de adquirir novas.
Outros têm de se desfazer de bens de família, com elevado valor sentimental, pois alguns desses bens passaram de geração em geração. É frequente assistirmos a pessoas que vendem joias de família, a fim de ganharem algum dinheiro para o seu sustento familiar. Podemos ver também, em alguns sites da Internet, anúncios em que colocam à venda tudo o que provavelmente nunca teriam sonhado ter necessidade de se desfazerem. São peças que deveriam estar guardadas pelo seu elevado valor estimativo e, acredito que seja muito doloroso despojarem-se delas.
É o exemplo de Anabela Valente, funcionária pública, que esta semana se dirigiu a uma empresa de compra de ouro com o objetivo de vender algumas peças para garantir algum dinheiro até o final do mês. “Tive de vender umas peças de ouro que tinham pertencido à minha mãe e que ela me tinha oferecido, para ter dinheiro que me ajudasse a fazer face às despesas mensais. Ao tomar esta iniciativa, senti como se uma parte dos meus sentimentos, também ali estivesse a ser negociada, mas a necessidade a isso nos obriga”.
O que se torna muito preocupante é pensarmos: Quando estes bens acabarem, o que vão fazer um grande número de Cidadãos?
 
por: José Carlos Pereira
*Artigo escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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