terça-feira, 28 de outubro de 2014

A rádio, trabalho ou paixão?




Com o avanço da era tecnológica, os meios de comunicação menos recentes travam uma luta diária pela subsistência. Como o conseguem, só eles o sabem, mas o motivo todos sabemos, eles adoram o que fazem. A rádio é um dos meios de comunicação mais antigos que existe, como será a realidade das pessoas que nela trabalham? O locutor e administrador da Rádio Clube de Amarante João Gonçalves,saberá certamente.


1- Hà quanto tempo é jornalista/locutor de rádio?
R: Bem, nem eu próprio sei ao certo. Quando acabei os estudos passei por uma fase em que tentei perceber o iria fazer da minha vida. Adorava a rádio e os momentos que passava com a minha família a ouvi-la, mas isso na altura não queria dizer nada.

2- Como é trabalhar com a consciência que os tempos estão a mudar e a rádio tem uma audiência cada vez menor? Principalmente uma pequena como a de Amarante.
R: Bem, eu sei que parece um discurso já feito, mas enquanto existir uma pessoa a ouvir rádio, vale sempre a pena. Quem está no mundo da rádio geralmente não está por ambicionar a fama ou grandes lucros. Cada um tem os seus motivos especiais para aqui estar e adora cá estar. Se estiveres a conversar com 5 pessoas, vais calar-te só porque apenas uma ficou a ouvir? Não pois não? O principio é o mesmo.

3- Como membro da admnistração, sente que a rádio de Amarante tem condições para se manter no ar?
R: As coisas nem sempre foram fáceis por aqui, aliás, acho que nunca foram, mas isso tu já sabes. É como ser uma familia pobre que conta todos os cêntimos e recursos para sobreviver ao final do mês, contudo, não deixamos de amar os nossos filhos ou desistimos deles por isso. Aqui, encaramos a rádio como se fosse família.

4- Qual acha que é o papel desempenhado pela rádio na sociedade?
R: Eu posso fazer-te a mesma pergunta, qual o papel que a rádio desempenha na tua vida? A rádio é algo que abrange muitos ramos da sociedade, há quem ouça so os relatos desportivos, há quem ouça música no caminho para o trabalho, há quem ouça as noticias e há também aqueles que só ouvem programas de discos pedidos para poder ter aqueles breves minutos de conversa e poder escolher a sua música. Os números de audiência de rádio podem ser enganadores. Pode haver muita gente a ouvir rádio, mas distribuidos pela sua preferência. Uns ouvem às 9, outros às 15, contudo, quero acreditar que a rádio ainda tem um papel importante nas pessoas, que ainda lhes coloca um sorriso ou as emociona. Essa é a minha motivação.

5- Qual o momento mais caricato deste período à frente da rádio?
R: Ocorreram algumas situações caricatas (risos). Lembro-me de uma, em que um senhor ligou, extremamente nervoso, reclamando que eu era do Sporting e que todos os dias passava músicas do Sporting. Pediu-me, ou melhor, ordenou-me que passasse musicas do Benfica também ou que ia fazer mais um inimigo. Lá fiz a vontade ao homem mas não achei piada nenhuma à situação na altura. Hoje já sei quem é o senhor e até ja conversamos sobre isso num café com risos, mas fiquei chateado na altura, confesso.

6- E qual o momento mais marcante?
R: Aqui, todos os dias acontece algo que nos marca ou comove, que nos deixa a pensar, no fundo que nos marca. Não posso escolher um momento mais marcante porque toda a rádio em si deixa algo em cada um. Algo que fica para toda a vida.

7- O que mais o fascina na rádio?
R: Eu adoro tudo, tudo isto é algo fascinante, tudo sem exepção. Mas se tenho mesmo que escolher algo concreto, continuo a adorar ouvir os relatos dos jogos desportivos, ainda que isso não exista na nossa rádio.

8- É este o seu sonho? Sempre foi isto que quis fazer?
R: Não era o meu sonho de criança nem o que me imaginaria a fazer na altura, mas jamais me adaptaria a outra coisa agora.

9- Se fosse convidado para trabalhar na televisão aceitaria?
R: Tu, que sei que queres trabalhar em rádio, irás compreender um dia que isto nos traz algo que mais nada dá, ou pelo menos eu desconheço, isto é unico, especial, mas respondendo à tua pergunta, não, nem pensar, seria infeliz.

10- Para concluir, tem por hábito ouvir outras estações de rádio? Quais e porquê?
R: A rádio, dependentemente do seu estilo, visa um ou mais públicos alvos, mas nunca pode visar todos ao mesmo tempo. Eu não sou obrigado a gostar de todas as músicas só porque passam aqui ou da jornalista que apresenta as noticias só porque as apresenta aqui. Ouço a Antena 1 ou a TSF para os relatos desportivos e quando conduzo ouço a Rádio Comercial, para me dar mais energia.

Eduardo Pinto, 2013139, Comunicação Social

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