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domingo, 21 de dezembro de 2014

«O jazz é uma música popular e sábia»

Samy Thiébault no saxofone, Sylvain Romano no contrabaixo e Philippe Soirat na bateria 
O jazz ecoou n’“O Teatrão”, em Coimbra, com um concerto de apresentação do quinto álbum do músico francês, Samy Thiébault. Resultante de uma parceria entre a Alliance Française e o Conservatório de Música de Coimbra, o evento foi bem recebido pelo público conimbricense enchendo a plateia da sala de concertos.

A Alliance Française (AF), em parceria com o Conservatório de Música de Coimbra, trouxe uma vez mais um pouco da cultura do hexágono. Apostando no jazz com o músico Samy Thiébault, acompanhado pelo baterista Philipe Soirat e Sylvain Romano no contrabaixo, a AF conseguiu encher a sala de concertos d’”O Teatrão.” O espaço escolhido para o evento, como refere Amina Mazouza, diretora da AF, é “muito intimista” e faz “com que nos sintamos próximos dos artistas.” Para a diretora da AF, este evento foi um grande sucesso já que o organismo conseguiu “propor algo de diferente a Coimbra e que não é proposto em Lisboa, no Porto ou em outras cidades portuguesas.”


Foi num ambiente relaxado e quase familiar que o concerto começou, às 21:40. Após uma breve apresentação feita por Amina Mazouza, que explica que Samy Thiébault está a lançar este seu novo projeto pela primeira vez em Coimbra, a banda entrou em palco e deu início a uma noite de muito boa música. Com influências que flutuam entre John Coltrane e os The Doors, a música deste grupo foi apresentada ao público conimbricense em “avant-première”. E se pensar que o jazz nos remete para New Orleans e Nova Iorque, Samy Thiébault prova-nos que a Cidade das Luzes continua a dar cartas no que há de melhor de produção musical.

Samy Thiébault tem sido muito bem recebido pela crítica e pelo público em geral e tornou-se num dos saxofonistas mais influentes da sua geração. Esteve presente nos palcos mais emblemáticos do jazz na França, sem esquecer a sua atuação na mais prestigiosa sala de concertos francesa, a “Olympia”, onde partilhou o palco com Gregory Porter.

Samy Thiébault em entrevista
Este ano, presenteou-nos com mais uma prova do seu sucesso com o lançamento do seu quinto álbum: “A Feast of Friends.” Numa altura em que para Samy Thiébault o suporte em disco “está em crise” este ressalva que a afluência nos concertos é maior permitindo uma reaproximação com a essência do jazz. “Paradoxalmente, as pessoas compram menos álbuns e vão mais aos concertos”, acrescenta o músico. Referido pelos média como um género elitista, na perspetiva do saxofonista, “o jazz é uma música popular e sábia.”


Esta é a primeira tournée dos músicos a incluir Portugal, da qual Samy Thiébault guarda um sentimento muito positivo destacando a adesão por parte do público. “É raro ter um público tão atento e recetivo.” Já em tom de brincadeira, o saxofonista lamenta não falar português, no entanto, espera poder voltar para aprender.


 
Os músicos e Amina Mazouza depois do concerto



Bruna Becegatto - texto
Bruna Dias - texto
Daniela Bulário - texto
Vanessa Alves Ferreiro - texto e tradução
Zita Moura - texto e fotografia

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dançar ou viver?



O conceito de jazz tem origem por volta de 1808 com o tráfico de escravos no Atlântico que trouxe meio milhão de africanos aos Estados Unidos. As tradições de músicas tribais por eles trazidas formaram um conceito de danças e sons diferentes, tudo isto misturado com a cultura europeia, criticada e “gozada” pelos escravos. Os instrumentos de extrema sonoridade usados pelos mesmos foram proibidos para que não fosse possível a transmissão de mensagens codificadas. Por este motivo, foram criados instrumentos com os materiais disponíveis que iam tendo. Os chefes eram os primeiros a incentivar com o propósito de unir o grupo.


No início do séc XIX os escravos começam a aprender a tocar instrumentos ocidentais, o que os torna monetariamente mais valiosos na sua sucessiva “venda” ou “troca”.


Nova Orleãs foi o palco destes acontecimentos pela mistura cultural que apresentava, tanto de africanos como de europeus.


Este género tem como momento principal a década de 1920 a 1960, sendo este período considerado como o auge do Jazz e desta cultura que o rodeia. As suas origens estilísticas nascem de uma mistura de Blues, Folk, Ragtime e Marcha.


Em meados dos anos 30 surge o Swing, primeiro estilo popular do Jazz, de seguida, em 1945 surge um estilo muito mais radical, o bebop sendo ampliado nos anos 50 com o hard pop. Em resposta à agressividade destes géneros aparece no final dos anos 50 o Cool Jazz e no final dos anos 60 surge a fusão do Jazz com o Rock, despertando inicialmente inovação e de seguida dúvida


Ultrapassando agora a história e focando o conceito, particularmente, afirma-se que Jazz não é o que se toca, mas sim como se toca. O Swing e a Improvisação são dois elementos absolutamente necessários na “performance” de Jazz. Diz-se também que uma apresentação de Jazz, não o é se não tiver um pouco de improvisação. Fazer jazz significa assumir um risco pois há que preencher o papel de compositor instantâneo com o risco de preencher um silêncio de possível confronto. O conceito de Improvisação trata-se de produzir, em tempo real no exato momento o que se toca. O Swing, numa definição apresentada por André Francis, significa trazer à execução de uma peça um certo estado rítmico que determine a sobreposição de uma tensão e de um relaxamento, é portanto dar flexibilidade a um ritmo, dar “balanço” a uma frase, e contudo manter a precisão, preservar o foco da música, evitando que ela perca carácter incisivo.


Dentro do jazz existe o Jazz Dance, que é uma expressão pessoal criada também nos mesmos moldes do Jazz original mas passando pela experiência do sapateado, sendo novamente uma crítica às danças usadas pela cultura “branca”. Nos navios usados para transportar os escravos de África para os Estados Unidos, os que não morriam por doença eram obrigados a dançar para se manterem com saúde, usando todo o tipo de instrumentos e danças para o fazer. Da mistura de danças, nasce então o Jazz Dance. Esta expressão artística reveste-se do Modern Jazz Dance, do Soul Jazz, do Rock Jazz, do Disco Jazz, do Free Style e do Jazz.


As características deste género de expressão incluem a isolação, uma explosão de energia que se irradia e um ritmo pulsante que dá balanço certo e a qualidade do movimento.


Em Portugal surge numa garagem em 1948 com o HOT CLUBE DE PORTUGAL, sendo atualmente reconhecido nacional e internacionalmente. Tal como anteriormente referido é um estilo alternativo e por isso de difícil caracterização, vai ao encontro da postura do vocalista (do seu estado de espírito ou maneira de estar na vida) ou do “soulista”.


Focando agora a cidade de Coimbra, ainda em crescimento e reconhecimento cada vez mais valorizado, encontra-se o JAZZ AO CENTRO CLUBE, constituído a 30 de Abril de 2003 no meio de uma parceria com o evento Coimbra Capital Nacional da Cultura, uma maneira de internacionalizar encontros de Jazz no centro do país, tendo como objetivo a divulgação, promoção e ensino deste estilo nacional. As parcerias começam a surgir e em 2005 nasce a primeira revista de Jazz de edição nacional, projeto este de imensa visualização. O festival Itinerante de Jazz nasce em 2006 com o objetivo de levar este estilo musical a todos os municípios portugueses. Passa então a ser reconhecido pelo Presidente da República e com estatuto de Interesse Cultural atribuído pelo Ministério da Cultura. No site do Jazz ao Centro Clube (http://www.jacc.pt/main.php) é possível fazer uma excelente pesquisa desde notícia publicadas sobre jazz, a músicos e correspondente perfil, formações que decorreram ou decorrerão numa data específica e como não poderia deixar de ser, contactos.


Jazz ao Centro Clube tem em Coimbra uma parceria com o Salão Brazil localizado no Largo do Poço, nº 3, 1º andar, no coração da baixa da cidade de Coimbra é palco atual de grandes nomes da música Jazz, conjuntamente com a gastronomia típica portuguesa, um espaço onde se conjuga o bom gosto musical com a excelente gastronomia nacional. É uma Associação Cultural sem fins lucrativos, presa apenas pela divulgação de um estilo tão inconstante e bonito, todas as semanas apresenta uma agenda bastante completa com nomes nacionais e internacionais, é possível a consulta em http://www.facebook.com/SalaoBrazilfan.


por: Patricia da Costa 


*Este artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

DESENHO, DANÇA, JAZZ E BOSSA NOVA NO BOTA-ABAIXO

A Real República do Bota-Abaixo proporcionou no passado sábado, dia vinte de Outubro, um dia de actividades com workshops de desenho e dança e um concerto de Jazz e Bossa Nova.
O workshop gratuito de desenho, teve o seu início pelas dezasseis horas e esteve ao cargo de José Marques, artista conimbricense. O de danças de salão iniciou-se pelas dezoito horas, onde Ana Seiça foi a encarregada. O primeiro contou com nove participantes, neste workshop apenas foram leccionados alguns traços básicos do desenho, já no segundo estiveram presentes treze pessoas e foram praticadas danças como o Tango e o Boogie Woogie. Os dois workshops correram positivamente, tendo os participantes permanecido ao longo do dia na casa.
O dia de actividades terminou com um concerto de Jazz e Bossa Nova, concerto dado por um trio de alunos da “Associação Cultural Sítio de Sons”, de Coimbra. O concerto teve o seu início por volta das 23 horas e teve uma grande afluência a nível de público, tendo estado presentes algumas dezenas de pessoas. Este concerto teve um bom feedback dos espectadores, tendo estes permanecido pela casa ainda por largas horas interagindo com os membros da banda e os participantes dos workshops.
Este tipo de actividades, que são realizadas nas repúblicas de Coimbra com alguma frequência, vêm cada vez mais evidenciar o espírito comunitário e a vivência cultural existente nestas casas.
 
Workshop de desenho

Workshop de danças de salão

República Bota- Abaixo

 
 
por: David Barata, Eduardo Carvalho, Marcelo Carvalho
 
*O artigo não está ao abrigo do novo Acordo Ortográfico