terça-feira, 9 de novembro de 2010

Entrevista a Cláudio Figueiredo

“ ”Santos da casa não fazem milagres”, mas por vezes fazem muitos e ninguém repara! ”

Cláudio Figueiredo, natural de Oliveira do Hospital, é um treinador de basquetebol (desde 1996) que, apesar de jovem é reconhecido e respeitado a nível nacional. Respira a modalidade! Actualmente é seleccionador distrital de Coimbra, feminino, sub-16.

Tiago Cerveira (TC): Como entrou no “mundo do basquetebol”?
Cláudio Figueiredo (CF): Tinha 13 Anos quando arrancou o Basquetebol em S. Paio de Gramaços e tinha alguns amigos a praticar a modalidade que me convenceram a ir fazer uns treinos. A partir daí comecei a gostar da modalidade.


TC: Vivemos num país onde “reina o futebol” mas o basquetebol tornou-se uma paixão?   CF: Sim, poderá dizer-se que é uma paixão. Num país onde o Basquetebol não é um desporto muito falado nem praticado, é com muito prazer e paixão que dou o meu máximo para defender a modalidade.


TC: Durante muitos anos vestiu a camisola do Sampaense. Como é jogar nas camadas jovens de um clube e chegar, primeiro enquanto jogador e mais tarde enquanto treinador, à equipa sénior? (no fundo é sonho de qualquer jovem praticante!)  CF: Quando era mais novo não pensava muito nisso. A partir do meu primeiro ano de júnior o objectivo ou sonho era chegar ao plantel sénior, o que concretizei mais tarde. Com o decorrer dos anos a jogar nos Séniores e a treinar as equipas da formação, começou por ser um sonho e um objectivo chegar um dia a treinador da equipa principal do Sampaense. Então apareceu o convite na época 2008/2009 para fazer parte da equipa técnica dos Séniores, pelo treinador principal, Emanuel Seco. Não posso deixar de dizer que o Emanuel foi um grande “ Mestre “ para mim, com quem evolui e aprendi muito. Foi ele que me deu a mão para chegar a treinador principal. Mais uma vez volto a dizer, Emanuel Seco, grande treinador e um grande Homem!


TC: O facto de ser “um homem da casa” foi uma vantagem ou uma desvantagem?
CF: Tem os seus prós e contras. Sendo um “ homem da casa” conheço bem a realidade do clube e todos os cantos da casa. Um dos grandes contras é por vezes olharem para mim de forma diferente do que para um treinador que venha de fora. É pena certas pessoas pensarem assim, que os de fora tenham outro estatuto, sejam vistos com outros olhos, mas é mesmo assim. Como sempre ouvi dizer “Santos da casa não fazem milagres”, mas por vezes fazem muitos e ninguém repara.


TC: Apesar da descida de divisão, considera que foi uma época positiva para um estreante na Liga Profissional?  CF: Tivemos momentos muito bons durante a época e para o ano de estreia, até às últimas jornadas estava a ser muito positiva. Mas depois tivemos uma fase menos boa, com jogos menos conseguidos e algumas lesões que deitaram tudo a perder. A descida de divisão marcou a época pela forma negativa.



TC: Algum dia pensou “deitar a toalha ao chão” e abandonar? CF: Tivemos momentos em que as coisas não correram muito bem e onde tive que ir buscar todas as minhas forças para não me ir abaixo. Desistir nunca! Nos momentos maus é que temos que dar a volta por cima e é isso que eu tento sempre fazer. Quando as coisas correm bem toda a gente nos dá uma palmadinha nas costas, aí é fácil.


TC: Gostaria de voltar a orientar o Sampaense? CF: Sim, claro que sim! O Sampaense sempre foi e sempre será o clube do meu coração! Se realmente a minha carreira for “além fronteiras”, a NBA é o sonho de qualquer apaixonado pela modalidade, gostaria de acabar a minha carreira de treinador no mesmo clube onde comecei e concluí a de jogador e, por sua vez, onde comecei também a de treinador, no Sampaense!

 


TC: Como surgiu o convite para seleccionador distrital de Coimbra, femininos, sub16?   CF: O convite surgiu após a minha saída do Sampaense. Já há alguns anos que a Associação de Basquetebol de Coimbra me tem contactado para participar nos campos de treino da Associação, mas não tinha sido possível, por motivos profissionais.


TC: Como é o processo até chegar à convocatória final para cada jogo?
CF: É um processo que passa por várias etapas até chegar à convocatória final, para cada estágio de observação. Começamos com a observação de jogos e treinos das diferentes equipas do distrito. Tanto eu como o meu adjunto tentamos obter a maior informação possível sobre as atletas. Estamos também sempre em contacto com os treinadores dos clubes para nos darem o máximo de informação.


TC: Quais os cuidados a ter devido ao facto de ser uma equipa feminina?
CF: É a primeira vez que estou a trabalhar com uma equipa feminina mas os meus métodos de trabalho são exactamente os mesmos em relação ao masculino. A única diferença do jogo/treino que existe é a intensidade e a força física, de resto não existe grandes diferenças. Em termos tácticos temos que mudar algumas coisas. Nos últimos anos estive ligado a competições de escalão sénior, não me posso esquecer que além de estar a trabalhar com uma equipa feminina, também estou num escalão de formação.


TC: É mais difícil gerir um balneário masculino ou feminino?
CF: Essa é uma pergunta complicada (risos)! Como treinador principal não tenho por hábito ir ao balneário. Na minha opinião o balneário é dos jogadores. Quando é mesmo necessário peço ao meu adjunto. No caso do feminino é mais complicado. Para isso serve a capitã de equipa, quando é necessário transmitir alguma coisa, ela é a porta-voz.


TC: Objectivos deste projecto?
CF: Por parte da Associação de Basquetebol de Coimbra não me foi exigido nada em termos competitivos. Apenas trabalho para continuar a desenvolver o basquetebol no distrito e podermos ter atletas com maior qualidade. Por vezes não é muito fácil trabalhar nas Selecções como eu e outros seleccionadores pretendíamos. Não temos muito tempo para trabalhar com as atletas seleccionadas, devido aos compromissos que elas têm nos clubes.


TC: Objectivos pessoais ?
CF: Como objectivos pessoais tenho alguns… Tendo em conta que estou a trabalhar apenas com a Selecção Distrital de Coimbra. Tenho mais tempo para observar outros jogos e treinos do que alguns colegas meus. Na época passada a classificação final desta selecção foi um 5º lugar no inter-selecções. O objectivo a que me proponho, em conjunto com a minha equipa técnica e com as atletas , é conseguir atingir as meias finas da competição, a partir daí tudo pode acontecer. Mas é sempre muito difícil de se apontar metas neste tipo de competição. Tudo depende também dos sorteios dos calendários da 1º e 2ª fase. Sabemos que na primeira fase ficámos no grupo de Aveiro e Açores. A primeira selecção é sempre uma candidata ao título de campeão nacional, por isso, uma equipa muito forte. Os Açores, pelas informações que tenho, costumam também ter equipas bastante fortes. Tenho muita confiança no grupo de atletas que já tive oportunidade de observar, onde na minha opinião, existe muita qualidade e vontade de trabalhar. Vamos pensar jogo a jogo, fazer as contas no final e esperar que alguns factores, que são necessários, estejam do nosso lado. Para finalizar se atingirmos as meias-finais, penso que é bastante positivo. É claro que pretendo sempre mais.


TC: Quer deixar uma mensagem aos jovens praticantes? CF: Nunca se esqueçam do mais importante, os estudos! Existe tempo para tudo. Em relação ao basquetebol, trabalhem muito, só com trabalho é que se pode evoluir e ser melhor que ontem. Estejam atentos aos vossos treinadores, porque eles querem o melhor para a equipa e para os jogadores. Outra coisa que sempre ouvi desde pequeno “ temos que ir treinar” e não apenas “ ir ao treino”. São duas situações muito diferentes!



Por Tiago Cerveira

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