quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Outra alternativa para o futuro

      
        Carina Ribas frequentou a escola profissional Profitecla, no pólo de Guimarães, onde concluiu o curso de Serviços Jurídicos, com média de 16 valores, em meados de 2009. Desde então que um dos seus problemas é a pouca oferta e a elevada procura no mercado de trabalho. Apesar de esta escola defender que promove aos alunos um tipo de ensino relacionado com a realidade do mundo de trabalho, Carina continua sem aplicar o que aprendeu.

 
Ana Teixeira (AT): Porque decidiu frequentar um curso profissional em vez de ir para o ensino superior?

Carina Ribas (CR): Nunca pensei em ir para o ensino superior. Na altura a minha intenção era mesmo ter o 12º ano, mas tê-lo com alguma especialização.



AT: Acha que esses cursos têm vantagens relativamente ao ensino superior?

CR: Penso que sim. Apesar de nunca ter frequentado uma universidade ou um instituto politécnico, acho que a nível prático um curso profissional é capaz de ser melhor. No entanto, penso que o ensino superior prepara muito melhor a nível teórico.



AT: Os cursos profissionais são caracterizados por ter uma forte ligação com o mercado de trabalho. Concorda?

CR: Acho que isso está um bocado relacionado com a sorte de cada um.



AT: Depois de ter terminado o curso não apareceram ofertas de trabalho relacionadas com o mesmo?

CR: Não, porque nesta área em que estou é complicado arranjar trabalho. Sei que está difícil em qualquer área, mas nesta área está mesmo mau. Só querem estagiários, aproveitam-se deles e trabalho nada.



AT: Acha que os cursos profissionais preparam bem os alunos para o mercado de trabalho?

CR: Acho que sim, pelo menos eu sinto-me completamente preparada para trabalhar como técnica de serviços jurídicos.



AT: Sente que ter um curso é muitas vezes um impedimento para conseguir arranjar um trabalho?

CR: Sem dúvida. Já fui a várias empresas, principalmente confecções, em que é exigido o 9º ano e, se uma pessoa tem mais ou mesmo menos habilitações do que as exigidas, já não serve para o lugar. Parece que vamos fazer algo que a nossa escolaridade não permite. Já ouvi muitas respostas do género: “não queremos pessoas dessas aqui”, só por eu dizer o curso que tenho.



AT: Como ex aluna de um curso profissional como vê a crescente adesão que estes cursos têm tido nos últimos anos?

CR: Começo a achar que há um excesso de cursos profissionais.



AT: Acha que essa forte adesão está relacionada com o facto de muitas pessoas considerarem os cursos profissionais mais fáceis do que o ensino superior?

CR: Realmente acho que muitas pessoas pensam que os cursos profissionais são mais fáceis, mas isso também depende da área. No meu curso havia mesmo muitas exigências, achei que tinha um elevado grau de dificuldade. Talvez não seja como no ensino superior, mas não era aquele facilitismo como as pessoas pensam que é, pelo menos na área e na escola que eu estive.



AT: Aconselhava um aluno que está a terminar o seu terceiro ciclo a optar por um curso profissional?

CR: Depende. Se ele tiver a ideia de ir para a universidade, incentivava-o a ir, sem dúvida. Mas se não tiver mesmo aquela força de vontade, acho que o melhor é mesmo tirar o 12º ano com um curso profissional.



AT: Está arrependida por ter tomado essa decisão?

CR: Houve momentos em que me arrependi, principalmente quando ouvia certas respostas, mas chego à conclusão que é ignorância da parte das pessoas e não me arrependo.


Fontes:
Escola Profissional Profitecla
Declaração prestada por Carina Ribas


Ana Teixeira
Grupo 4

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