quinta-feira, 18 de outubro de 2012

“Canta a bela canção de Coimbra”



Cristiano Sousa

Numa época onde se vive intensamente o espírito académico da Festa das Latas – Imposição das Insígnias, fomos entrevistar um elemento do Grupo Fados de Coimbra, Cristiano Sousa, finalista do curso de Turismo, Lazer e Património da Faculdade de Letras. Cristiano, natural de Carrazede de Ansiães, cantou na serenata da Festa das Latas, no passado dia dez de Outubro na Sé Nova.




                     por: Soraia Pinheiro e Liliana Pastor


Posts de Pescada: Quando veio para Coimbra estudar, ingressou em alguma tuna?
Cristiano Sousa: Quando vim para Coimbra estudar, no ano de 2009 ingressei na Estudantina, mas estive lá pouco tempo. Entretanto, em 2010, convidaram-me para entrar no Grupo de Fados da secção de Grupo de Fados da Associação Académica de Coimbra, no qual permaneço até à atualidade.

PP: Quais foram os motivos que estiveram na origem da sua entrada para o grupo musical?
CS: O que me levou a entrar e a participar num grupo musical académico foi o gosto pela música que usufruo desde criança. Desde pequeno, gostei sempre da canção de Coimbra, principalmente a partir do meu 7º ano, que comecei a ouvir constantemente estas músicas estudantis.
Por outro lado, conhecia pessoas da minha terra, que estudavam em Coimbra e que, por sua vez, também ingressaram em grupos estudantis e me elucidaram para participar, caso tivesse oportunidade.
Sempre quis entrar no Ensino Superior em Coimbra. Quando soube que entrei, foi a minha maior alegria, tanto para tirar a licenciatura, mas também por saber que iria ter a oportunidade de fazer parte dos grupos musicais estudantis de Coimbra, e assim, cantar a bela canção de Coimbra.
Quando cheguei a Coimbra, convidaram-me para entrar para a Estudantina, mas permaneci lá pouco tempo, até um estudantino me convidar para participar num grupo de Fados. Logo aceitei, uma vez que era aquilo que realmente queria.

PP: Qual é a sua função no grupo de Fados? Porquê?
CS: Tanto na Estudantina como no Grupo de Fados, entrei para cantar, pois é aquilo que mais gosto de fazer. Desde pequeno que tenho uma grande paixão pela música, pelo cantar, e sobretudo, pela canção de Coimbra.
Também gosto de tocar e toco alguns instrumentos, mas prefiro cantar, daí ter ingressado no Grupo de Fados.
Numa tuna, como a Estudantina, podemos cantar e tocar ao mesmo tempo, aliás, é essa a nossa função. Ao invés, no Grupo de Fados, especializamo-nos ou nas cordas (na guitarra de Coimbra ou na guitarra clássica) ou no canto.

PP: Qual é a sua visão perante o Fado de Coimbra?
CS: O Fado de Coimbra deve ser entendido, antes de mais, como a canção de Coimbra, uma vez que comporta músicas estudantis. O grupo de Fados faz uma representação muito importante da canção de Coimbra, tal como a Pitagórica, o Rancho típico, bem como a Estudantina Universitária.
A canção de Coimbra, no fundo, é a junção de toda a cultura portuguesa no centro de Coimbra, tendo em conta os vários dialetos, as várias formas de tocar e de representar em palco e em público, constituindo, desta forma, a famosa Canção de Coimbra.

PP: O que sente quando sobe ao palco?
CS: Em primeiro lugar sinto medo e nervosismo de ver muitas pessoas (ou não). Antes de subir ao palco existe sempre aquele nervoso miudinho juntamente com adrenalina. Fico com medo e receoso, mas ao subir ao palco e ao iniciar o canto, parece que tudo passa.
Além disso, antes de vir para Coimbra e ingressar no grupo de Fados, fiz parte de um grupo de cantares na minha Terra, e portanto, já estava habituado a cantar para muita população e a participar em encontros de grupos musicais. No fundo, já sabia o que era o nervosismo e o medo inicial que sentimos.

PP: Tem recordações da primeira vez que pisou o palco?
CS: Eu não tinha medo nenhum de estar em palco, pois, já estava habituado a ver muitas pessoas, em encontros de grupos de cantares a que pertencia, de música tradicional, na minha localidade e não tinha receio porque já estava habituado.
A minha primeira atuação foi numa apresentação que o grupo de fados rapsódia fez para os Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra no polo II.

PP: Tem alguma noção da importância da serenata?
CS: A importância da serenata em todas as festas estudantis, grandes ou pequenas, outrora iniciavam-se com o fado de Coimbra e hoje, ainda na atualidade, vê-se essa tradição. Já investiguei o porque de se iniciar sempre com uma serenata mas ninguém me soube explicar.
Já perguntei, inclusive, à própria população de Coimbra e o que sempre me disseram é que em todas as festas começa sempre com a serenata, tanto na queima das fitas, como na festa das latas. Apesar de agora a festa das latas ser já uma festa como a queima, mas outrora a festa das latas era só um dia em que cada faculdade celebrava num dia à sua escolha.

                                                                                          

O artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico 



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