quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Jantares de curso … uma tradição que já faz parte de Coimbra

Armando Ferreira é gerente e cozinheiro do Restaurante "Pingão";
Setembro, mês dos estudantes regressarem à cidade que muitos abandonaram durante as férias: Coimbra. Já é tradição entre os cursos organizarem jantares para reunirem todos os alunos. Conhecer os novos estudantes e reencontrar os amigos são alguns dos objectivos destes jantares, onde os ingredientes procurados são o convívio e a diversão. 
O Restaurante “Pingão”, na zona da baixa de Coimbra, é um dos sítios procurados para este fim. Armando Ferreira, de 40 anos, gerente e cozinheiro do restaurante, há muito que está familiarizado com estes jantares universitários. 

por: Ana Ferreira e Vânia Santos

Posts de Pescada - Costuma ter muitos jantares de curso? Quais são as alturas em que são mais frequentes?
Armando Ferreira - Desde que mudaram o cortejo para o Domingo, tivemos uma grande quebra nos jantares de curso. Antigamente tinha sempre 4/5 dias (na altura da Latada e Queima das fitas) com grupos entre 100 e 150 pessoas. Agora só tenho grandes grupos no dia das serenatas. Não sei se foi por terem mudado o recinto das festas para a margem esquerda do rio ou se foi pelas dificuldades económicas dos estudantes nestes tempos. 

PP – Estes jantares de estudantes universitários são muitas vezes vistos como irresponsáveis, as coisas costumam ser calmas ou já houve alguns problemas?
AF - Em oito anos que tenho o restaurante só tivemos um problema maior. Tinha dois cursos diferentes na sala e começaram a pegar-se. Tirando isso, algumas bebedeiras como em qualquer lado. Em algumas delas tivemos estudantes a entrar em coma e houve uma situação em que um me partiu o vidro da porta e se cortou. Com o álcool é normal. São jovens, gostam de beber, muitas das sinalizações do restaurante são roubadas nestes jantares, houve mesmo um grupo que me levou um extintor! Mas a maior parte dos jantares são calmos e sem situações de grandes problemas. 

PP - Qual é o seu ponto de vista acerca destes jantares?
AF - Sou de acordo com estes jantares. Além do convívio entre os estudantes, que é importante para eles se conhecerem, para nós também o é. Aliás, nestes jantares de curso, arranjei grandes amigos estudantes que depois de saírem de Coimbra ainda nos visitam. 

PP - São uma mais-valia para o seu restaurante?
AF - Para a economia da restauração são muito importantes. Ainda mais com a situação que estamos a viver agora no país. 

PP- E sobre as tradições académicas, qual a sua opinião?
AF - Ultimamente a tradição académica tem mudado muito. Todos os anos inventam e mudam o que fazia parte da tradição.
Eu não tenho nada contra as praxes e afins, mas acho que há oito anos atrás eram totalmente diferentes. Mesmo o respeito entre os estudantes era diferente. Os cortejos da Latada e da Queima das Fitas tinham outro tipo de apresentação. Mesmo os jantares eram durante toda a semana das festividades e agora não. Mas é normal, os tempos mudam e a economia não é o que era.

PP – E para o futuro, o que espera destes jantares? É de acordo com a continuação destas tradições?
AF – Como proprietário de um restaurante, gostava que volta-se a ser como era antigamente. Todos os dias com o restaurante cheio, mas claro que muito dificilmente voltará a ser o que era.
Relativamente ao progredir das tradições, sou totalmente de acordo. Coimbra é uma cidade de estudantes e são estas festividades que fazem de Coimbra o que é. Todos nós gostamos de os ver na altura da Latada com os caloiros pela rua e na Queima com os seus carros, mesmo aqueles que reclamam destas tradições. Deve-se manter a tradição porque é um momento especial para os estudantes que chegam ou que saem da Universidade. Até porque são marcas importantes na vida de cada aluno que passa por Coimbra. 


*Este artigo não foi redigido ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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