quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Noc Noc e as portas abrem-se


Durante os dias 5, 6 e 7 de Outubro na cidade de Guimarães decorreu a segunda edição do projeto  “Guimarães Noc Noc “. Um projeto que visa a promoção das artes e que fornece a desculpa perfeita para a descoberta da cidade, tanto pelos próprios vimaranenses como por quem chega à cidade pela primeira vez. 
Cartaz publicitário ao Guimarães Noc Noc


Um grupo de seis amigos apaixonados pelas artes juntou-se no ano de 2011, com o intuito de se quererem associar a Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, mas sem necessitar das autorizações e burocracias para exporem. Em mais um ameno convívio entre amigos, numa das suas casas, eis que surge a ideia de um projeto onde cada um abre as portas de sua casa para receber um artista ou expor a sua própria coleção artística ao público em geral. “A ideia essencial do projeto sempre foi a promoção das artes”, referiu desde logo Adriana Miranda Ribeiro, uma das organizadoras do evento.

O evento que mais tarde se daria pelo nome de “ g’ noc noc “, sempre teve o intuito de tornar as artes acessiveis a toda a população sem qualquer restrição económica ou social. Abriram-se as portas das casas, das garagens, das lojas, a todos os artistas voluntários para exporem as suas obras e deixavam-se entrar os vários cidadãos neste novo mundo artístico criado em volta de Guimarães 2012, “Não há desculpas para não ter onde publicar os trabalhos ou não poder entrar no evento”, constatou Adriana Ribeiro. Na primeira edição reuniram-se 150 projetos e 300 artistas em 41 espaços.

Guimarães Noc Noc viu a sua segunda edição sair à rua durante o passado fim-de-semana. Devido ao enorme sucesso obtido nos dois dias realizados no ano de 2011 houve um aumento no número de espaços e artistas na edição de 2012. “ Deu-se este aumento por dois grandes motivos, primeiro este ano Guimarães e o g’Noc Noc estão envolvidos no grande enredo da Capital Europeia da Cultura e em segundo pelo grande nível de público atingido na primeira edição. “, Adriana Ribeiro. Este ano contaram com a presença de 320 projetos e 500 artistas em 70 espaços.

Durante o evento e já como no ano de 2011 tinha acontecido, foi preciosa a ajuda prestada por todos os voluntários. Estes abrangem todas as faixas etárias, são desde estudantes, a professores, familiares, amigos ou até mesmo os vizinhos. A entreajuda vivida, o espirito de conhecimento e a envolvência da comunidade artística criam durante estes dias na cidade uma euforia e excentricidade vividas ao máximo.

Dos 500 artistas presentes nesta edição existe uma forte percentagem de artistas internacionais. Oriundos das mais variadas partes do mundo como Japão, Brasil, Alemanha, Espanha, Holanda, entre muitos outros. Quando chegam a esta pequena cidade do norte de Portugal ficam fascinados com todo equilíbrio e ligação existente entre o passado e o presente, o rústico e o contemporâneo. Segundo Adriana Ribeiro uma das surpresas em 2012 foi a receção de tantos artistas vindos do Japão, “Depois da edição anterior e do seu sucesso, conseguimos um contacto com a EU Japan Fest, associação de apoio à cultura japonesa e os artistas receberam muito bem a ideia, daí este ano termos connosco uma grande comunidade artística japonesa”.

Hirofumi Masuda, jovem artista de 30 anos, oriundo do Japão trouxe até Guimarães a sua peça para alertar consciências. “Desde o desastre de Março 2011 no Japão que passei a prestar ainda mais atenção ao poder político e às suas ambições sem medidas, queria expressar a minha opinião e tudo o que sentia naquele povo afetado, mas queria faze-lo através da minha arte, para isso desloquei-me até às terras afetadas pelo desastre nuclear. E assim dei inicio a este documentário acompanhado pela frase – “Live with nuclear power”, explicou o artista.

“Live with nuclear power” – Instalação – Hirofumi Masuda
 
 
Já Diogo Barros de 29 anos, licenciado em Design de Comunicação, expos pela primeira vez na sua vida neste segundo ano de g’ Noc Noc. “Vim na edição passada como amigo e curioso, gostei muito da iniciativa e este ano decidi candidatar-me e expor os meus trabalhos” contou Diogo, no último patamar de uma das casas do centro histórico da cidade, onde se encontrava em exposição a sua BD (banda desenhada).

“Simples Alquimia bd” – Ilustração – Diogo Barros

 
Todo este contraste entre artistas, gentes da terra e turistas trás uma nova revitalização à cidade. Como Hirofumi Masuda referiu é interessante e maravilhoso ver como toda a arquitetura da cidade conta e relata a história de um país, mas dentro dessas casas e paredes da cidade nasce e borbulha todo um novo ar contemporâneo, de apoio às artes.

E no final depois de tantas parcerias e ideias novas terem surgido com estas duas edições, a organização pensa manter e quem sabe tornar este um evento anual e a não perder em qualquer guia turístico/artístico mundial.
 por: Joana Correia

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