domingo, 18 de novembro de 2012

Mão direita, é penálti


Noite de quinta-feira em Coimbra, a Praça Da República está repleta de estudantes universitários sedentos de diversão. O ambiente, como em todas as quintas à noite, está ao rubro, cheira a cerveja, vinho e a fumo, colam os degraus das escadas Monumentais da Universidade, há álcool entornado por todo lado. Quem chega, vai-se sentando em grupos nas escadas, esplanadas e até mesmo no chão da praça. Os jovens juntam-se aqui para beber garrafas de sangria, vinho ou cerveja de litro, que previamente compraram em supermercados. Sai mais barato. Tudo isto, é apenas o início de mais uma noite.
Vão-se aglomerando cada vez mais jovens estudantes, cada vez mais bebidas. Começa a haver gente sentada às portas dos prédios e de bares. Também o Jardim da Sereia é frequentado nestas noites por jovens, sem-abrigo e toxicodependentes. Diz-se que é um sítio cada vez mais perigoso, onde a grande maioria dos adolescentes noctívagos teme entrar para lá das 22:00 horas. Com o passar do tempo vão-se acumulando garrafas vazias na praça, em volta dos bancos e nos jardins, um pouco por toda a parte.
Gonçalo Correia, é estudante de Geografia, segundo ano. Costuma encontrar-se aqui, na Praça da República quase todas a quintas-feiras à noite com os seus amigos. “É hábito juntarmo-nos todos aqui para beber umas “litrosas”. Eu cá prefiro o traçadinho (mistura de vinho branco e gasosa), mas isso pouco importa, queremos é beber uns copos, e depois então vamos fazer a ronda dos bares, fica mais barato assim, e gastamos menos dinheiro lá dentro. É claro que gostava de experimentar aquelas bebidas finas todas coloridas que vendem por aí, mas são muito caras”.
Avançando em direcção à Sé velha, uma jovem loura, de saia e devidamente maquilhada chama os colegas num tom alto, "Pessoal vamos ao Bigorna!". Leva a garrafa numa mão e o cigarro na outra. Os amigos, que já demonstram sinais de embriaguez, juntam os trocos para ver o que se pode beber por lá. Afinal no “Bigorna não se gasta assim tanto, as bebidas lá são do mais barato que se encontra por Coimbra, a música é fixe e dá sempre para conhecer alguém novo”, argumenta a jovem.
“Eles agora não têm cuidado nenhum, sujam tudo, de manhã tenho que lavar sempre aqui o passeio à minha porta. São garrafas vazias, vomito, beatas. O chão até cola, há uns vinte trinta anos atrás isto não era assim, a juventude respeitava muito mais a cidade”, admite uma idosa que, à uma da manhã, timidamente espreitava pela janela do seu quarto os jovens que ali passavam. “Não consigo dormir nestes dias assim, aqui na Sé há muitos bares, é muito barulho”.
Com o avanço da noite, o coração da Praça da República vai ficando deserto, cheio de lixo. Os trabalhadores da câmara municipal, começam a limpar toda aquela zona . Os jovens refugiam-se em bares e discotecas nas proximidades. Vão a pé como é lógico, as pernas de um estudante aguentam muito. Há bares para todos os gostos, uns de música comercial onde a “massa” dança até amanhecer, outros com a chamada “música pesada”, e até mesmo sítios mais calmos, os espaços que os jovens chamam “chill-out”, “dá para descansar os pés e a cabeça quando a noite vai longa” dizem eles.


No final de cada noite, perdão, início de cada manhã (de sexta-feira), os jovens regressam às suas casas universitárias, grande parte deles embriagados ou já com a famosa ressaca, uns para tomar um banho e ir à primeira aula do dia, que já sabem, produtiva não será certamente, pelo menos para eles. Outros apenas para dormir o dia inteiro antes de uma viagem de regresso às suas terras natais, para passar dois dias de descanso com a família, após uma longa semana académica.

por: Marcelo Carvalho
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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