domingo, 25 de novembro de 2012

Poeta moderno usa a musica como instrumento de inclusão social



Rapper integrante do movimento 239 e do grupo Sbt2, Mc Ruze crê que a sua música e a música em geral, é necessária para mudar a mentalidade que Coimbra tem em relação ao Bairro da Rosa e transformar a forma de os habitantes, especialmente os mais pequenos, verem o mundo.

O músico conimbricense Rui Rodrigues é já reconhecido no meio musical do hip hop da zona centro. Conquistou maior projeção nacional após o lançamento do seu primeiro álbum, “1440 Minuto a Minuto”, em 2007. Começou pouco tempo depois um novo projeto, “União vs Exclusão” (acompanhado da label k7caseira), com objetivo de aliar à música uma vertente de intervenção social, demolindo as fronteiras entre bairros sociais de Coimbra. Um projeto feito com muita dedicação para apreciar, cativar e motivar os jovens para uma participação ativa e positiva na sociedade.

Foram os amigos que lhe deram a conhecer o hip hop e desde cedo foi difícil sustentar e manter vivo o movimento numa cidade que nunca havia tido qualquer ligação com este género musical ou outra arte alternativa. Aprendeu “breakdance” para animar o parque aos domingos à tarde, mas o seu sonho era poder expressar-se de uma forma mais explícita e foi então que começou a escrever e a rimar por cima de batidas ou músicas.

Era uma altura em que os telemóveis e computadores eram escassos e a internet era quase um mito por isso foi-lhe difícil conhecer pessoas no meio. À medida que foi conseguindo, foi chegando a mais locais e no Verão, começavam as festas de hip hop na Figueira da Foz. Foi assim que conheceu o Dj Kripesh e com ele gravou “Mc Ruze & Dj Kripesh ao vivo na F.Foz”.

Durante algum tempo fez trabalhos sozinho e distribuiu pelos amigos e pelas ruas da cidade mas com o Sasi converteu o seu projeto pioneiro no seu primeiro álbum.

“União vs Exclusão”

Coimbra unida contra a exclusão social é um projeto do Mc Ruze, onde quis envolver os mais jovens moradores do Bairro da Rosa. «Quero acabar com o preconceito. Mostrar que os bairros, sejam ricos ou pobres, têm todos os mesmos problemas, de droga e de toxicodependência, de violência doméstica e nas ruas, mas também o mesmo afeto e boas relações». Foi com esta vontade de mudar o mundo que apostou neste projeto.

O desafio surgiu na sede da Associação InRealidades (Bairro da Rosa) e na sessão de apresentação do projeto atuaram Mc Ruze e os músicos convidados Mabro, Dj Sweat, MXL e Sasi.

“União vs Exclusão”, partiu da necessidade de «dinamizar o Bairro da Rosa e interagir com os seus jovens», de forma a combater a exclusão social. «É uma responsabilidade social, ao mesmo tempo que é também uma forma de tirar a Coimbra os aspetos negativos, mostrando uma outra faceta».
Por que não mostrar aos jovens “outro mundo” através das rimas de uma canção? Pensou em montar um mini-estúdio no bairro para que os “miúdos” pudessem gravar as suas músicas, sejam elas rap, hip-hop ou qualquer outro estilo musical, pensou mesmo lançar um “EP” (álbum com sete músicas, no máximo) com o resultado final.

Organizou um concerto no bairro, com o apoio da Associação InRealidades, com nomes sonantes da música,como Da Weasel,que já estavam confirmados, mas inesperadamente a autarquia, que inicialmente tinha aprovado o espetáculo, cancelou tudo um dia antes, para desilusão dos muitos miúdos (e graúdos) que já olhavam para a música como uma fuga à realidade menos feliz da zona, mas que «não a transforma numa zona onde não mora gente boa».

Ruze apoia-se na música de intervenção social para juntar pessoas. O músico lamenta ter-se criado um estigma em relação ao Planalto do Ingote quando «o que há naqueles bairros, também há no Norton de Matos, ou na Quinta de S. Jerónimo, ou em qualquer outro da cidade». Apesar de algumas dificuldades, até porque fez questão de lançar o projeto sozinho, com os seus meios financeiros, voltou a “pôr mãos a obra” e, se ainda não conseguiu abrir o tal estúdio no Bairro da Rosa, não deixou, porém, de gravar o seu próprio “EP”, que se chama justamente “União vs Exclusão”. «É um trabalho inteiramente dedicado ao projeto», afirmou, com esperanças de não voltar a ter dificuldades em conseguir ajudar os outros.

MAIS RECENTE PROJETO


Atualmente Ruze é também conhecido por Soldado Zeru e já tem um novo projeto. Conta com VTR e Somático no “Projecto Crónico”, que surgiu numa conversa informal entre ele e Ludgero, com quem já havia trabalhado. São novas experiências musicais e apesar de não haver ligação entre este e o anterior projeto, continua a existir uma forte vontade de alertar pessoas através de mensagens positivas e de união.

por: Eva Pina 

*Este artigo está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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