quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Uma viagem no “Sagres”

É com nostalgia no olhar que Patrícia Duarte fala da sua viajem pelo Navio Escola Sagres, experiência que lhe mudou a vida e fez com que estivesse no lugar onde está hoje. Foi no CAE da Figueira da Foz a partilhar um café que Patrícia relembra esta aventura.

Patrícia Correia Duarte, 22 anos da Figueira da Foz.
Jogadora de basquetebol durante 12 anos e árbitro de
futebol. No ano de 2008 foi admitida na Escola-Naval
saindo no ano de 2010. Estudante na Escola Infante Dom
Henrique de gestão portuária. Estagiária na empresa “Orey
Shipping” e diretora da revista “Mar de Cá” lançada a
28 de Março de 2012.

P.P. - Como foi a experiência de viajar no navio-escola Sagres?
P.D. - Começou por ser a experiência que despertou ainda mais a minha curiosidade para o meio marítimo.

P.P.- O que sentistes a primeira vez que viste o navio?
P.D.- O primeiro momento em que chegamos ao navio foi em San Diego, a primeira sensação foi mesmo a do “jet-lag” mas quando vi o navio, senti que era ali que pertencia e que seriam três meses espetaculares. O Sagres é muito mais que um navio tem um espírito emblemático à volta. Torna as pessoas numa família apesar de nos sermos cadetes e realizarmos apenas o tempo de verão tínhamos à frente uma guarnição que dava a vida pelo navio, que ficam lá um ano inteiro fora das famílias, para levar um pouco do “Sagres” pelos portugueses espalhados pelo mundo.

P.P.- Como é que passavam os dias no navio?
P.D.- Nos acordávamos íamos formar e tínhamos de fazer as atividades que nos eram destinadas, pintar, limpar, tudo o que fosse necessário para o navio estar sempre impecável, Aprendemos a subir aos mastros, existiam cadetes responsáveis pela faina outros responsáveis pelo briefing e ainda cadetes que iam ao leme, claro que nestas atividades rodávamos, e tínhamos ainda aulas sobre partes específicas do navio.


P.P.- Para além das atividades diárias e obrigatórias tinhas momentos a que pudessem ser chamados de “lazer”?
P.D.- Sim. Tínhamos por exemplo educação física, nos dias de festa, como foi o caso do dia de São João que fizemos as marchas populares a tripulação mascarou-se, houve pessoas a dançar rancho, tocar guitarra.
Quando alguém fazia anos havia bolo de anos para comemorar, Fazíamos também torneios de futebol com campeonato e taça, torneios de sueca. Nunca estávamos desocupados (risos).


P.P.- E quando atracavam nos portos tinham tarefas?
P.D.- Sim, eramos responsáveis por mostrar o navio às pessoas, recebê-las, prestar-lhes o melhor serviço. Cada um tinha a sua função, que também iam rodado, mas ou erámos relações públicas ou cadete-adjunto oficial de serviço.

P.P- Alguma experiência mais assustadora ou algum momento em que experienciaste medo?
P.D.- Não posso considera-lo assustador, mas tive um grande momento de adrenalina (risos). Já estava escuro e tivemos de subir aos mastros e eu subi ao grande e os cadetes iam todos equipados com mosquetões e eu quando tinha subi e o navio estremeceu e tive que me agarrar ao mastro e foi aí que me apercebi que estava solta que não me tinha prendido e que tinha-me agarrado ao mastro apenas com a força dos meu braços e foi quando pensei que podia ter morrido se aquilo tivesse corrido mal.

P.P- Melhor experiência a bordo, tiveste alguma?
P-D.- Várias, mas provavelmente a melhor foi na Coreia do Sul o navio estava parado, estava a trocar óleos acho eu, então fizemos uma regata o Sr. Engenheiro contra o comandante. Fizemos equipas eu estava na do Sr. Engenheiro, tínhamos de chegar a uma boia e voltar para trás, estava a chover torrencialmente e muita ondulação e nos ganhámos, ganhámos à equipa do Comandante o que foi um orgulho enorme (risos).
 Nos portos não posso distinguir uma experiência porque conheci muitas pessoas que me ajudaram e com quem ainda continuo a falar, no Japão por exemplo conheci uma senhora japonesa e a família dela que foi espetacular comigo e até já me veio visitar aqui também tive imensos convites nos portos para ficar lá a trabalhar. Ser considerada a melhor cadete de relações públicas, também foi uma das melhores sensações.

P.P- Destacas a experiência de viajar no “Sagres” como a melhor do tempo que estiveste na escola naval?
P.D.- Sem dúvida que da escola naval sem ser os meus camaradas, trago apenas dois momentos, os treinos de basquetebol e a viagem no “Sagres”. Mas infelizmente a viagem não foi suficiente para me prender à escola naval porque o “Sagres” não é a realidade da marinha portuguesa, mas foi bom para mim porque aproveitei algo que muitos não conseguem aproveitar.

P.P- Mudando um pouco de assunto, neste momento és diretora da revista “Mar de Cá” e estás na área da gestão portuária, dirias que a viajem pelo “Sagres” contribui de alguma forma para essa mudança?
P.D.- Sim acho que em parte influenciou esta mudança. Incutiu-me a paixão pela área do shipping (gestão portuária) quando estabeleci contactos na viagem, o que fez com que saísse com mais certeza da Escola Naval e fosse tirar o curso para a Escola Náutica Infante Dom Henrique.
Neste momento estou a estagiar na empresa “orey-shipping”, iniciei o projeto da revista “Mar de Cá” que começou apenas por ser uma ideia e acabou por ter financiamento total, saindo o segundo exemplar já daqui a 6 meses. Estou bastante realizada com isso.

Por: Cristiana Peres

*Artigo escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.




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