quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coimbra vista de dentro

Coimbra é conhecida historicamente por ser a universidade mais antiga de todo o país e a terceira mais antiga da Europa. Fundada em 1920 é também conhecida como a «cidade dos estudantes». Todos os anos milhares de jovens se mudam para Coimbra para poderem ingressar na Universidade, no entanto existem também muitos estudantes conimbricenses que frequentam esta instituição. Desta forma, esta entrevista destina-se a dar a conhecer melhor a visão de alguém que nasceu e vive em Coimbra em relação a toda vida académica antes e depois de entrar para o ensino superior. O testemunho é dado por Rafael Garcia, um jovem de 19 anos habitante de Coimbra, que frequenta o segundo ano no curso de Matemática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).


Como é que encaravas a vida académica de Coimbra mesmo antes de seres estudante universitário?
- Sempre considerei como algo característico e tradicional da cidade, Coimbra é essencialmente conhecida pela Universidade e pela vida académica. Acho caricato ver turistas a fotografar os estudantes trajados ou até mesmo os caloiros. É interessante ver que uma situação que para mim é tão normal, para outras possa ser algo completamente novo e desconhecido. Mas ainda bem que isto acontece, pois é uma forma de promover o turismo e a cultura da minha cidade.



O que é que mudou na tua vida a partir do momento em que começaste a estudar na Universidade?
- Em primeiro lugar, foi bastante enriquecedor a nível pessoal, pois como estudante passei a ter mais noções de trabalho e passei a ser mais responsável. Em termos de vida académica, comecei a perceber melhor a importância e o peso que esta tem na vida dos estudantes em geral. Antes sentia-me como um mero «espectador». Como por exemplo, eu gostava de assistir aos cortejos mas de certa forma não conseguia sentir a sua verdadeira essência, para mim era simplesmente mais uma festa dos estudantes. Hoje, olho para um cortejo como um dos dias mais importantes de todo o meu ano, e tem muito mais valor.




Frequentaste as praxes de curso no teu ano de caloiro?
- Sim.

Como vias as praxes antes de seres um aluno universitário e como é que as vês agora?
- Para ser sincero, enquanto aluno de secundário assisti a várias praxes e não gostei muito, pareciam ser demasiado violentas. Quando entrei para a universidade, tive sérias dúvidas se iria frequentar as praxes ou não. No entanto, em poucos dias a minha opinião mudou drasticamente, percebi que a praxe era bastante engraçada e tinha como principal objetivo integrar os novos alunos. A praxe é composta por uma hierarquia, como tal os caloiros obedecem aos doutores mais velhos. Gostei bastante de ser caloiro, aliás tenho imensas saudades, no entanto, também gosto de estar na posição de doutor. É bom sentir-me responsável por alguém e poder acompanhar o seu percurso académico.



Vês Coimbra de uma melhor forma agora ou da mesma forma que vias antes de seres estudante universitário?
- Sem dúvida agora! Não só pelas pessoas que conheci mas por tudo que já vivi enquanto estudante.



Fala-se muito do peso da tradição desta cidade na vida de um estudante. Tinhas consciência disso?
- De certa forma sim. Acredito que para as pessoas que são de fora seja ainda mais especial o que vivem cá.


Para ti a Festa das Latas e a Queima das Fitas não são novidade. Antes já frequentavas estes eventos?
- A Festa das Latas não, costumava apenas ir à Queima das Fitas, porque sempre preferi ir apenas quando fosse universitário. Mas neste momento tanto uma como outra têm muito mais significado, antes eram simples festas.



Se tivesses a oportunidade de ir estudar para outro lugar aceitavas?
- Neste momento acho que não. Apesar de pensar bastante como seria a experiência de estudar e viver noutra cidade. Mas, por outro lado, penso que desta forma consigo tirar o melhor dos dois mundos, porque posso estar em casa com a minha família ao mesmo tempo que vivo e aproveito a minha vida académica e que conheço pessoas de todas as zonas do país.



O que é que sentes por seres da cidade com a Universidade mais antiga e com mais vida académica de todo o país?
- De certa forma não sinto nada de novo, porque já nasci com essa noção. Penso que os estudantes que não são de cá expressam-se mais em relação à tradição e cultura porque é algo que até aí era desconhecido para eles, é uma experiência nova e diferente. Mas como é lógico sinto-me bastante orgulhoso por ser de Coimbra.




Ana Manaia - 2013131

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