terça-feira, 17 de novembro de 2015

As mãos são o meu ofício

Fig.1 Exposição da Feira ao longo das ruas da Baixa de Coimbra

As mãos são a arte que fazem magia e transformam produtos comuns como a madeira, a pedra, a cortiça em objetos únicos que suscitam curiosidade a quem os observa. Assim são os artesãos, capazes de transformar pequenos materiais em grandes obras de arte. Não precisam de uma máquina, de novas tecnologias, apenas das mãos e, por vezes, de uma ferramenta, bem como uma pitada de habilidade, originalidade e graciosidade.

 A baixa da cidade de Coimbra encheu-se dos mais diversificados e artísticos artesãos. As suas pequenas grandes obras de arte encontravam-se espalhadas pelas ruas Visconde da Luz, Ferreira Borges e Largo da Portagem. Desde a produção de peças em madeira, de pedra, à produção de bonecas em cabaças e minions em cortiça. As pessoas, com os olhos postos nos trabalhos em exposição, apreciam a beleza dos mesmos, umas compram, outras apenas vêem, no entanto, são as palavras elogiosas e os sorrisos de quem passa que ficam na memória do artesão.
Por estas ruas, encontrámos uma senhora encantadora que vestia um avental muito criativo - era vermelho, com o emblemático boneco amarelo vestido de pai natal. Na sua banca, minions não faltavam. Esta artesã dedica-se desde há cinco anos à produção dos mesmos. Feitos em cortiça e forrados a eva, com uma enorme variedade e para todos os gostos, desde o futebolista, super-homem, estudante ao presépio. A ideia surgiu a partir do filme Gru - O maldisposto, “Achei-os adoráveis, muito fofos (…)”, diz entre sorrisos. O objetivo era “adaptar a um material que realmente as crianças pudessem brincar com eles sem o problema de os partir”. Segundo a própria, é um trabalho que tem uma adesão muito positiva, sendo que muitos dos clientes já são habituais pois, vêm todos os meses à espera de encontrar novas figurinhas amarelas.

Fig.2 Artesã de Minions e a sua banca

Mas não são só os minions que têm sucesso, também as bonecas feitas de cabaça dão que falar. São produzidas por duas irmãs que se dedicam a esta criação desde há dois anos. Uma delas, que produzia cabaças no seu quintal, pensou que poderia transformar aquele simples material em algo interessante, original, surgindo assim as famosas bonecas de cabaça. Atualmente dedicam-se mais à produção de bonecas fadistas que se têm revelado um êxito, são as que as pessoas mais procuram, segundo o relato das mesmas.
Fig.3 Fernando Pessoa feito numa cabaça

Caminhando um pouco mais pela calçada coninbrisense, algo nos chama a atenção, umas primorosas obras em pedra. São produto de um casal que trabalha com este material desde há muitos anos. Era inicialmente um hobbie, e, mais tarde, transformou-se em algo sério, quando decidiram mudar de vida. No entanto, “nós não pretendemos que seja um trabalho que cresça muito, não é essa a ideia. É fazermos as peças quando nos apetece, com os modelos de que gostamos. Não estamos propriamente preocupados com o tempo que demoramos, é mais o resultado, se nos agrada ou não”, menciona a esposa. Segundo o casal, a procura destas peças é alargada devido à diversificação de produtos. No entanto, há a predominância para a escolha das peças maiores, mais arrojadas, pelo menos na área de Coimbra e na Figueira da Foz.
Também não falta o gosto de trabalhar com a madeira. Destacamos um artesão atencioso que nos falou do seu talento, a produção de miniaturas. Uma ideia que surgiu pelo gosto que tinha pelas madeiras. Inicialmente começou por produzir pequenas peças, sendo que, atualmente, já produziu mais de uma centena. Estas, segundo o próprio, têm uma procura bastante razoável, dependendo do local onde vai expor os seus trabalhos e também do tipo de clientes.
Na chegada ao largo da portagem contemplamos alguém a trabalhar na sua banca, é um senhor, - com um ar trabalhador, atento, minucioso - um talentoso sapateiro que está a produzir uns tamancos, feitos em madeira, pele e tecido. Este artesão diz fazer disto um trabalho sério desde há 27 anos, no entanto, o seu primeiro contacto com esta criação foi aos seus nove anos de idade. Os tamancos portugueses já são uma invenção de família, “o meu avô fazia, o meu pai fazia e eu faço” diz o próprio.

Fig.4 Artesão de Tamancos

É na Feira de Artesanato Urbano, em Coimbra, que artesãos colocam a sua originalidade e criatividade à prova, uns já desde alguns anos, outros só agora despertaram curiosidade e tiveram ousadia para tal. Esta é uma feira que se realiza todos os segundos sábados de cada mês, desde março até dezembro, com o objetivo de contribuir para a crescente dinamização das principais artérias centrais da cidade e para uma cada vez mais ampla afirmação da vertente urbana e contemporânea do artesanato no contexto nacional. A aproximação da época natalícia constitui a possibilidade do consumidor adquirir produtos diferentes, originais que nem sempre são fáceis de encontrar nos circuitos de comércio mais comuns.
Coimbra vai para além das grandiosas universidades, lojas, montras e monumentos. Esta é uma cidade onde escoa talento, paixão e arte pelas pedras da calçada. Se tem dúvidas visite a feira de artesanato e deixe-se encantar por todas as obras de arte que lá se encontram.

Fig.5 Arte de cabaças

Fig.6 Artefactos têxteis 

Fig.7 Portagem com arte dos artefactos


 Grupo 1
Beatriz Pessoa
Bianca Matos
Igor Lopes
Laura Tadeia
Liliana Costa

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