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terça-feira, 25 de novembro de 2014

"Quando escrevemos uma notícia de rádio temos de nos colocar no papel do ouvinte…"




Sandra em reportagem de exterior

A paixão pela rádio e pelo jornalismo “alimentou” o sonho de Sandra Veloso Fernandes que desde 2005 informa os ouvintes da Rádio Barcelos, líder de audiências na região Litoral Norte.


Licenciou-se em Comunicação Social, em 2002, sempre foi este o seu objetivo?
      
    Sim… claro que essa meta começou a traçar-se sobretudo no secundário… tive que ter em conta o esforço financeiro dos meus pais e claro que fomos traçando esse caminho. Com o apoio deles trabalhei para obter notas que me permitissem aceder ao ensino superior. Estive ainda indecisa entre o ensino e o jornalismo. Mas acabei por concorrer para comunicação social para tentar justamente aquilo que queria e o primeiro passo era conseguir a licenciatura.

De que forma o jornalismo radiofónico surgiu na sua vida?

 Trabalhar numa rádio sempre foi o que mais me fascinou, fazer jornalismo radiofónico aliciava-me e ainda mais depois de estagiar na Antena 1. No entanto, quando terminei o curso o objectivo primeiro era conseguir trabalho na área do jornalismo, independentemente da área. O importante era começar a ganhar experiência e comecei justamente a trabalhar como jornalista num jornal. Foi uma boa escola, embora continuasse a tentar trabalho enquanto jornalista numa rádio. Comecei depois a fazer o programa “A Nossa Terra”, da Direnor(Comunicação, Estudos, Consultadoria e Divulgação Regional) em Barcelos o que me abriu portas a uma nova experiência, aí sim já com linguagem radiofónica, e eis que em 2005 me contactaram da Rádio Barcelos com uma proposta para integrar a equipa de informação da rádio. Foi aceite e hoje aqui estou.

Iniciou as suas funções na Rádio Barcelos em 2005 mas antes então teve uma colaboração na produção do projeto “A nossa Terra”? Em que consistia o projeto?

O projeto ainda existe atualmente, não no concelho de Barcelos, mas o objectivo era semana após semana proporcionar duas horas de emissão sobre uma determinada localidade, naquele caso uma freguesia ou associação do concelho de Barcelos. Aproveitávamos um acontecimento ou uma data marcante de cada terra ou coletividade para fazermos uma visita à freguesia e contar a sua história, dar a conhecer as suas gentes e artes e ofícios. Tratava-se dum espaço de promoção da “Nossa Terra” que ia depois para o ar em direto aos domingos de manhã. Durante a semana eu gravava algumas entrevistas e conversava com algumas personalidades desde autarcas, artesãos, empresários e presidentes das associações, preparando as suas entrevistas que seriam feitas em direto na manhã de domingo pelo locutor de serviço da Rádio que tinha protocolo com a Direnor, naquele caso a Rádio Cávado também de Barcelos. E fazia o alinhamento por escrito desse mesmo programa para o locutor.

     Quais as rotinas produtivas da Rádio Barcelos a nível da informação?

      A Rádio Barcelos tem noticiários de hora em hora, das 8h às 19h00, de segunda a sexta e aos sábados, domingos e feriados tem três blocos informativos de carácter local (9h, 12h e 15h).
Também durante a semana temos os noticiários que por norma seguem a seguinte estrutura: local, regional, nacional, internacional, desporto ou outro. Depois às 9h, 12h e 18h temos o chamado “Grande Plano” somente com notícias do concelho de Barcelos que marcam a actualidade diária.
Além disso, tenho um programa de informação (com entrevistas e reportagens) diário de segunda a sexta das 12h às 14h. Chama-se “Ponto de Encontro” e tanto pode abordar um tema da atualidade como de agenda, sempre com promoção de Barcelos nas mais variadas modalidades desde o desporto à arte, sociedade, saúde, coletividades ou personalidades e informações úteis à mistura, com a música portuguesa.
Relativamente às nossas fontes, bem qualquer cidadão ou instituição são fontes privilegiadas nos nossos serviços de informação, que como é óbvio estão mais centradas na localidade (concelho de Barcelos), mas por vezes também na região Minho, sobretudo nos concelhos vizinhos. Mas o foco de atenção é Barcelos, apesar de hoje em dia também as redes sociais e o email serem uma fonte de informação para o que vai acontecendo.


   Existem, efetivamente, diferenças entre o jornalismo de imprensa e o jornalismo    radiofónico, como as identifica e as caracteriza?
    
  Bem, desde logo pela linguagem é totalmente diferente. Em Rádio as notícias têm de se cingir ao essencial, claro que depois se quisermos desenvolver um tema podemos fazê-lo no programa de informação Ponto de Encontro, mas no noticiário não excedemos os três a quatro minutos. Estamos a falar numa rádio local generalista que apenas tem de informar com o essencial os seus ouvintes. Depois tem de ser com uma linguagem acessível a todos sem causar dúvidas e desviar a atenção dos ouvintes que não têm possibilidade de ouvir de novo.
A colocação de voz e a pontuação também é fundamental para prender o ouvinte à rádio. Temos de transmitir o noticiário para um universo de pessoas a partir de um estúdio, mas como que se estivéssemos ao seu lado, enquanto ele trabalha ou está em casa nas suas lides e nós ali ao lado dele a informá-lo.
Já na imprensa, mesmo seguindo a pirâmide do que é mais importante para o menos, a verdade é que nos permite acrescentar todas as informações para esclarecer todas e quaisquer dúvidas que o tema possa suscitar, naturalmente com dependência do espaço disponível no jornal. O cuidado com o que escrevemos persiste, não só pela responsabilidade que nos é imputada enquanto jornalistas, mas temos que ser sóbrios e claros na informação embora com a vantagem de que os leitores podem ler e reler, pois dispõem do texto à sua frente. E mesmo que o leitor se distraia pode retomar quando quiser a notícia.
As duas áreas são fascinantes, mas claro que na rádio existe sempre a “magia” que se concretiza nas técnicas usadas para que o ouvinte continue connosco e sabemos que na hora seguinte assim que bater o sinal horário, o ouvinte aguça a audição para se manter informado com a rádio. A primeira informação é dada pela rádio depois para perceber melhor a pessoa vai ler, vai pesquisar. Mas primeiro ouviu na rádio. Durante o dia manteve-se informado pela rádio, depois à noite vê a televisão e se quiser pode ainda ir pesquisar e saber mais lendo no dia seguinte a notícia, no entanto, o essencial da informação teve oportunidade de reter ao longo do dia graças à rádio que a qualquer momento interrompe a sua emissão para dar conta de uma informação de última hora, caso se justifique.

Sandra em estúdio
   
 Quais são para Si os maiores obstáculos que o jornalismo radiofónico apresenta      (ou enfrenta)?

       Bem, tal como já tinha dito, na verdade o facto de o ouvinte estar ocupado e ter a possibilidade de estar a fazer mil e uma coisa enquanto ouve rádio é uma barreira que nós temos de saber contornar, não sendo repetitivos, é importante que ao longo da notícia vamos referindo o nome das coisas sem utilizar expressões do género “o mesmo, respectivamente, aquele…”. Há que chamar as coisas pelos nomes. No caso das siglas só mesmo as mais conhecidas é que devemos utilizar… o ideal é explicar por extenso. Quando escrevemos uma noticia de rádio temos de nos colocar no papel do ouvinte atarefado que apenas quer estar informado enquanto trabalha ou viaja e muitos dos nossos ouvintes se ouvirem por extenso até podem conhecer, mas se abreviamos… ele poderá ficar a pensar o que é ou quem e já não vai ouvir o resto que estamos a contar. Ser direto e conciso com frases curtas é fundamental.
Mesmo no caso do directo (a partir do exterior) muitas vezes acontece na base do improviso… eu faço sempre uns tópicos com palavras- chave para me orientar sem estar a ser repetitiva e perder tempo com o que não interessa. Porque quem nos ouve, sobretudo numa rádio local, quer é música para companhia e apesar de gostarem das notícias para se manterem actualizadas não podemos ser muito “chatos”.

Como interpreta as constantes alterações (tecnológicas/ profissionais) no                jornalismo? Qual a sua opinião sobre as mesmas?

   É a ordem natural das coisas, não é? Temos de nos adaptar a elas obrigatoriamente. A sociedade anda tão velozmente quanto às novas tecnologias. Se eu tive o meu primeiro computador na universidade e apenas informática no liceu (refira-se que na altura era um PC com MS DOS para uns  cinco ou seis alunos), hoje as crianças no ensino pré-escolar já têm noções de informática e em casa já “brincam” com os tablets e afins.
Na nossa profissão temos de estar o mais atualizados possível. Embora admita que existem funcionalidades que ainda não adquiro e naturalmente terei de fazer um curso ou formação em novas aplicações, a verdade é que temos de acompanhar a evolução das novas tecnologias ou ficamos infoexcluídos, não é? E sendo nós um motor de informação, tal não pode acontecer.


     O que perspetiva para o seu futuro radiofónico? Que projetos tem em mente?

     Bem… este programa do “Ponto de Encontro” é ainda muito pequenino. Tem apenas um ano de vida e naturalmente merece ainda muita atenção da minha parte e há muito para fazer. Barcelos é um concelho muito grande e talvez por essa razão também muito rico em termos de matéria para tratamento jornalístico. Dá-me um gosto enorme estar à frente dum projeto destes. E tanto se pode explorar, desde rubricas diárias de saúde ou um roteiro do artesanato… são algumas ideias, assim como já temos uma rubrica diária de psicologia, podem abrir-se novas portas, mas cada passo a seu passo. E claro sempre a tentar melhorar em tudo o que fazemos, todos os dias aprendemos novas coisas e esse é também um dos atrativos desta área.
                                                               

                                                                                                    Por: Ricardo Lomar

“Gosto de saber o que se passa à minha volta”




Márcia Rodrigues, natural da Figueira da Foz
Márcia Rodrigues frequenta o segundo ano da Licenciatura em Comunicação Social e Educação Multimédia, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Leiria.


Enquanto estudante da área da Comunicação – a única área que sempre a cativou - aborda a temática da difusão de informação, dos novos desafios dos jornalistas e revela que gosta de estar informada e informar os outros.








Como estudante de Comunicação quais são, na tua opinião, as vantagens e as desvantagens da utilização da Internet para a difusão da Informação?
Na minha opinião existem mais vantagens que desvantagens. É vantajoso na medida em que é uma maneira rápida e simples de partilhar a informação; por outro lado tem as suas desvantagens, é necessário ter muito cuidado com a escrita para a web pois há sempre outros sites e outros links que podem cativar mais a atenção do nosso leitor.

Consideras que os meios de comunicação tradicionais – jornais e revistas - estão a ser desvalorizados em função da utilização da Internet e das redes sociais para informar o público?
Não, até acho que um meio complementa o outro.

Quais são para ti os maiores desafios impostos aos (futuros) Jornalistas?
Estou num dos cursos com mais alunos colocados nas instituições de ensino superior, por isso a concorrência é enorme. Temos que nos saber destacar e fazer bem aquilo que nos compete. O jornalismo e a comunicação social são áreas bastante manipuláveis, portanto temos que fazer bom jornalismo para assim nos diferenciarmos no mundo do trabalho.

Achas que o perfil de Jornalista mudou nos últimos anos? Porquê?
Sim. A ideia que o jornalista tem só como objectivo informar tem vindo a mudar. Existe cada vez aquele perfil de jornalista e aquele tipo de jornalismo que serve para entreter o público.

Em que área gostarias de trabalhar quando acabares o curso?
Gostava de trabalhar na imprensa, numa revista de moda, talvez. Ainda não tenho certezas, por isso estou a aproveitar todas as oportunidades que me dão enquanto estudante para perceber melhor a que área “pertenço”.


Vertente prática do curso de Comunicação Social e Educação Multimédia numa unidade curricular


Por Ana Marisa Ventura




terça-feira, 28 de outubro de 2014

Jornalismo sem Estática

Num mundo em que a voz perde peso face ao hipertexto e à internet, o papel da rádio redefine-e a cada dia e o papel do jornalista de rádio também. Diana Craveiro, licenciada em Jornalismo pela FLUC e mestranda em Sociologia pela FEUC, colabora com a Rádio Universidade de Coimbra desde 2007, onde é uma das Directoras de Informação. Foi quem nos deu a conhecer o método de trabalho do jornalista de rádio, o que a rádio implica e a sua importância - nomeadamente na região de Coimbra, já que a RUC é a única rádio da cidade.



Bruna Becegatto
Bruna Dias
Daniela Bulário
Vanessa Alves Ferreira
Zita Moura

terça-feira, 2 de abril de 2013

Informação – A Zona Cinzenta


Somos a geração da informação. Acesso fácil, barato e rápido a tudo o que queremos saber. Sem limites. Ou quase. Fica a questão, onde se traça a linha?

Isto é censura?
Portugal subiu no ranking mundial de liberdade de imprensa, conquistando um lugar entre os 30 melhores do mundo. No entanto, jornalistas portugueses ainda sofrem constrangimentos no seu trabalho. O caso mais polémico recentemente foi o de Miguel Relvas e uma jornalista do Público mas muitos casos não chegam à luz do dia. Surge a dúvida: ainda há censura em Portugal? Quanto é que as notícias não revelam? Porque é que algumas notícias ganham mais relevância do que outras e quem é que decide isso?

Regular ou não regular, eis a questão
Por outro lado, temos as revistas cor-de-rosa e a Internet, onde nada é segredo e tudo vale para conseguir a última notícia. Rumores misturam-se com factos e o direito à privacidade é ignorado. O relatório Leveson, sobre escutas telefónicas na Inglaterra, voltou a pôr a regulação dos media na ordem do dia. Há quem defenda mais legislação contra o abuso da liberdade de imprensa, mas há também quem tema o seu controlo excessivo. Devemos poder saber tudo sobre todos? Que métodos são válidos para conseguir informação? As redes sociais e os blogs também deveriam ser reguladas? Ambos os lados têm muito a dizer e a polémica promete ser longa.

Confusão
E, no meio disto tudo, continuamos a ser bombardeados com informaçãopor todos os lados: na rua, nas lojas, no trabalho, no quarto e até no telemóvel dentro do bolso. Mas com contradições, limitações e fontes dúbias, quanta desta informação é verdadeira?

Por: Amy Gois