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quarta-feira, 17 de maio de 2017

O lugar da jornalista no desporto

Num século onde se fala cada vez mais da presença de igualdade de género, terá efetivamente terminado, para a mulher, a luta por essa mesma igualdade? No que ao futebol diz respeito, ter-se-á extinguido a ideia de que este é um mundo exclusivo do masculino? E no jornalismo? Qual o papel da mulher no jornalismo...desportivo? Em 456 jornalistas desportivos, apenas 68 são mulheres, o que corresponde a uma luta de 85 contra 15%. 
Os dados acima mencionado são resultado de um inquérito feito pela jornalista Cláudia Martins a 19 orgãos de comunicação social nacionais. Para a repórter de pista da Antena 1 e doutoranda em Estudos em Comunicação para o Desenvolvimento, na Universidade Lusófona do Porto, com a tese "Quem são as mulheres jornalistas de desporto em Portugal?", esta situação tem que ver com as mentalidades da sociedade. "Se calhar pensamos que as mulheres se interessam menos por desporto porque a sociedade lhes diz, desde pequenas, que não têm que se interessar". Licenciada em comunicação social pela Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) e pós graduada em comunicação e desporto pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, Cláudia Martins já foi diretora de informação no jornal on-line sobre futebol zerozero.pt, uma responsabilidade díficil de se alcançar no jornalismo desportivo, quando se é mulher. 
Cláudia Martins, na "pista"

No jornalismo, aliás, existem atualmente apenas duas mulheres, em Portugal, com o cargo de diretora de informação - Graça Franco, na Rádio Renascença e Mafalda Anjos, na revista Visão. Se chegar ao topo da hierarquia é díficil para a mulher jornalista, para a mulher jornalista desportiva é ainda mais. 
Gostar de escrever sobre desporto parece não ser suficiente para se ter vontade de entrar no ramo do jornalismo desportivo. Beatriz Manaia, estudante do 2ºano de comunicação social na ESEC, confessa que apesar de ver desporto, desde pequena, não se revê na profissão. Beatriz escreve para blogues desportivos e considera que "Os conhecimentos de alguém não deviam de ser medidos pelo seu sexo, pois tanto existem mulheres a perceber imenso sobre desporto como homens que nunca ligaram à área". Apesar disso, a jovem reconhece que os "pré-conceitos ainda não desapareceram completamente" e revela os motivos que a afastam do jornalismo desportivo. "Se começasse a minha carreira a escrever exclusivamente sobre desporto, tenho receio de que, se por algum motivo tivesse de ir para outro ramo, não fosse levada a sério e ficasse sempre com esse rótulo". 

Beatriz Manaia, a rever um artigo que escreveu sobre futebol
No que aos rótulos diz respeito e voltando a Cláudia Martins, a repórter da Antena 1 dispensa o rótulo de jornalista desportiva, afirmando que o jornalismo se rege, dentro dos vários ramos da profissão, "pelos mesmos princípios básicos, pelas mesmas ferramentas" e que "a preparação dentro dos assuntos tem de ser a mesma, os temas não são iguais mas nós, jornalistas, temos de ter a mesma credibilidade". O desporto entra na vida da jornalista por coincidência, nunca por opção, no entanto, hoje, Cláudia acredita que foi o melhor que lhe aconteceu. "Eu não seria a mesma pessoa se tivesse trabalhado noutra área, nem teria esta noção sobre a mulher no desporto, estas questões que o trabalho me fez levantar".  
Ser mulher jornalista no universo desportivo não é fácil. E até os homens - pelo menos os jornalistas - reconhecem isso. Jorge Fernandes, estagiário no jornal zerozero.pt, não hesita em falar da sua experiência. "Da minha curta experiência, posso afirmar já que claramente uma mulher no ramo não é tratada da mesma forma. Ainda é difícil para algumas mentes aceitar que uma mulher pode ter competência no jornalismo desportivo". Prestes a concluir a licenciatura em comunicação social, também na ESEC, Jorge Fernandes não tem nenhuma colega jornalista - a redação do zerozero, atualmente, é composta apenas por jornalistas homens - mas acredita que a presença de uma ou mais mulheres seria vantajosa. "Se for competente, uma mulher pode ser uma maisvalia. Ter uma redação com mulheres e homens é algo bastante positivo, pois os dois têm características intrínsecas que os distinguem e a diferença é sempre saudável."
Jorge Fernandes, na redação do zerozero.pt

Cláudia, Beatriz e Jorge, cada um com as suas experiências e visões sobre o tema, estão de acordo num ponto: a jornalista, no desporto, não pode errar tanto como o jornalista. Os três defendem que existe o pré conceito de que se o homem falha é porque se enganou, porém, se a mulher falha é porque não percebe nada do assunto. E como ser jornalista é uma profissão pública, todos veêm, analisam e criticam. 
Tem sido um caminho penoso e lento para a mulher atingir plenamente a igualdade. Se na lei não há diferenças, na vida real da sociedade portuguesa existem ainda pormaiores que falham. Não há argumentos que neguem os números e, aqui, a reduzida percentagem de 15% assusta profissionais e aspirantes a jornalistas. Contudo, para que estes 15% aumentem, é necessária uma prévia atualização de mentalidades. E isso também não pode ser negado. 

Ana Domingues
Bárbara Rodrigues
Cátia Cardoso
Jéssica Oliveira

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Quiz Musical - Vox Pop


Atualmente somos bombardeados por grandes êxitos musicais, quer seja em casa, na escola, ginásios, nos bares ou discotecas. Se os distocermos, será que as pessoas os conseguem identificar? Vamos descobrir!





Por: Ana Marisa Ventura 
Cátia Lourenço
Jéssica Jesus
Lucinda Julião
Salomé Assunção
Ricardo Lomar

terça-feira, 25 de novembro de 2014

“Ser jornalista tem muito de prática e quase nada de teoria”



João Henriques entrevista José Mourinho em 2003
 João Henriques é jornalista do Diário de Coimbra, exercendo funções na delegação de Cantanhede. Estudou Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra. Enquanto estudante, colaborou na secção de desporto do Diário As Beiras e o seu estágio curricular foi realizado na TVI.

  Depois de concluir os estudos, passou a exercer funções no Diário As Beiras na secção de desporto e posteriormente foi correspondente do jornal Correio da Manhã no distrito em Coimbra. Entre 2004 e 2007, enquanto freelancer, escreveu para o Jornal da Universidade e o Correio da Figueira. Em 2007 entrou no Diário de Coimbra como jornalista da secção de Coimbra. 



Em que altura da sua vida surgiu o interesse pelo jornalismo e o que é que lhe despertava esse interesse?

Não posso afirmar que sempre tive interesse pelo jornalismo. É verdade que sempre gostei de ler. Os jornais desportivos, que um vizinho me dava para ler quando ainda era miúdo e sempre no dia seguinte à sua publicação, despertaram em mim a vontade de, quem sabe, ser jornalista, ou, pelo menos, entrar no “mundo da bola”. Tenho de admitir que a vontade foi-se intensificando com o passar dos anos. O aproximar do final dos estudos ao nível do Ensino Secundário acabou por “empurrar-me” para esta área, que, reconheço, desperta em mim a vontade de contar histórias todos os dias.


Quais foram as suas dificuldades e os receios assim que entrou no mercado de trabalho?

Acabei por ter a felicidade de entrar no mercado de trabalho ainda estudante. Na altura, comecei por colaborar, ao fim-de-semana, na secção de Desporto do jornal Diário As Beiras, graças ao convite de um colega do curso de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra, que também colaborava com o referido jornal. No Diário As Beiras estive cerca de dois anos como colaborador ao mesmo tempo que avançava nos estudos superiores. Depois de estagiar em Lisboa, na TVI, regressei a Coimbra para trabalhar a tempo inteiro no Diário As Beiras. Por isso, as dificuldades que podia ter sentido foram sendo esbatidas com o “aprender a fazer” que, felizmente, consegui ter no referido jornal. Quanto aos receios, é óbvio que a inexperiência traz sempre associados temores que, com o tempo, vão desaparecendo. Não há nada melhor do que aprender a trabalhar.


É difícil pôr-se em prática o que se estudou?

Claro que sim. Muito do que aprendemos nos “bancos da faculdade” não passa de pura teoria. Na prática, a maior parte das coisas acontece de outra forma e temos de saber lidar com situações que nunca aprendemos enquanto estudantes. Pelo menos no meu tempo, faltava muita prática ao curso de Comunicação. Na minha opinião, claro está, ser jornalista tem muito de prática e quase nada de teoria.


Quando pensa em jornalismo, quais são as primeiras palavras que automaticamente lhe surgem e que definem o que para si é ser jornalista?

Verdade, histórias, astúcia, gosto e investigação. Para mim, um jornalista tem que procurar sempre contar toda a verdade nas histórias que relata. Além disso, tem de ser astuto para conseguir obter as melhores informações para a melhor história, além de ter gosto pela profissão. Investigar devia fazer parte do dia-a-dia de todos os jornalistas, mas, infelizmente, ao entrarmos no mercado de trabalho, percebemos que tal não é possível.

Na sua opinião, quais as características que deve ter um futuro jornalista?

Um futuro jornalista tem de ser, como já disse anteriormente, astuto. Também tem de ser capaz de olhar e ouvir, mas sempre com o pensamento de que, quem sabe, se aqui ou ali, pode estar uma boa história, não para mim, mas, consoante os casos, para os leitores, os ouvintes ou os telespectadores. A persistência é uma das características que, na minha opinião, mais falta faz, hoje em dia, a quem quer ser “jornalista de verdade”.

Que conselhos dá a um estudante de jornalismo para que possa exercer bem a sua profissão?

Ser verdadeiro com ele próprio. Nada melhor do que acreditarmos naquilo que fazemos para exercermos bem a nossa profissão. Saber lidar com a pressão é importante numa área em que ela existe sempre. Tanto a que é imposta por nós próprios, como a que vem do exterior. Na minha opinião, um jornalista recém-entrado no mundo de trabalho - os outros também - tem de ter a capacidade de, todos os dias, procurar diferentes ângulos de abordagem da notícia. A diferença faz – a repetição é propositada - a diferença.

Durante a carreira de um jornalista, ocorrem muitas situações diferentes quase diariamente, permitindo uma aprendizagem constante. Qual foi a experiência que mais o marcou e que mais o ajudou a aprender?

Todos os dias, aprendemos com o nosso trabalho. O jornalista tem, como qualquer outra pessoa, sentimentos. No meu caso, não tenho dúvidas em afirmar que a morte, ou melhor, a vida dos que ficam e lidam com a morte de alguém querido “mexe” comigo. Há situações difíceis de contar, sobretudo quando a morte é inesperada. Com estas situações, aprendemos sempre alguma coisa, pois são momentos de dor, angústia e impotência com que temos de aprender a lidar, fazendo de nós, jornalistas e humanos, pessoas mais fortes. Não tenho vergonha de dizer que já chorei em trabalho. Há emoções a que não se resiste. Também se aprende muito com as “lutas de poder”, com as quais percebemos que a política é feita de (pouca) gente boa e (muita) outra que nem tanto.


Por: Salomé Assunção

"O Jornalismo não é o EL-DOURADO"




Logo Rádio da Universidade de Coimbra

Isabel Simões dá a sua voz nas horas informativas da rádio da Universidade de Coimbra (RUC). Trabalhou trinta e três anos numa empresa de telecomunicações e de correios. Não tirou nenhum curso académico relacionado com a Comunicação Social nem Jornalismo. Em 2011, decidiu tirar uma formação na área de informação na RUC, onde desde então, “por amor a camisola” continua a exercer esta atividade.






De onde surgiu a ideia de tirar a formação na rádio? Alguém a influenciou?
Não fui influenciada por ninguém. Quando jovem, trabalhei para uma rádio de praia. E quando soube dessa formação na RUC, não pensei duas vezes em tirá-la, porque fico feliz em manter os ouvintes informados sobre o que acontece na sociedade contemporânea.

Porquê jornalismo como profissão?
Não exerço o jornalismo profissionalmente. Não tenho a carteira profissional. Só faço a rádio porque é um espaço de liberdade de escolhas temáticas (na RUC), onde se pode entrevistar pessoas de várias origens, adquire-se conhecimentos, e também porque troca-se muitas experiências com os entrevistados.

Fale sobre o seu trabalho na RUC.
Faço pequenas peças para o noticiário, síntese de notícias, grandes entrevistas aos músicos, conferências de imprensa, programas específicos de informação, nomeadamente, 111, que consiste em falar das coisas que vão acontecer na cidade de Coimbra ao longo da semana, e também, faço coberturas eleitorais.

Teve alguma dificuldade durante a sua formação na RUC?
As que encontrei foi tentar perceber o que era importante comunicar. Nunca é fácil tudo aquilo que a gente faz, quem trabalha na área de informação, tem que tentar entender a notícia para não ter que repetir sempre as mesmas coisas. Os bons jornalistas nem sempre são os que dão cara. Esse trabalho é muito exigente. 

Como recebe as críticas?
Devo recebe-las com a naturalidade para evoluir, e mostrar os meus próprios erros para não repetir de novo.

Qual é o conselho que deixa para quem quer tirar a área informativa?
Não gosto de dar conselhos. Cada pessoa deve procurar o seu caminho. Mas o jornalismo não é o EL-DOURADO como muitos pensam. Para aqueles que pretendem profissionalmente seguir a informação, devem, sobretudo, saber fazer todos os tipos de jornalismo, Trânsito, Educação, Política, Cultura e, outros, principalmente, saber escrever, ler, ser criativo, manter-se informado sobre a atualidade jornalística global. Estes elementos é que são as “chaves” do sucesso para quem tenciona futuramente tirar o jornalismo. É uma profissão muito dura que está sujeita a stress todos os dias.

Lucinda Julião

“É um mundo muito competitivo. Temos de ser fortes. Não podemos desistir."


      Ana Pombo, ex-aluna da Escola Superior de Educação de Coimbra, e estagiária da RTP no Porto, fala sobre o seu percurso académico e profissional, sem esquecer as adversidades que sentiu durante estes anos.


Ana Pombo

Qual o seu percurso académico até agora?
Antes de mais um percurso académico caracterizado de um enorme empenho, curiosidade e exigência. Quando terminei o ensino secundário na área de Línguas e Humanidades, não tinha dúvidas: era jornalismo que eu queria. Era comunicar e contar histórias. Já desde muito cedo que me lembro de ter alguns sinais reveladores de jornalismo. Escrevia notícias em casa e afixava no frigorifico...e queria sempre como prendas livros, rádios, cassetes e até microfones. Fui então tirar comunicação social na Escola Superior de Educação de Coimbra. Comecei a licenciatura sempre muito exigente com o trabalho que ia desempenhando. Inseri-me em muitas formações extracurriculares e fiz muito voluntariado. A minha primeira experiência pré-profissional decorreu nos meses de verão no jornal regional O Ribatejo. Se inicialmente tinha entrado no curso com a ideia de que só gostava de televisão, então aí tive a prova viva de que adorava imprensa. Escrever e desenvolver assuntos era muito recompensante. Aprendi muito com aquela pequena equipa de jornalistas, de quem ainda hoje guardo todos os ensinamentos. Quanto tive de decidir onde estagiar no final da licenciatura optei então por imprensa e estagiei durante três meses no Diário de Notícias, em Lisboa. Aprendi muito. Testei os meus limites e coloquei em prática o que tinha até então aprendido na faculdade. Aprendi a elaborar uma notícia de imprensa com o rigor e a pressão que são exigidos. Além de que foi a minha primeira entrada numa empresa a nível nacional, onde os níveis de exigência são muito superiores a uma empresa regional. No final do estágio já me tinha sido dito que nenhum estagiário teria hipótese de ficar na empresa, então regressei a Coimbra para melhorar a minha formação. Matriculei-me na Faculdade de Letras no Mestrado de Comunicação e Jornalismo. Além de que aproveitei para melhorar idiomas como inglês, alemão e espanhol nos cursos livres da FLUC. No segundo ano de mestrado resolvi apostar noutro estágio. E queria em televisão. E foi com grande entusiasmo que recebi a notícia que tinha conseguido um estágio na RTP do Porto. Já vou a meio do estágio e está a ser uma aprendizagem enorme. Sempre me imaginei a estagiar na RTP, desde o início. E é como um pequeno sonho tornado realidade. É um mundo enorme e que me desperta muita curiosidade. O fato de escrever para a imagem é fascinante. Além de que televisão é trabalho em equipa e isso entusiasma-me mais. Tenho aprendido muito. Aprendido com excelentes profissionais que me ensinam todos os dias, aquilo que não está nos livros.

Como foi o tratamento dos outros colegas durante o estágio? Acha que há discriminação para com os estagiários?
Não é uma questão de discriminação. É uma questão de ver até que ponto somos empenhados e aguentamos a pressão como jornalistas. Primeiro colocam-nos à prova para ver se somos pró-activos e responsáveis o suficiente para confiarem em nós. Depois um estagiário é sempre um corpo estranho numa redacção. Ninguém nos conhece. Ainda ninguém sabe do que somos capazes de fazer e se nos podem dar trabalho de responsabilidade. Como em todas as empresas, há jornalistas que ensinam por gosto e outros que têm menos tempo. Têm prazos de trabalho a cumprir. Muitas vezes é isso que um estagiário empenhado pode sentir...não receber muito feedback inicial...por também não existir muito tempo por parte dos profissionais. Mas muitos querem ensinar quando nos mostramos curiosos e dinâmicos. E quando acreditam em nós, mais trabalho nos dão e aí aumenta a responsabilidade. É uma enorme concretização quando vemos o nosso nome assinado numa notícia num jornal nacional. E é uma concretização enorme aprender com profissionais que nunca pensámos vir a ter contacto. Temos de ser persistentes. Nunca deixar que a desmotivação seja mais forte. É acreditar que, algum dia, todo o nosso trabalho vai ser valorizado. Que alguém olha para nós e vê que podemos fazer a diferença. Mas é preciso, mais do que tudo, ser muito humilde.

Acha que somente o curso é uma base sólida para a carreira jornalística?
O curso é apenas uma introdução a uma futura carreira em jornalismo. Cada vez a forma de entrar no meio se gere por contactos e experiência prática. O curso só nos dá algumas bases. Ensina-nos teoria que, às vezes a nível prático, não será bem assim. É apenas um pilar. Quem quer ser jornalista tem de se interessar pelo mundo, pela sociedade. Tem de gostar de muito mais do que o curso...tem de gostar de trabalhar em equipa...inserir-se noutros projectos e associações que melhorem a sua forma de estar e a comunicação. É muito importante também aprender idiomas além do inglês. É algo muito valorizado para quem quer ser jornalista. É importante sermos curiosos...tirar outras formações, noutras áreas. Porque no jornalismo temos de saber de tudo um pouco. Às vezes pode existir a sorte de estarmos no local certa à hora certa e após o curso conseguirmos logo emprego. Só que na minha opinião ser jornalista é muito mais do que saber falar com as pessoas, saber escrever e condensar informação. É ser criativo. E ser criativo exige tempo. Exige trabalho. Exige curiosidade pelos outros. Um jornalista deve acima de tudo, fomentar laços profissionais e desenvolver muito as relações interpessoais e uma visão abrangente sobre o mundo.

Como é a oferta de emprego na área do jornalismo?
A oferta de emprego na área de jornalismo é escassa. São raros os anúncios de trabalho jornalístico remunerado. O conselho que eu dou é fomentar contactos. Não só no jornalismo, mas também noutras áreas. São os contactos que nos podem dar dicas, que nos podem fazer pular de um meio para o outro. Eu acredito que quem tem paixão por aquilo que faz, tenta fazer a diferença e é empenhado, as oportunidades vão surgir. Foi como já referi: não se pode desistir, por mais que seja difícil. É cada vez mais difícil. Mas temos de acreditar. E se for para isso que temos vocação e queremos mesmo, um dia um lugar surge. Pode ser mais tarde do que queríamos. Mas surge.

Está satisfeita com o seu percurso?
Estou satisfeita com o meu percurso, porque consegui aprender muito até agora. Já ganhei algum estofo, não só nos estágios, mas também em tudo onde estive inserida. Até o fato de ter estudado numa cidade estudantil como Coimbra, me deu estofo para enfrentar o futuro. Aprendemos muito em Coimbra, principalmente se estivermos longe da família. Tive sempre coragem para saltar fora da zona de conforto. Agora estou ainda mais longe. Estou no Porto. E isso dá-me estofo, porque tenho de lidar sozinha com as frustrações que possam surgir. Não tenho a pancadinha da família no ombro, quando algum dia é menos bom. Cresci muito desde que comecei esta maratona em jornalismo. É um percurso duro. Exige persistência. Exige força. Exige paixão. Sinto que dou o meu melhor todos os dias. Sei que quero aprender mais e mais. Que sou curiosa e não consigo estar parada. E sei que isso me pode dar frutos. Acima de tudo, tento ao máximo nunca deixar de ser humilde. A humildade é a melhor característica que podemos demonstrar, sem deixar que nos pisem por isso mesmo. É um mundo muito competitivo. Temos de ser fortes. Não podemos desistir.

Cátia Lourenço

“Gosto de saber o que se passa à minha volta”




Márcia Rodrigues, natural da Figueira da Foz
Márcia Rodrigues frequenta o segundo ano da Licenciatura em Comunicação Social e Educação Multimédia, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Leiria.


Enquanto estudante da área da Comunicação – a única área que sempre a cativou - aborda a temática da difusão de informação, dos novos desafios dos jornalistas e revela que gosta de estar informada e informar os outros.








Como estudante de Comunicação quais são, na tua opinião, as vantagens e as desvantagens da utilização da Internet para a difusão da Informação?
Na minha opinião existem mais vantagens que desvantagens. É vantajoso na medida em que é uma maneira rápida e simples de partilhar a informação; por outro lado tem as suas desvantagens, é necessário ter muito cuidado com a escrita para a web pois há sempre outros sites e outros links que podem cativar mais a atenção do nosso leitor.

Consideras que os meios de comunicação tradicionais – jornais e revistas - estão a ser desvalorizados em função da utilização da Internet e das redes sociais para informar o público?
Não, até acho que um meio complementa o outro.

Quais são para ti os maiores desafios impostos aos (futuros) Jornalistas?
Estou num dos cursos com mais alunos colocados nas instituições de ensino superior, por isso a concorrência é enorme. Temos que nos saber destacar e fazer bem aquilo que nos compete. O jornalismo e a comunicação social são áreas bastante manipuláveis, portanto temos que fazer bom jornalismo para assim nos diferenciarmos no mundo do trabalho.

Achas que o perfil de Jornalista mudou nos últimos anos? Porquê?
Sim. A ideia que o jornalista tem só como objectivo informar tem vindo a mudar. Existe cada vez aquele perfil de jornalista e aquele tipo de jornalismo que serve para entreter o público.

Em que área gostarias de trabalhar quando acabares o curso?
Gostava de trabalhar na imprensa, numa revista de moda, talvez. Ainda não tenho certezas, por isso estou a aproveitar todas as oportunidades que me dão enquanto estudante para perceber melhor a que área “pertenço”.


Vertente prática do curso de Comunicação Social e Educação Multimédia numa unidade curricular


Por Ana Marisa Ventura




terça-feira, 7 de outubro de 2014

CARTAS



 Na era da Internet, será que todos se renderam às novas tecnologias ou será que ainda existem apologistas dos antigos métodos? 
  Será que os tempos mudaram assim tanto?




sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Serviço público? Sim, por favor.

“Hoje há comunidades que se encontram quase privadas de comunicação social”. Foi esta a frase que deu início à Conferência “Serviço Público de Rádio e Televisão – Por quê? Que Futuro?”, no dia dez de Dezembro, na Casa da Cultura em Coimbra.
O Doutor João Carlos Correia, professor de Ciências de Comunicação, foi o primeiro orador da tarde. Este, resumidamente, relatou os acontecimentos mais relevantes da história do serviço público na rádio e na televisão.
Focando mais a RTP (canal estatal de Portugal), a Doutora Estrela Serrano apontou quais os três pilares do serviço público, sendo estes os apoios, as obrigações e o controlo. “A televisão pública não tem a autonomia, em alguns aspectos, que as televisões privadas têm”, reforça a Presidente do Centro de Investigação Media e Jornalismo. Estrela Serrano salienta que a RTP1 e a RTP2 se completam e que “é na diferença que a televisão pública marca a sua legitimidade.” Para concluir, ainda reforçou a ideia de que “estamos a querer inovar da pior forma. Não há nenhum país na Europa que tenha o serviço público de televisão ligado a um privado”, tendo em conta que o estado português está em negociações para privatizar a RTP.
Continuando nesta ideia de privatização, Alberto Arons de Carvalho, membro da ERC (Entidade Reguladora Para a Comunicação Social), realçou que “Portugal tem dos serviços públicos mais baratos” e que “a lógica de um operador público é completamente diferente e incompatível com a lógica de um operador privado”.
“O serviço público legítimo deve chegar a qualquer plataforma (…) pois só é relevante se for próximo das pessoas”. Esta foi a ideia apoiada pelo professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Sílvio Santos. Este afirma ainda que o serviço público já não é só rádio e televisão, mas sim serviço público dos media, visto que actualmente, os meios digitais conseguem abarcar um maior número de pessoas.
Algumas das ideias que se podem retirar desta conferência são que o serviço público tem de manter equidistante do Estado e do Mercado e que este pode oferecer o que o mercado oferece, desde que seja inovador na forma de divulgar esses produtos.
 
Painel de Oradores
 
 
por: Joana Amado
*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O IECE volta a Coimbra


O ciclo de conferências do Interactive ESEC Conferences for Education (IECE) dedicado ao curso de Comunicação Social realizou-se no dia 20 de novembro, na Escola Superior de Educação de Coimbra. Como oradores estiveram presentes, Nélson Mateus, repórter da SIC, Rui Pedro Braz, comentador desportivo e Alexandre Gamela, formador de jornalismo online.

Nelson Mateus, jornalista desde 2000, começou a carreira no Diário as Beiras, em Coimbra. Em 2002, mudou-se para Macau onde trabalhou durante mais de dois anos no canal português da TDM - Teledifusão de Macau.

Rui Pedro Braz, jornalista desde 2002, acompanha atentamente os fenómenos desportivos em Portugal e no Mundo. No âmbito do jornalismo desportivo destaca-se a colaboração com a Al Jazeera Sports durante o Euro 2004, e a coordenação de diversos projectos editoriais futebolísticos para a Cofina Media. É presença assídua na TVI e na TVI 24 para analisar e comentar a atualidade futebolística nacional e internacional.

Alexandre Gamela, licenciou-se na Escola Superior de Educação de Coimbra e tirou mestrado em Birmingham City University. É colonista na revista PC Guia, formador e freelancer.
Ilustração 1 - Marco Eliseu, presidente da AEESEC;
 
Foram vários os temas pertinentes que os três oradores trouxeram ao IECE, desde o atual desemprego à má fase que o jornalismo tem vindo a passar e como pode ser ultrapassada, que o jornalismo apesar de todas as suas “má fases” conseguiu sempre superar. Partilharam também, histórias e peripécias das suas carreiras fazendo com que houvesse um bom ambiente na conferência e interesse por parte de alunos e formadores. O balanço deste dia foi bastante positivo o que agradou tanto a oradores, como à organização, ao encargo da Associação de Estudantes da Escola Superior de Educação (AEESEC).

por: Soraia Pinheiro e Cristiana Peres 

Marco Eliseu, presidente da AEESEC
Marco Eliseu refere a importância do ciclo de conferências do IECE;
A sala contou com atuais alunos, antigos alunos, professores e outros curiosos;
À esquerda, Alexandre Gamela, no centro, Rui Pedro Braz e à direita Nélson Mateus
Os dois oradores assistem à apresentação de Nélson Mateus;
Nélson Mateus dá início à sua apresentação
contando uma história sobre a sua experiencia jornalística;
Novamente Nélson Mateus
Auditório da ESEC encontrou-se cheio no dia de Comunicação Social
A conferência já tinha começado, mas iam chegando mais
espetadores ao longo de toda a conferência
Rui Pedro Braz
Rui Pedro Braz explica um episódio caricato que passou em direto
Alexandre Gamela
Alexandre Gamela trouxe um power-point elucidando
o que é o jornalismo online
A AEESEC mostrou-se contente com a afluência neste dia