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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Lanchando pela Baixa

Lanchando pela Baixa
           
              A designação de “Baixa” foi desenvolvida com a separação entre a “Alta”, onde vivam a Nobreza, o clero e, mais tarde os estudantes, e a “Baixa”, predominada pelo comércio, artesanato e bairros ribeirinhos. Hoje, ambos são locais privilegiados da cidade, onde se misturam serviços (Banca, seguros e comércio), séculos de história, habitações, cultura, espaços verdes e de lazer.
            Contudo, esta zona, ao longo das últimas décadas, tem vindo a perder o seu protagonismo para áreas mais hodiernas da cidade como a renovada Solum em Santo António dos Olivais ou para grandes zonas comerciais dominadas pelas grandes superfícies.
            Ainda assim, novas iniciativas têm vindo a surgir objetivando a reabilitação da já degradada Baixa Coimbrã. Por outro lado, os mais famosos e mesmo lendários estabelecimentos da zona mantêm-se intactos conseguindo ainda dar alguma vida e movimento ao local. Provas disto mesmo são as pastelarias “Toledo”, “A Brasileira” ou mesmo a inovadora “The World Needs Nata - NATA Lisboa".


Fig.1 Baixa de Coimbra


Café A Brasileira

O Café A Brasileira de Coimbra situa-se na Rua Ferreira Borges, na famosa Baixa de Coimbra. Abriu em 1928 e albergou tertúlias históricas com personalidades como Zeca Afonso, Miguel Torga ou António Arnaut. Zeca Afonso escreveu “Os Vampiros” na sala superior d’A Brasileira. Em 1995 o café foi encerrado e viria a reabrir 17 anos depois, a 1 de Março de 2012 com uma nova imagem e com a adoção do slogan "O melhor café é o d'A Brasileira”.
Atualmente, vivendo em tempo de crise, os funcionários reconhecem que as vendas já não são como eram, “nem todos os dias são bons”. No entanto, continuam a ser uma das mais conceituadas pastelarias de Coimbra, tendo como especialidade a trouxa da Brasileira.
Recebe turistas de todo o mundo, principalmente na época do verão. 

Fig.2 Fachada d'A Brasileira

Fig.3 Interior d'A Brasileira

 Fig.4 Interior d'A Brasileira

Fig.5 Pormenor do candeeiro d'A Brasileira

           
Pastelaria Toledo

        A pastelaria “Toledo” é uma das mais famosas e movimentadas pastelarias de Coimbra. Esta conta com uma localização privilegiada (Largo da Portagem) que, só por si, oferece aos seus clientes uma belíssima vista sobre o rio Mondego. Esta acompanhada de deliciosos bolos e doces tornou-se a companhia das solarengas tardes dos seus clientes.
            O seu nome é proveniente de uma célebre lenda coimbrã, a “Lenda das chaves do Castelo” ou a “Lenda de Martins de Freitas”. Esta conta que após a deposição de D.Sancho II, sendo o governo do reino confiado ao seu irmão, infante D.Afonso. D.Sancho refugiou-se no Reino de Castela, mais propriamente em Toledo. Reza a lenda que Martim de Freitas, alcaide do Rei e fiel a este, recusou-se a entregar o Castelo de Coimbra ao regente e suportou, devido a isso, um longo cerco, iniciado em 1246. Em 1248 recebeu noticias sobre do seu soberano, obteve um salvo conduto e conseguiu dirigir-se até Toledo para confirmar a noticia recebida. Lá chegado e aberto o caixão, Martins de Freitas depositou as chaves do Castelo dentro do caixão, retirando-as em seguida para entregar ao novo soberano, D.Afonso.

Fig.6 Fachada Pastelaria Toledo

Fig.7 Montra da Pastelaria Toledo 

 Fig.8 Interior da Pastelaria Toledo


The World Needs Nata - NATA Lisboa

Por último, chegamos à que muitos consideram, a mais inovadora pastelaria em Coimbra, “Nata Lisboa Coimbra”. Esta baseia-se num conceito desenvolvido por uma empresa lisboeta denominada “NataLisbon” que se resume num criativo slogan, “The world needs Nata” (O Mundo precisa de Nata). Como não poderia deixar de ser, a sua especialidade é o aclamado Pastel de Nata.  
          O grande objetivo por de trás deste conceito é a difusão dos sabores de Lisboa por todo o Mundo, principalmente no que toca ao pastel de nata. Não existem quaisquer dúvidas que este está a ser cumprido visto que a Nata Lisbon já se encontra, não só por todo o país como também em Paris, Madrid e Barcelona.


Fig.9 Fachada da The World Needs Nata

Fig.10 Pasteis de nada da The World Needs Nata

Fig.11 Pormenores na The World Needs Nata


POR: Daniela Ramos
Diana Rodrigues
Mariana Reis
Micaela Falcão
Tiago Santos
Rui Correia

O Processo Eleitoral de Moçambique em Coimbra


Este presente texto tem como objetivo retratar as atividades do Processo Eleitoral que teve início com uma formação dos Membros da Mesa de Voto.

O Secretariado técnico da Administração Eleitoral, recrutou candidatos que se mostraram interessados em ser membros das mesas na diáspora (Portugal).
Em Coimbra, candidataram-se seis elementos um dos quais pelo Partido Frelimo. Entretanto dos seis concorrentes, após a formação e avaliação, somente foram admitidos 5 candidatos. A Mesa de Assembleia de Voto em Coimbra, estava composta por um Presidente, Vice-presidente, Secretária, 1º Escrutinador, e o 4º Escrutinador (o 2º e o 3º escrutinador seriam do partido MDM e a RENAMO, mas como não houve candidato desses dois partidos, não se fizeram presente na mesa de voto) nomeadamente a Dulce Valério, Lucinda Julião, Cátia Sumalgy, Jair Chiulele e Mirélio Marques.
No dia 14/10/2014 houve um encontro entre os Membros da Mesa de Voto e o supervisor, Hélio Nhamtumbo, e o ponto focal do STAE (Dália David) para se fazer a organização do espaço, onde se ia realizar as Eleições, e também para receber o material da votação.




No dia 15/10/2014 os Membros de Mesa de Voto encontrava-se no local onde decorreu o processo de votação para organizar a sala, e para fazer a verificação dos Kits de material de Votação.
O processo de votação  decorreu dentro da normalidade até o encerramento da mesma. Registou-se pouca afluência no período da manhã, porém foi melhorando ao longo da tarde.
Na Mesa de Assembleia de Voto de Coimbra (Salão Nobre da Câmara Municipal), no caderno Eleitoral estava inscrito 108 Eleitores. Votaram 63 Eleitores entre esses dois votos foram Especiais (da secretária e do supervisor) que estavam registados numa das Mesas de voto de Lisboa no ato de recenseamento Eleitoral. Houve 47 eleitores que não votaram dos quais 15 ausentaram-se porque regressaram ao país e migraram.
No apuramento parcial para o Presidente da República, Afonso Macacho Marceta Dhlakama obteve 6 votos, Filipe Jacinto Nyusi 49 votos e Daviz Mbepo Simango 7 votos, 1 voto em branco, e zero nulos.

No apuramento parcial da Assembleia da República, A Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO) obteve 5 votos, A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) 49, Movimento Democrático de Moçambique (MDM) 7, Partido Ecologista de Movimento da Terra (PEC-MT) 1, União Eleitoral (EU) Zero, Partido União para a Mudança (UM) Zero, 1 BRANCO e Zero votos Nulo.

Lucinda Julião

O Processo Eleitoral de Moçambique em Coimbra

           

No dia 15 de outubro de 2014, realizou-se Eleições Eleitoral de Moçambique, em Coimbra. Dália David, pessoa que me concedeu a entrevista, foi o ponto focal do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral na Zona Centro de Portugal (Coimbra).



 Sendo o ponto focal do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), qual foi o seu papel no processo Eleitoral?

Foi necessário trabalhar como os pontos focais em alguns distritos para facilitar o trabalho e para haver maior proximidade com a comunidade Moçambicana.
O processo Eleitoral teve duas fases: primeiro o Recenseamento Eleitoral que teve início a 16 de março à 14 de abril, onde se inscreveram 108 Eleitores. O segundo teve  início com a Educação Cívica e formação dos membros da Mesa de Voto.
Atividade dos pontos focais era de mobilizar os Eleitores, falar de importância, fazer a logística, manter contactos com as identidades locais ( por exemplo: Câmara Municipal e a GNR).

 Como decorreu o processo Eleitoral?

 Correu muito bem. Embora as pessoas viessem de longe. Mas fizeram o esforço para votar. Muitos Eleitores não puderam votar porque migraram para outros países ou regressaram para Moçambique.

 Qual é a proveniência dos Eleitores?

 Além de Coimbra, os Eleitores vieram de Viseu, Lousã, Figueira da Foz, Mealhada, Pedrogão, Covilhã, Guarda e de Castelo Branco.

 Onde e quando se realizou o processo de votação? 

 Realizou-se no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, no dia 15 de outubro de 2014.

Para os Eleitores não residentes em Coimbra, o STAE disponibilizou algum meio de transporte para eles se deslocarem ao local de votação?

 Sim. Não só como houve apoio da parte da Empresa Visa Beira. Visto que tem muitos trabalhadores Moçambicanos.

 A Mesa de Voto abriu e encerrou a que horas?

Abriu às 10 horas e encerrou às 21 horas. A Mesa de Voto era composta por cinco elementos. Tais como: O Presidente, Vice-Presidente, 1º Escrutinador, Secretária e o 4º Escrutinador. No Caderno Eleitoral estavam inscrito 108 Eleitores, destes, 65 votaram e 15 regressaram para Moçambique, e os outros devido ao trabalho e da distância não estiveram presentes.


Lucinda Julião


terça-feira, 4 de novembro de 2014

Reabertura da Rádio ESEC



Este será um projeto de estudantes para estudantes, realçando o que de melhor se produz em Coimbra a nível cultural, desportivo e musical.
Será certamente uma rádio ao ritmo do teu estudo.

Por:
Ana Marisa Ventura
Cátia Lourenço
Jéssica Bárbara
Lucinda Julião
Ricardo Lomar
Salomé Assunção 

"A verdadeira guerra está no mundo civil"

David Santiago
David Santiago, 21 anos, é, atualmente, militar no Campo Militar de Santa Margarida, maior instalação militar portuguesa em termos de guarnição e a segunda maior em termos de área ocupada e uma das maiores instalações militares da Europa. Em estilo de confissão, o jovem revela-nos alguns dos seus objectivos e os seus maiores medos.

Sempre quis seguir carreira militar?
Sim, é um sonho desde miúdo. Sempre vi filmes de guerra e ação com o meu pai, que despoletaram o meu interesse pelo Exército.

Está no Exército há quanto tempo?
Estou no Exército desde 7 de Maio de 2012, portanto há dois anos e seis meses.

Para o recrutamento, o que é que é preciso?
Para o recrutamento é preciso ter Nacionalidade Portuguesa; ter pelo menos 18 anos de idade, à data da incorporação; ter aptidão psicofísica adequada; não estar inibido ou interditado do exercício de funções públicas; não ter sido condenado criminalmente em pena de prisão efetiva; possuir situação militar regularizada; possuir habilitações literárias adequadas ( 9.º ano para a categoria de Praças, frequência de ensino superior ou licenciatura (na área de Saúde) para a categoria de Sargentos, licenciatura ou mestrado integrado para a categoria de Oficiais).

Quanto à recruta, foi o que estava à espera ou surpreendeu-o?
A recruta surpreende sempre, porque é uma fase em que tudo é desconhecido. É uma fase de aprendizagem em que fazemos coisas que nunca imaginamos um dia vir a fazer. A minha recruta foi muito complicada mas foi uma grande experiência e, sem dúvida, que me marcou bastante.

Quais são as diferenças entre o regime de voluntariado e o regime de contrato?
Regime de Voluntariado corresponde à prestação do serviço militar por um período de 12 meses, incluindo o período de instrução. Após este tempo, o militar pode ingressar no serviço efetivo em regime de contrato ou sair do Exército. O Regime de Contrato corresponde à prestação de serviço militar durante um período mínimo de dois anos e um máximo de seis.

Como está no Exército em Regime de Contrato, pretende continuar após o seu termo?
Eu estou a ponderar ficar porque, neste momento, a verdadeira guerra está no mundo civil. Aqui tenho um emprego estável, com vencimento certo. Se decidir sair, sei que o mais provável é contribuir para as estatísticas e ser mais um desempregado. Além disso, gosto daquilo que faço e não faz sentido sair.
David em frente ao carro Leopard 2A6

 Qual é a sua função no Exército?
Neste momento, sou condutor de Leopard 2A6 mas quando ingressei no Esquadrão de Reconhecimento tinha o curso de Atirador/Explorador e comecei como Atirador no 2º Pelotão de Reconhecimento (o Pelotão mais operacional do Esquadrão de Reconhecimento).


Sei que recentemente foi graduado de Praça a Cabo, isso foi um motivo de orgulho para si?
Claro que sim! Isso demonstra reconhecimento pelo meu trabalho, porque não somos nós que decidimos que vamos frequentar o curso de Cabo. Quem dá o seu parecer, em primeiro lugar, é o Cabo mais antigo do Pelotão, depois o Sargento do Pelotão e, por fim, é o Comandante do Pelotão que dá o nosso nome ao Comandante do Esquadrão.

O que é que faz no seu dia-a-dia?
No dia-a-dia normal, na parte da manhã, temos treino físico e à tarde tenho que fazer manutenção, testes e estudos ao carro (Leopard 2A6). Já no dia-a-dia mais fora do comum, fazemos exercícios no campo, onde treinamos situações reais de combate, entre outras coisas mais confidenciais. Além disto, também ajudamos a população em situações de cheias e incêndios, por exemplo.

Também no que toca a ajudar os outros, o Exército Português participa em alguma atividade de solidariedade?
Sim. Todos os meses, em Santa Margarida, participamos na Corrida Pires Garção de 5km e, de três em três meses, participamos na Corrida Pires Garção de 10km. Estas corridas têm como objetivo a angariação de fundos para uma instituição de crianças de Constância. O quartel tem também, todos os anos, uma campanha de recolha de roupa e de alimentos para uma associação de pessoas carenciadas de Constância.

O David nunca foi a nenhuma missão porquê?
Nunca fui a nenhuma missão por opção própria. Na altura a minha vida pessoal não era estável e então tive que ponderar muito bem essa hipótese. Uma missão nunca é fácil, nem para o militar nem para quem fica cá à nossa espera. Mas em princípio, irei participar numa próxima porque é para isso que cá estou e é para isso que trabalho diariamente.

A vida militar é o que esperava?
Por um lado sim porque conheci a acção e a aventura mas, por outro lado, acho que o Exército Português está muito desatualizado e isso desiludiu-me. No entanto, o Estado tem vindo a fazer cada vez mais esforços para modernizar o Exército e isso é bom. Um exemplo de modernização, é o investimento em Drones - veículos aéreos não-tripulados utilizados para captar imagens aéreas.

É fácil conciliar a vida militar com a vida pessoal?
Não, de todo! A vida militar é uma vida muito complicada, em que temos que colocar de parte muitas coisas. A partir do momento em que decidimos que é isto que queremos, temos que “deixar para trás” a família e os amigos e isso é muito complicado de gerir.

Sente que a sua forma de ser/estar/pensar mudou desde que está no Exército?
Sim. Agora dou mais valor às coisas simples da vida, como estar com a família, conviver com os amigos ou até tomar um banho de água quente. Além disso, em termos de respeito e civismo, mudei completamente. Antes de vir para aqui era muito egocêntrico, pensava muito em mim. Agora penso mais nos outros e tento ajudar toda a gente, dentro dos possíveis claro.

Se fosse agora, voltava a candidatar-se ao Exército?
Sinceramente, não ou, pelo menos, não me candidatava com 18 anos mas, talvez, com 25/26. Sinto que aqui perco muitas oportunidades e não aproveito tanto a vida e a minha juventude como poderia aproveitar se não estivesse cá.

Enquanto militar, quais são os seus maiores medos?
Os meus maiores medos são perder o meu camarada do lado, não conseguir acabar a missão que nos é dada, seja ela qual for e, principalmente, levar um tiro e perder a vida.



Por: Adriana Vieira