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quarta-feira, 17 de maio de 2017

O lugar da jornalista no desporto

Num século onde se fala cada vez mais da presença de igualdade de género, terá efetivamente terminado, para a mulher, a luta por essa mesma igualdade? No que ao futebol diz respeito, ter-se-á extinguido a ideia de que este é um mundo exclusivo do masculino? E no jornalismo? Qual o papel da mulher no jornalismo...desportivo? Em 456 jornalistas desportivos, apenas 68 são mulheres, o que corresponde a uma luta de 85 contra 15%. 
Os dados acima mencionado são resultado de um inquérito feito pela jornalista Cláudia Martins a 19 orgãos de comunicação social nacionais. Para a repórter de pista da Antena 1 e doutoranda em Estudos em Comunicação para o Desenvolvimento, na Universidade Lusófona do Porto, com a tese "Quem são as mulheres jornalistas de desporto em Portugal?", esta situação tem que ver com as mentalidades da sociedade. "Se calhar pensamos que as mulheres se interessam menos por desporto porque a sociedade lhes diz, desde pequenas, que não têm que se interessar". Licenciada em comunicação social pela Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) e pós graduada em comunicação e desporto pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, Cláudia Martins já foi diretora de informação no jornal on-line sobre futebol zerozero.pt, uma responsabilidade díficil de se alcançar no jornalismo desportivo, quando se é mulher. 
Cláudia Martins, na "pista"

No jornalismo, aliás, existem atualmente apenas duas mulheres, em Portugal, com o cargo de diretora de informação - Graça Franco, na Rádio Renascença e Mafalda Anjos, na revista Visão. Se chegar ao topo da hierarquia é díficil para a mulher jornalista, para a mulher jornalista desportiva é ainda mais. 
Gostar de escrever sobre desporto parece não ser suficiente para se ter vontade de entrar no ramo do jornalismo desportivo. Beatriz Manaia, estudante do 2ºano de comunicação social na ESEC, confessa que apesar de ver desporto, desde pequena, não se revê na profissão. Beatriz escreve para blogues desportivos e considera que "Os conhecimentos de alguém não deviam de ser medidos pelo seu sexo, pois tanto existem mulheres a perceber imenso sobre desporto como homens que nunca ligaram à área". Apesar disso, a jovem reconhece que os "pré-conceitos ainda não desapareceram completamente" e revela os motivos que a afastam do jornalismo desportivo. "Se começasse a minha carreira a escrever exclusivamente sobre desporto, tenho receio de que, se por algum motivo tivesse de ir para outro ramo, não fosse levada a sério e ficasse sempre com esse rótulo". 

Beatriz Manaia, a rever um artigo que escreveu sobre futebol
No que aos rótulos diz respeito e voltando a Cláudia Martins, a repórter da Antena 1 dispensa o rótulo de jornalista desportiva, afirmando que o jornalismo se rege, dentro dos vários ramos da profissão, "pelos mesmos princípios básicos, pelas mesmas ferramentas" e que "a preparação dentro dos assuntos tem de ser a mesma, os temas não são iguais mas nós, jornalistas, temos de ter a mesma credibilidade". O desporto entra na vida da jornalista por coincidência, nunca por opção, no entanto, hoje, Cláudia acredita que foi o melhor que lhe aconteceu. "Eu não seria a mesma pessoa se tivesse trabalhado noutra área, nem teria esta noção sobre a mulher no desporto, estas questões que o trabalho me fez levantar".  
Ser mulher jornalista no universo desportivo não é fácil. E até os homens - pelo menos os jornalistas - reconhecem isso. Jorge Fernandes, estagiário no jornal zerozero.pt, não hesita em falar da sua experiência. "Da minha curta experiência, posso afirmar já que claramente uma mulher no ramo não é tratada da mesma forma. Ainda é difícil para algumas mentes aceitar que uma mulher pode ter competência no jornalismo desportivo". Prestes a concluir a licenciatura em comunicação social, também na ESEC, Jorge Fernandes não tem nenhuma colega jornalista - a redação do zerozero, atualmente, é composta apenas por jornalistas homens - mas acredita que a presença de uma ou mais mulheres seria vantajosa. "Se for competente, uma mulher pode ser uma maisvalia. Ter uma redação com mulheres e homens é algo bastante positivo, pois os dois têm características intrínsecas que os distinguem e a diferença é sempre saudável."
Jorge Fernandes, na redação do zerozero.pt

Cláudia, Beatriz e Jorge, cada um com as suas experiências e visões sobre o tema, estão de acordo num ponto: a jornalista, no desporto, não pode errar tanto como o jornalista. Os três defendem que existe o pré conceito de que se o homem falha é porque se enganou, porém, se a mulher falha é porque não percebe nada do assunto. E como ser jornalista é uma profissão pública, todos veêm, analisam e criticam. 
Tem sido um caminho penoso e lento para a mulher atingir plenamente a igualdade. Se na lei não há diferenças, na vida real da sociedade portuguesa existem ainda pormaiores que falham. Não há argumentos que neguem os números e, aqui, a reduzida percentagem de 15% assusta profissionais e aspirantes a jornalistas. Contudo, para que estes 15% aumentem, é necessária uma prévia atualização de mentalidades. E isso também não pode ser negado. 

Ana Domingues
Bárbara Rodrigues
Cátia Cardoso
Jéssica Oliveira

terça-feira, 7 de outubro de 2014

CARTAS



 Na era da Internet, será que todos se renderam às novas tecnologias ou será que ainda existem apologistas dos antigos métodos? 
  Será que os tempos mudaram assim tanto?




segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vox Pop - Greve Geral 14 de novembro

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Portugueses convocou para o próximo dia 14 de novembro uma greve geral com o tema "Contra a Exploração e o Empobrecimento; Mudar de Política -- Por um Portugal com Futuro". O Posts de Pescada saiu à rua para recolher algumas impressões dos cidadãos conimbricenses no que diz respeito a este assunto.

por: Daniela Gonçalves, Fabiana Ferreira e Mélanie Oliveira


segunda-feira, 19 de março de 2012

«Direitos dos Trabalhadores do Sexo são Direitos do Homem»

Foi no dia 17 de Dezembro 2003 que Gary Leon Ridgway declarou-se culpado de matar 48 mulheres nos Estados Unidos da América. A sua  maioria eram trabalhadoras do sexo. A escolha rna tipologia das suas vitimas recaiu nestas porque «Provavelmente ninguém iria fazer queixa à polícia. Escolhi prostitutas porque pensava que podia matar quantas quisesse sem ser apanhado», declarou Ridgway.

Foi em memória a essas vitimas e para relembrar o constante perigo  que as pessoas ligadas à industria do sexo enfrentam, desde os actores e actrizes de pornografia, directores, a equipe técnica; strippers, donos de sexshops, operadores de linhas eróticas e muitos mais, que se fundou o Dia Internacional contra a Violência sobre Trabalhadores do Sexo.

O vazio de lei na maioria dos países  e a proibição em muitos outros, fazem com que o risco de violência contra os trabalhadores do sexo só aumente.
É por uma legalização e mais segurança que instituições como Internacional Union of Sex Workers, Panteras Rosas, Rede sobre Trabalho Sexual e UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) lutam diariamente. 

Nas actas do II Congresso Internacional de Investigação e Desenvolvimento Sócio-cultural consta que, em Portugal, cerca de 80% a 90% dos inquiridos foram vitimas de violência, verbal e/ou física.
Foi também proferido pela investigadora Alexandra Oliveira que «os transexuais e os homens que se prostituem na rua são ainda mais vítimas de violência e agressões do que as mulheres (...) e que o facto de serem pessoas sem direitos, sem voz, sem poder reivindicativo, dota os agressores de uma sensação de impunidade que faz com que as agridam».

Foto de: Persona Non Grata Pictures

É graças a marchas, cartazes e documentários como o "Das 9 às 5" que este assunto, considerado por muitos tabu, é exaltado de modo a fazer o público pensar naqueles que apesar de fornecerem serviços  que são procurados por muitos, são depois (e talvez desde sempre) marginalizados.

Com o mote «Direitos dos Trabalhadores do Sexo são Direitos do Homem», comemora-se então há 8 anos esta data com o objectivo de fazer chegar a estes cidadãos os seus direitos e segurança no seio de uma sociedade em que estão inseridos mas que muitas vezes são esquecidos.


Vanessa Sofia

*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.