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terça-feira, 14 de outubro de 2014




Fura Redes um "programa" em formato PodCast com alusão ao futebol através de uma perspectiva humorística.
Por: Marlene Ribeiro, Cláudia Gomes, Ruben Tavares, Tiago Guedes e Eduardo Pinto


https://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BMzL6aE--oc

“É sempre possível fazer melhor.”


Ana Sofia Ferreira licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Coimbra, optou no ensino secundário por Línguas e Humanidades já com a certeza de que escolheria Jornalismo. Apenas com 21 anos de idade já trabalhou para uma rádio local e fez parte da Associação de Estudantes onde encabeçou projectos ligados à comunicação.
Coimbra com uma diversidade tão grande em projectos ligados ao jornalismo era impensável para ela não aproveitar essas oportunidades, deste modo, tirou proveito de todos os workshops, formações e até conferências e palestras, onde o testemunho dos oradores era um cunho importante para perceber como tudo funcionava. Após a conclusão de um estágio curricular na empresa SIC notícias encetou na equipa de jornalismo onde se encontra atualmente. 

Quando surgiu a certeza de que o jornalismo iria ser a tua profissão para a vida?
Pode até nem ser a minha profissão para toda a vida, mas certo é que há uma grande paixão que começou muito cedo… Contam os meus pais que depressa notaram em mim uma grande capacidade de comunicação e muita, muita curiosidade por tudo e todos os que me rodeavam. Nas idas ao supermercado, por exemplo, paragem obrigatória para falar um bocadinho com toda a gente… “Como te chamas?”, “Quantos anos tem?”, “E filhos, tem? Quantos?”, “O que faz(em)?” E tantas foram as vezes que eles, com alguma pressa, me negavam que os acompanhasse. À medida que ia crescendo, interessava-me cada vez mais pela escrita. Aos sete anos – conta a minha mãe - quis “escrever livros para meninos e meninas”, aos 15 anos comecei a escrever para o jornal da escola, e aos 17 decidi ocupar as minhas tardes na rádio Cardal. Já na faculdade, a passagem pela Televisão da Associação Académica de Coimbra, pela Cabra, o contacto que tive com a RUC, e até mesmo enquanto membro de Comunicação da AIESEC (plataforma internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens estudantes através de programas de trabalho em equipa, liderança e intercâmbio), permitiram-me ganhar competências que só alimentaram esta vontade incessante de poder um dia trabalhar na área. E apercebi-me de que diante todas as opções que o jornalismo me disponibilizava, a televisão e a rádio despertavam em mim um “gosto” especial. Mas, bem sei, que as nossas ideias, por vezes, se alteram e a juventude é uma idade promissora para paixões. O estágio foi o momento ideal para experimentar. Poder tirar as minhas dúvidas de perto, aprender com profissionais que há muito admirava, justo numa estação de televisão, para mim, de eleição, a SIC.

Como é licenciares-te e conseguires ficar numa grande empresa de comunicação?
É acima de tudo o reconhecimento de todas as horas passadas a trabalhar por paixão, dos fins-de-semana sem ir a casa, das tardes em que abdiquei de estar com amigos – como tanto me apetecia –, das noites de trabalho e da entrega diária ao exercício da profissão. Não foi tempo perdido.

Quais as dificuldades que sentiste ao integrar esta mesma empresa logo a seguir à licenciatura e ao estágio?
Findo o período de estágio não somos bons o suficiente para fazer tudo. É só mais uma etapa de aprendizagem. Seremos certamente melhores do que quando entrámos, mas temos muito para aprender. Confesso que me senti um pouco assustada ao início, pois agora mais do que nunca é altura de mostrar aquilo que valho. Estou rodeada de bons profissionais e quero estar à altura. Estar rodeada de bons profissionais e pertencer a uma grande empresa na área da comunicação traz também uma responsabilidade acrescida. Mas ter a oportunidade de fazer aquilo que gosto é um estímulo para trabalhar todos os dias com mais empenho e predisposição para fazer sempre mais e melhor.

Quais os teus planos em relação ao futuro? Ambicionas ainda mais para a tua profissão?
Creio que o “segredo” para o sucesso é mesmo esse… ambicionar sempre mais. Embora não faça grandes planos em relação ao meu futuro na empresa, ou até mesmo no jornalismo, há muita coisa que quero e ambiciono fazer. Nomeadamente voltar a trabalhar com a editoria de economia e política ou experimentar o internacional. Quem sabe até um dia opte pela rádio, outro sonho que não ficou para trás…

Que mensagem deixas aos licenciados e aos que estão a licenciar-se em comunicação social para o futuro?
Empenhem-se. Nunca se contentem mesmo quando o trabalho parece perfeito. Até porque nunca o é. Trabalhar para o grande público permite muitas opiniões divergentes. O que para muitos é bom e claro, para outros pode não ser. É muito importante ler e saber tudo quanto possível. É impensável informar os outros quando não estamos 100% à vontade com a mensagem que queremos passar. Sejam humildes, reconheçam sempre que há alguém com mais experiência com quem podem aprender. Quando tiverem dúvidas, tirem-nas. Não hesitem por achar que certas questões são mais ou menos risíveis. Até porque das questões mais simples às vezes saem as respostas mais importantes. Entreguem-se totalmente ao que fazem, o jornalismo é uma profissão sem horário, sem planos, na verdade é o inesperado que faz desta uma profissão tão mais interessante que todas as outras. Não esperem o amparo de uma “queda”. Não esperem elogios do vosso trabalho. Raramente os ouvirão, não por estar mau, mas porque é esperado que esteja bom. Esperem críticas e aceitem-nas. É sempre possível fazer melhor.



Marisa Neves

Curiosidade pelo Mundo

Ana Marisa Ventura, 19 anos, actual estudante de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Coimbra. O que a fez querer a informação como profissão? Numa pequena entrevista descobrimos qual é a perspectiva de uma actual estudante de Jornalismo e Informação.


Como vieste parar ao curso de Comunicação Social? Sempre foi uma paixão que tiveste? Como surgiu?
Depois de muito pensar e reflectir sobre os meus gostos e sobre os assuntos que me despertavam interesse, optei pela Comunicação. Sempre fui muito curiosa e muito atenta ao Mundo que me rodeia e foi também por isso que quis vir para esta área. Surgiu um pouco pelo gosto que tenho em escrever e também pela área da rádio, que sempre me interessou – não pela parte técnica mas sim pela locução e produção de conteúdos.

Como actual aluna, estás a gostar do curso? Estavas a espera de mais?
Estou a gostar do curso mas também estava à espera de mais. Elevei muito as expectativas nalgumas cadeiras mas, nesta área, se não trabalharmos muito fora do período lectivo e fora do âmbito escolar, ficamos muito frágeis. Sinto muito a necessidade de aproveitar todas as formações fornecidas pela ESEC e de procurar outras lá fora, em qualquer área relacionada, principalmente na questão do marketing e relações públicas bem como em línguas estrangeiras.

No fim do 3º ano o que esperas que aconteça? Em que área gostavas mais de trabalhar?
A ideia que tenho no presente e que acho que gostaria de colocar em prática, era trabalhar na área da rádio; no entanto gostava de experimentar um pouco de tudo. Primeiro queria experimentar a parte da imprensa escrita, informativa, depois gostaria de aperfeiçoar conhecimentos de fotografia e vídeo – parte multimédia e quem sabe um dia experimentar televisão, que não é uma área que me atraia muito, pelo menos agora.

Voltavas a concorrer para comunicação Social?
Sim, claro. Não estou arrependida da minha 1ª opção de candidatura e se fosse hoje escolheria o mesmo curso.


Priscila Duarte 

Um futuro com várias opções



Filipe Dinis, 27 anos, é o actual assessor de imprensa da Académica de Coimbra e antigo estudante de Comunicação Social.

Para si, o que é o jornalismo?
A meu ver o jornalismo é uma profissão pela qual o jornalista passa a informação para o publico, quer seja pelo formato digital, em papel ou outras formas. Pois a comunicação social é muito importante sendo que ocupa o quarto lugar em termos de poder.

Quando foi que escolheu executar essa profissão? Gosta do que faz?
Desde muito pequenino que me interesso pela escrita, sempre gostei muito de escrever, depois escolhi fazer o curso de Comunicação Social num outro momento tive que escolher entre jornalismo e assessoria de imprensa, curiosamente escolhi jornalismo pois, sempre me interessei mais por assessoria mas depois mudei para assessoria de imprensa era realmente o que queria. Neste momento estou muito satisfeito com o meu emprego.

Nota alguma diferença no jornalismo que existia quando obteve o primeiro trabalho e o jornalismo de agora?
Sendo que não foi a muito tempo, pelo menos cinco anos atrás, o que mudou e está sempre a mudar é a importância das redes sociais. A internet está a adquirir um estatuto cada vez mais alto.

Acha que existem melhorias a fazer no jornalismo actual, sendo que existem muitas formas de fazer jornalismo hoje em dia?
Maus profissionais existem em todo lado, não só em jornalismo. Desse modo acho que existem melhorias por fazer e sempre vai existir.

Desde que trabalha nessa área de assessoria qual foi o momento que mais ficou na sua memória?
Ao longo desse tempo que trabalho para a académica existiram dois grandes momentos que me marcaram. Quando a Académica venceu a taça de Portugal em 2012 e quando estiveram na Liga Portuguesa em 2012/13.
                                                                     
                                                                                   

                                                                                                   Por: Larissa Costa

A Festa do Cinema Francês bateu às portas dos portugueses

    
     15 anos, 18 cidades, perto de 40 filmes, é sinal de que o Cinema Francês ainda não morreu. Nesta 15ª edição da “Festa do Cinema Francês”, o TAGV em Coimbra deu a conhecer dramas, comédias, animações e umas quantas antestreias. A principal novidade foi a presença de dois realizadores cujos filmes também fizeram parte da seleção do Festival de Cannes.


Uma programação que acaba com estereótipos

Em entrevista na AF a Amina Mazouza
    Contando com uma parceria entre a Embaixada Francesa, o Instituto Francês e a “Alliance Française”, a “Festa do Cinema Francês” é uma iniciativa que conta com várias edições de grande êxito. A capital portuguesa é ainda a cidade com maior adesão, seguindo-se Coimbra. A par das sete cidades que receberam a festa no ano passado, assistiu-se este ano a uma expansão para quase vinte localidades portuguesas. “A Festa na Aldeia” foi outra inovação marcante do festival e teve como finalidade levar a magia do cinema francês a todo o país, inclusive às localidades com menos acesso a este género de programação. Deste modo, os três organizadores fulcrais da festa realizaram, pela primeira vez, sessões de cinema utilizando ecrãs insufláveis. Sobre a atividade, Amina Mazouza, diretora da “Alliance Française” de Coimbra, ressalva que é “o cinema francês a ir ao povo e não o povo a ir ao cinema.”

      Numa tentativa de acabar com o estereótipo romântico do cinema francês, a edição deste ano, apresenta uma visão mais moderna e plural da sétima arte em França. Segundo Amina Mazouza, estes filmes “refletem a França de hoje, uma França multicultural.”



A Cidade universitária fiel ao “Septième Art”

      Coimbra é a segunda cidade com maior adesão à Festa do Cinema Francês. Em 2014, foi celebrada no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) e contou com a visita de centenas de pessoas que se deixaram envolver nas obras cinematográficas apresentadas. A “curiosidade que move o grande público” é o principal motivo que leva tantas pessoas ao TAGV, afirma a diretora da “Alliance Française”. Este ano, a festa contou também com a presença, em Coimbra, de dois realizadores, Fabianny Deschamps e Pascal Tessaud, que tiveram a sua obra em exibição.

Amina Mazouza, diretora da Alliance Française de Coimbra

     O sucesso das edições anteriores é tido em conta, mas a qualidade e diversidade do cartaz é também um fator decisivo para o êxito de cada edição. Este ano, a Festa do Cinema Francês conta com um cartaz variado, composto por filmes comerciais e obras independentes; assim como sessões escolares gratuitas. Entre a seleção de filmes, alguns são os escolhidos do Festival de Cannes. A programação do cartaz é da responsabilidade de Jean Chrétien Blanc que, de acordo com as cidades, decide a programação.
Para além de haver um público jovem e interessado no cinema, Amina Mazouza frisa que os sessenta anos da Alliance Française em Coimbra permitem a existência de um público fiel. Este tem vindo a ser conquistado ao longo dos anos, o que ajuda a criar uma nova geração de frequentadores da “Festa”.
   O público da “Festa” não quer ver o cinema da “Nouvelle Vague”. Vem, por conseguinte, celebrar “a morte do estereótipo do cinema francês”, tal como anunciam os cartazes e flyers espalhados pela cidade. A diferença entre o novo cinema francês e o seu estereótipo reside, por exemplo, no fim do cinema romântico e romantizado e da Torre Eiffel como tela de fundo e personagem principal. O cinema francês debruça-se cada vez mais sobre as vidas das pessoas que vivem na França contemporânea, retratando-as de uma forma nua e crua. Exemplo disso, é a longa-metragem “Brooklyn”, de Pascal Tessaud.


KT Gorique e “Brooklyn” são o “lado B” de Paris

Fotograma de "Brooklyn"
    Com um título que remete para os EUA, Pascal Tessaud apresentou ao público conimbricense, no TAGV, a sua primeira longa-metragem. “Brooklyn” é um retrato social do Paris dos subúrbios, refletindo sobre o peso que a cultura hip-hop tem nos jovens da periferia. Em tertúlia no TAGV, o realizador explica que o filme “mostra todo o potencial criativo que há nas periferias de França” que reside na juventude, ainda que, “os media a estigmatize constantemente”. Isto traduz-se num fenómeno de “racismo grave” em França, pelo “medo que se tem desses jovens, jovens que só precisam de amor”. Pascal Tessaud propôs-se a desligar-se inteiramente da escola do cinema francês, que é, por sua definição, “uma estrutura aristocrática”.
     O realizador retrata a sua própria realidade social com toda a lealdade possível, filmando toda a longa-metragem em Saint-Denis, um subúrbio parisiense, apenas com moradores do bairro. O elenco contava apenas com dois atores tendo uma experiência profissional na área. A própria atriz principal, que se apresenta como “KT Gorique”, estreou-se na grande tela com este projeto. O cineasta acredita que “uma mulher negra como protagonista é uma ferramenta de autoestima para todas as mulheres”, uma vez que o rap em França trata mal as mulheres. Já em tom de brincadeira, acrescenta que “este é quase um filme feminista”.

Pascal Tessaud em entrevista no TAGV

        “Brooklyn” é, então, uma crónica do dia-a-dia da juventude dos subúrbios franceses. Depois de “perder a confiança e esperança nas instituições”, Pascal Tessaud afirma-se como realizador e produtor independente ao produzir um filme sem dinheiro, nem recursos, nem “equipa técnica de 20 pessoas”. Defende que não se deve “pedir autorização aos professores” para se fazer um filme, ao estilo de Martin Scorcese, exemplo que deu múltiplas vezes durante a tertúlia e em entrevista. É um filme que ele descreve como sendo “do povo, pelo povo e para o povo”, cuja primeira apresentação foi exclusivamente para a população de Saint-Denis – a maioria da qual nunca tinha sequer entrado numa sala de cinema.


Bruna Becegatto Costa - texto
Bruna Dias - texto
Daniela Bulário - texto
Vanessa Alves Ferreira - tradução e texto
Zita Moura - fotografia e texto