Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta filmes. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de dezembro de 2012

Este País Não É Para Pobres



Há cerca de duas semanas, o WarezTuga - site que aloja e permite a visualização de uma grande quantidade de filmes e séries - anunciou que ia encerrar devido a uma queixa por parte da ACAPOR. Em causa estava a pirataria feita pelo WarezTuga, que levou a que, teoricamente, houvesse mais espectadores no seu site de streaming do que nas salas de cinema nacionais, facto que, por sua vez, originava uma quebra significativa da receita nas bilheteiras.

Quis-me parecer que esta manobra não passou de uma estratégia de apresentação de um novo filme. Tal como os irmãos Coen apresentaram em 2007 o seu maior sucesso Este País Não É Para Velhos, o WarezTuga, com a ajuda da ACAPOR, adaptou o título à actualidade nacional e o resultado não poderia ter sido mais… realista!

Estando minimamente por dentro do assunto, eis uma pequena sinopse deste novo drama: num país assolado pela crise, onde os combustíveis atingem valores abusivos e um bilhete de cinema custa cerca de seis euros, ver filmes na Internet parece ser a melhor solução para os amantes da sétima arte. Um site destaca-se mas a sua popularidade e os seus bons resultados enfrentam a oposição de uma associação que tenta pôr fim à sua existência. Será o seu encerramento a melhor solução? Ou agravará a situação de crise e provocará a ira daqueles que visitam regularmente o site?

Este País Não É Para Pobres, um “filme” que apenas esteve em exibição durante cinco dias. Das duas, uma: ou foi um autêntico flop cinematográfico ou a história, baseada em factos verídicos, susceptibilizou tanto a população que se achou por bem retornar tudo à normalidade. Por outras palavras, o WarezTuga voltou ao seu habitual funcionamento e as salas de cinema a ter mais baldes de pipocas do que espectadores. 

por: Diogo Carvalho


*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Uma Viagem Muito Aguardada



O filme “O Hobbit – Uma Viagem Inesperada” estreará na próxima quinta-feira, dia 14 de Dezembro. Este será o primeiro de três filmes que servirão de prequela para a famosa trilogia “O Senhor dos Anéis”. O filme levará o espectador numa viagem pela Terra Média com Bilbo Baggins, um hobbit que vai acompanhar um grupo de anões na sua demanda para reconquistar a sua terra do dragão Smaug.

O filme promete encher salas de cinema graças aos milhares de fãs dos filmes anteriores, que os tornaram no maior sucesso de bilheteiras de sempre. Ao todo, a trilogia ganhou 17 Oscars, tendo o terceiro filme, “O Regresso do Rei”, recebido 11, tornando-se a trilogia mais premiada pela Academia. Além disso, os filmes ganharam vários prémios internacionais, entre as quais um BAFTA e uma MTV Movie Award, e encontram-se bem posicionados em várias listas dos melhores filmes de sempre.

O sucesso dos filmes aumentou a popularidade da Nova Zelândia como destino turístico, onde foram gravados, e contribuíram para um ainda maior interesse nos livros de Tolkien. Os livros deste autor, conhecido como o “pai” da literatura fantástica moderna, receberam vários prémios literários e tornaram-se parte da cultura popular. O mundo detalhado e complexo da Terra Média, que não se limita aos livros principais, apaixonou centenas de jovens e levou à publicação de vários apontamentos e obras póstumas de Tolkien. Entre estes está o “Silmarillion” e “Os Filhos de Húrin”.

O première na Nova Zelândia no dia 28 de Novembro juntou milhares de fãs vestidos como as personagens. Para o evento, a capital, Wellington, mudou temporariamente o seu nome para “o centro da Terra Média”. Os próximos filmes estrearão em Dezembro de 2013 e 2014.


Por Amy Gois


*Este artigo não está escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico


segunda-feira, 5 de março de 2012

Sessões de Cinema a Um Euro


 Fila K Cineclube promete divulgar muito mais do que cinema português independente.

Foi na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto que Gonçalo Barros, da direcção do Fila K Cineclube, nos recebeu. Casa que abriga outros dois projectos, Camaleão - Associação Cultural e MRNT Marionet, e onde a ideia de sustentabilidade entre as três associações é bem patente na partilha de equipamento, espaço e meios financeiros.
Fila K Cineclube faz este ano 10 anos e nós fomos conhecer este projecto que é apenas criança na idade, mas muito adulta quando se fala no que já alcançou neste tão seu curto período de tempo. 

Vanessa Sofia - Posts de Pescada



Posts de Pescada (PdP) - Quando e pela mão de quem nasceu o Fila K Cineclube?
Gonçalo Barros (GB) - O cineclube nasceu a 17 de Maio de 2002 e precisamente este ano vai fazer 10 anos. Foi tudo através de amigos. Reunimo-nos, cerca de 10 pessoas, e formamos a associação cultural sem fins lucrativos. O nome surgiu porque na altura, em 2002, não havia nenhum cineclube em Coimbra. 

PdP - Qual é o público-alvo do Cineclube?
GB - Depende muito da iniciativa. Temos ciclos de cinema que é para toda a gente. Temos, por exemplo, ciclos para o público infanto-juvenil, dos 7 aos 14 anos. E depois dos 14 até ao fim, não é? (risos) Digamos que depende muito da programação que adoptamos.

PdP - Será que nos podia dizer o objectivo do vosso projecto?
GB - Basicamente é divulgar a cultura cinematográfica. É sempre o objectivo de um cineclube: é para promover cinematografias normalmente esquecidas do público e promovê-las para que as pessoas as vejam. No nosso caso foi mais para promover cinema que não era divulgado pelas grandes distribuidoras. Pois se bem reparares, os filmes que estão em exibição num centro comercial, são quase sempre os mesmos que têm no outro. Por isso o nosso primeiro objectivo foi divulgar o cinema português independente e dar ao público mais variedade de escolha. E não só, também mostramos cinema de outros países, mas acima de tudo tivemos o cuidado de sempre divulgar o cinema feito por cá.

PdP - Já que falas na programação em si, tinha reparado pelo vosso site que vocês têm uma programação muito distinta. Para além da atenção que dão ao cinema português, qual é o método de selecção e de organização do vosso calendário de projecções?
GB - Nós como Fila K projectamos em dois sítios diferentes: no Mosteiro Santa Clara, no auditório, todas as sextas feiras às 21:30, e aqui, na Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto. A programação em si difere dependendo do sítio que escolherem.
No Mosteiro, no ano passado, fizemos por autor para mostrar às pessoas a evolução, por filmes, de um realizador. Neste ano decidimos organizar o calendário por temas, como por exemplo o «O Cinema e a Pintura», o «Cinema Mudo» e por aí fora.
Na Casa das Artes adoptamos outra estratégia: nós estamos cá, damos a cara, mas quem programa são outras instituições. Ou seja, funcionamos como acolhimento desses projectos, abrimos a casa e emprestamos equipamento para essas instituições que querem fazer os seus ciclos de cinema.
Por exemplo, este mês [Março] vamos ter três acolhimentos: o do Centro de Estudos Sociais, mais conhecido por CES, que propôs um ciclo de cinema com comentadores todas as Quartas-feiras, depois temos também parceria com os Pioneiros de Portugal e às quintas teremos o Departamento de Arquitectura com o seu ciclo de filmes.

PdP - Como tem sido a adesão do público?
GB - É curioso perguntares isso. Tudo o que começa, demora o seu tempo para chegar aos ouvidos das pessoas, ainda mais falando de um cineclube. Temos que criar um «público» e depois arranjar estratégias para que elas voltem sempre.
Uma das estratégias que arranjamos foi encontrar um dia fixo. Por exemplo, no caso do Mosteiro [Santa Clara], como já disse, é todas as sextas-feiras às 21:30. Assim as pessoas sabem que há ali cinema uma vez por semana com entrada livre.
Este ano, em 2012, a partir de Fevereiro decidimos criar uma entrada simbólica de um euro e quem quiser ser sócio paga 15 euros e pode ver todas as sessões durante um ano. Com esta nova política de preços pensávamos que as pessoas não vinham mais e por acaso aconteceu precisamente o contrário. Temos tido mais público e estamos a crescer cada vez mais.

PdP - Por fim, acha que falta mais projectos como o vosso aqui em Coimbra que divulguem a cultura.
GB - Penso que não.
A cidade não é assim tão grande e se surgir muitos outros projectos pode surgir o problema de haver para um só dia muitas actividades. Nós como Fila K defendemos que temos de trabalhar todos em união, ou seja, se realmente houver diferentes eventos culturais no mesmo dia, seja ele teatro, cinema, música ou outras expressões artísticas, pode-se fazer uma programação em conjunto.
O problema em Coimbra é que a instituição que trabalha com o teatro gosta de divulgar cinema, o que trabalha com música gosta também de cinema . Isto tanto pode ser saudável como não, pois origina desorientação ao público que deixa de saber para onde quer ir por ter tanta oferta. Por isso, não, acho que não haja falta de projectos culturais na cidade.


*Por opção da autora, este artigo foi escrito segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1945.