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terça-feira, 28 de outubro de 2014

“Não quero emigrar, prefiro mudar de área a ter de o fazer.”





Marlon José Ribeiro, 24 anos, licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e actualmente estudante de Mestrado de Gestão e Conservação dos Recursos Naturais pela Universidade de Lisboa e Évora, leva já um leque variado de experiências no seu currículo. Contudo, este estudante vê-se agora numa fase de insegurança para com o futuro que se avizinha.

O que o levou, na sua licenciatura, a enveredar pela área das Ciências, mais propriamente a Biologia?
 No secundário, havia uma forte promoção das ciências da vida como uma área de futuro e como era bom aluno a biologia decidi enveredar por essa área.

Ainda no decorrer da sua licenciatura, estagiou no Hospital de São João. Como foi a experiência de estagiar em laboratório?
Não foi de todo a experiência mais acertada, o trabalho que estavam a desenvolver não se enquadrava ao que realmente pretendia seguir.

Vê a vertente laboratorial como o futuro da sua carreira profissional?
Não considero que seja, quer pela vida que um cientista leva, quer pelos poucos ou até nenhuns apoios que o nosso país acaba por dar a estes profissionais.

O mestrado que neste momento íntegra é direccionado para que vertentes cientificas?
São várias. Este mestrado é pluridisciplinar, contando com a vertente de Ecologia, Economia e está vocacionado para nos formar como gestores dos recursos naturais.

Alguma vez sentiu que a sua escolha na área das ciências foi errada?
Sim, penso que foi realmente errada, ainda para mais na actual situação em que o pais se encontra e onde os cortes nas ciências são significativos.

O que pretende fazer assim que terminar os estudos?
Não sei bem é algo ainda muito incerto, não vejo perspectivas animadoras. Já ponderei começar algo numa área nova.

 Qual seria a nova área em que estaria disposto a apostar e porquê?
 Apostaria em línguas, penso que cá teria mais oportunidades/propostas e como sei falar alemão e inglês já seria uma mais-valia para mim.

Vê o seu futuro em Portugal ou sente que terá necessidade de emigrar?
Sei que para exercer a minha área de formação terei de o fazer, com muita certeza. No entanto, não quero emigrar, prefiro mudar de área a ter de o fazer.


Marlene Ribeiro 2013115


Jornalismo sem Estática

Num mundo em que a voz perde peso face ao hipertexto e à internet, o papel da rádio redefine-e a cada dia e o papel do jornalista de rádio também. Diana Craveiro, licenciada em Jornalismo pela FLUC e mestranda em Sociologia pela FEUC, colabora com a Rádio Universidade de Coimbra desde 2007, onde é uma das Directoras de Informação. Foi quem nos deu a conhecer o método de trabalho do jornalista de rádio, o que a rádio implica e a sua importância - nomeadamente na região de Coimbra, já que a RUC é a única rádio da cidade.



Bruna Becegatto
Bruna Dias
Daniela Bulário
Vanessa Alves Ferreira
Zita Moura

Coimbra ganha vida com quem ganha a vida nela

Coimbra ganha vida com quem ganha a vida nela


Coimbra é muito mais que uma cidade historicamente universitária pautada pela tradição e pela vida noturna. Também do dia se faz Coimbra, com as suas ruas míticas e animadas, visitadas por gentes de todo o mundo.
Deambulando por trilhos conimbricenses, encontrámos na baixa o grande palco desta cidade, onde qualquer pessoa que queira pode atuar.  


- Pequenos palcos, grandes sonhos

Músicos profissionais pela baixa.

São vários os artistas que atuam nas ruas de Coimbra, demonstrando os mais variados talentos.
Desde malabarismo a descontraídos acordes de esplanada, Coimbra ganha cor e alegria com estes amantes da arte citadina. 

"Faço isto para me divertir e, principalmente, para divertir os outros. Muita gente tem curiosidade em experimentar e algumas crianças até se costumam meter comigo. (risos)" 

Malabarista, enquanto mostrava os seus truques a crianças que por ali passavam. 


“Nestas tardes de sol, a melhor companhia é um fino, amigos e a minha guitarra.”

Músico a entreter a esplanada.



Em conversa com turistas e alguns dos locais, foi percetível o agrado demonstrado pelos mesmos perante as atividades que oferecem dinamismo aos recantos da cidade. Por serem uma fonte de diversão, promovem também o comércio local. 

Se há quem encontra nas ruas uma forma de passar o seu tempo, também é possível encontrar quem faça delas o seu sustento.




É o caso de Javi, natural de Málaga, licenciado em Animação Cultural e com experiência profissional como assistente social. Fez parte de vários projetos nesta área, inclusive integrou uma equipa circense. Hoje em dia, o malaguenho vê-se obrigado a atuar nas ruas coimbrãs para poder pagar despesas domésticas e ajudar a família.


O artista mostra as suas habilidades diariamente enquanto os automóveis estão parados nos semáforos.




Músico de rua.


“Estou aqui desde manhã e acabo o dia sempre só com umas moedas, mas como faço isto por gosto, não é assim tão mau.”





Em jeito de conversa, o músico confidencia-nos que tanto encontra pessoas que contribuem com simpatia, como outras que ignoram e desprezam, chegando a ouvir delas alguns comentários desagradáveis. 





Encontramos também vários músicos espalhados pela baixa de Coimbra, que, embora não façam disto a sua principal fonte de rendimento, encaram esta atividade como um modo de adquirir mais algum dinheiro ao fim do mês.

Música cego toca ao piano e recebe moedas dos transeuntes.


- Uma forma de comércio alternativa

O simpático casal de vendedores de castanhas tem presença assídua, todos os Outonos, na baixa da cidade, com os típicos cartuchos destes frutos que “aconchegam os corações e a barriga quando o frio aperta”.
Com uma dúzia de castanhas a 1,5€, poucos são aqueles que ficam indiferentes ao carrinho vermelho que perfuma aquele largo. 


Vendedores de castanhas no largo em frente à Câmara Municipal.





 “Estamos aqui todos os anos e, apesar da crise que estamos a atravessar, continuamos a vender bem.” Conta-nos o casal.









Ao último sábado de cada mês, entre as 10h e as 19h, temos a oportunidade de visitar a feira de Antiguidades e Velharias que se realiza na Praça do Comércio. Aqui é possível adquirir os mais variados objetos, desde livros a máquinas de costura, acessórios de bijutaria e até roupas em segunda mão. 



Máquina de costura antiga.


A par destas feiras, podemos percorrer diferentes ‘barraquinhas’ e pontos de comércio mais simples, com os mais diversos produtos. 


Vendedores de roupas e acessórios.



Marta Campos, estudante do 12ºano, vê nestas pequenas feiras grandes oportunidades para encontrar peças originais, que, normalmente, não encontra nas grandes superfícies comerciais, e a um preço mais em conta. 











Os vendedores, naturais de Coimbra ou dos arredores, aproveitam estas feiras e pequenos mercados para amealhar algum dinheiro com coisas que, provavelmente, já não lhes são úteis. 

Vendedor de livros antigos.


"Há que aproveitar estes dias de sol e mesmo assim é complicado conseguir vender muita coisa."
Confessou o vendedor destes brinquedos, que se situava numa zona com pouco movimento.

Brinquedos à venda.



Coimbra tem encanto a qualquer hora e nem só de preto e branco se vestem as ruas desta cidade. Elas vestem-se de músicos de rua e de artistas que se querem dar a conhecer pelos cantos da cidade. Elas vivem daqueles que aqui cresceram e que agora se veem obrigados a viver delas.

Coimbra ganha vida com quem ganha a vida nelas. E se podíamos passear pela baixa de Coimbra sem ouvir uma canção de fundo ou sem tropeçar num tapete estendido no chão com livros antigos por preços inigualáveis? Podíamos, mas não era a mesma coisa.

Parque da cidade. 

Por:
Catarina Elias
Francisco Lopes
Joana Coutinho
Maria Inês Gomes
Natacha Roxo
Pauline Rebelo

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Coimbra vista de dentro

Coimbra é conhecida historicamente por ser a universidade mais antiga de todo o país e a terceira mais antiga da Europa. Fundada em 1920 é também conhecida como a «cidade dos estudantes». Todos os anos milhares de jovens se mudam para Coimbra para poderem ingressar na Universidade, no entanto existem também muitos estudantes conimbricenses que frequentam esta instituição. Desta forma, esta entrevista destina-se a dar a conhecer melhor a visão de alguém que nasceu e vive em Coimbra em relação a toda vida académica antes e depois de entrar para o ensino superior. O testemunho é dado por Rafael Garcia, um jovem de 19 anos habitante de Coimbra, que frequenta o segundo ano no curso de Matemática na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).


Como é que encaravas a vida académica de Coimbra mesmo antes de seres estudante universitário?
- Sempre considerei como algo característico e tradicional da cidade, Coimbra é essencialmente conhecida pela Universidade e pela vida académica. Acho caricato ver turistas a fotografar os estudantes trajados ou até mesmo os caloiros. É interessante ver que uma situação que para mim é tão normal, para outras possa ser algo completamente novo e desconhecido. Mas ainda bem que isto acontece, pois é uma forma de promover o turismo e a cultura da minha cidade.



O que é que mudou na tua vida a partir do momento em que começaste a estudar na Universidade?
- Em primeiro lugar, foi bastante enriquecedor a nível pessoal, pois como estudante passei a ter mais noções de trabalho e passei a ser mais responsável. Em termos de vida académica, comecei a perceber melhor a importância e o peso que esta tem na vida dos estudantes em geral. Antes sentia-me como um mero «espectador». Como por exemplo, eu gostava de assistir aos cortejos mas de certa forma não conseguia sentir a sua verdadeira essência, para mim era simplesmente mais uma festa dos estudantes. Hoje, olho para um cortejo como um dos dias mais importantes de todo o meu ano, e tem muito mais valor.




Frequentaste as praxes de curso no teu ano de caloiro?
- Sim.

Como vias as praxes antes de seres um aluno universitário e como é que as vês agora?
- Para ser sincero, enquanto aluno de secundário assisti a várias praxes e não gostei muito, pareciam ser demasiado violentas. Quando entrei para a universidade, tive sérias dúvidas se iria frequentar as praxes ou não. No entanto, em poucos dias a minha opinião mudou drasticamente, percebi que a praxe era bastante engraçada e tinha como principal objetivo integrar os novos alunos. A praxe é composta por uma hierarquia, como tal os caloiros obedecem aos doutores mais velhos. Gostei bastante de ser caloiro, aliás tenho imensas saudades, no entanto, também gosto de estar na posição de doutor. É bom sentir-me responsável por alguém e poder acompanhar o seu percurso académico.



Vês Coimbra de uma melhor forma agora ou da mesma forma que vias antes de seres estudante universitário?
- Sem dúvida agora! Não só pelas pessoas que conheci mas por tudo que já vivi enquanto estudante.



Fala-se muito do peso da tradição desta cidade na vida de um estudante. Tinhas consciência disso?
- De certa forma sim. Acredito que para as pessoas que são de fora seja ainda mais especial o que vivem cá.


Para ti a Festa das Latas e a Queima das Fitas não são novidade. Antes já frequentavas estes eventos?
- A Festa das Latas não, costumava apenas ir à Queima das Fitas, porque sempre preferi ir apenas quando fosse universitário. Mas neste momento tanto uma como outra têm muito mais significado, antes eram simples festas.



Se tivesses a oportunidade de ir estudar para outro lugar aceitavas?
- Neste momento acho que não. Apesar de pensar bastante como seria a experiência de estudar e viver noutra cidade. Mas, por outro lado, penso que desta forma consigo tirar o melhor dos dois mundos, porque posso estar em casa com a minha família ao mesmo tempo que vivo e aproveito a minha vida académica e que conheço pessoas de todas as zonas do país.



O que é que sentes por seres da cidade com a Universidade mais antiga e com mais vida académica de todo o país?
- De certa forma não sinto nada de novo, porque já nasci com essa noção. Penso que os estudantes que não são de cá expressam-se mais em relação à tradição e cultura porque é algo que até aí era desconhecido para eles, é uma experiência nova e diferente. Mas como é lógico sinto-me bastante orgulhoso por ser de Coimbra.




Ana Manaia - 2013131

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Jornalismo: estabilidade ou mudança?

Qual o papel dos jornalistas na nossa sociedade? Será, atualmente, mais difícil fazer jornalismo? Uma das principais figuras da rádio em Portugal, o professor Braga da Cruz, ajuda-nos a desmistificar esta  temática.



Por Catarina Coutinho